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	<title>Flores, Livros e Lua Blog</title>
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		<title>01 &#8211; PROTOZOÁRIOS</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2012 23:39:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>floreslivroselua</dc:creator>
				<category><![CDATA[PROJETO ZOOLOGIA]]></category>

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		<description><![CDATA[PRINCÍPIOS E PADRÕES EMERGENTES Todos os seres vivos lutam pela manutenção de sua existência em várias frentes paralelas: Procura de alimento, de oxigênio, omeostase, eliminação de detritos tóxicos, de um parceiro sexual, etc. Alguns fatores determinam como cada espécie fará isso: O tipo de ambiente, o modo de vida, genética, design corporal, etc. AMBIENTE O [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=floreslivroselua.wordpress.com&amp;blog=7302497&amp;post=872&amp;subd=floreslivroselua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><strong><br />
</strong></p>
<p>PRINCÍPIOS E PADRÕES EMERGENTES</p>
<p>Todos os seres vivos lutam pela manutenção de sua existência em várias frentes paralelas: Procura de alimento, de oxigênio, omeostase, eliminação de detritos tóxicos, de um parceiro sexual, etc.</p>
<p>Alguns fatores determinam como cada espécie fará isso: O tipo de ambiente, o modo de vida, genética, design corporal, etc.</p>
<p>AMBIENTE</p>
<p>O ambiente <strong>marinho</strong> é geralmente o mais estável, as ondas e correntes dissolvem os sais e a flutuabilidade da água ameniza problemas de sustentação, permitindo o surgimento de espécies maiores que na agitada água doce.</p>
<p>Como a água marinha é relativamente isosmótica relação ao líquido corporal das criaturas, o controle salino é simples. Os ovos podem ser postos na água sem o risco de dessecarem ou sofrerem desequilíbrio salino.</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/01.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-873" title="01" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/01.jpg?w=460&#038;h=345" alt="" width="460" height="345" /></a></p>
<p>A <strong>água doce</strong> é muito menos constante, variando conforme a turbidez, volume e velocidade, além de influências como seca ou chuvas fortes. Os lagos e lagoas variam em teor de oxigênio e transparência, ocorrendo diferenças na coluna d’água nos maiores.</p>
<p>A água doce também ajuda na sustentação, mas o equilíbrio salino é mais dificultoso, pois a água do meio tende a difundir-se para dentro do organismo, o que forçou a geração de mecanismos de osmorregulação nos animais, bombeando o excesso para fora.</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/02.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-874" title="02" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/02.jpg?w=460&#038;h=426" alt="" width="460" height="426" /></a></p>
<p>Ovos flutuantes e larvas livre-natantes seriam facilmente arrebatados pelas correntezas, então eles ficam geralmente retidos no corpo da fêmea ou afundam logo depois de liberados. Além disso, os estágios larvais estão quase que completamente ausentes.</p>
<p>Os detritos em geral são excretados na forma da tóxica amônia, que requer forte diluição para não causar problemas de envenenamento. Como esses animais já possuem um mecanismo de expulsão de água, esse resíduo é facilmente diluído na urina.</p>
<p>No ambiente terrestre os animais encontram seu habitat mais severo, além da ausência de flutuabilidade, existe o risco constante de perda de água por evaporação. Assim, houve um reforço no tegumento externo, com as superfícies respiratórias (que sempre devem se manter úmidas) mais para dentro do corpo.</p>
<p>Os detritos são geralmente uréia ou ácido úrico, menos tóxicos.</p>
<p>A fertilização deve ser interna para proteger os ovos do dessecamento.</p>
<p>Exceto em insetos e poucos artrópodos, o desenvolvimento é direto.</p>
<p>TAMANHO DO CORPO</p>
<p>A medida que o corpo aumenta de tamanho, a proporção da área superficial com o volume reduz; porque o volume aumenta ao cubo, enquanto a área aumenta ao quadrado.</p>
<p>No animais pequenos a área corporal é suficientemente grande para uma troca de gases e nutrientes por difusão, porém o risco de perda de água é maior. Nos animais de tamanho mais considerável a distância entre a superfície e as partes mais internas do corpo é demasiada para permitir esse tipo de troca, o que levou à criação de estruturas de transporte como vasos sanguíneos ou invaginações da áreas externas. Posteriormente veremos que é por isso que criaturas maiores tem menos problemas com a manutenção da temperatura externa.</p>
<p>MODO DE VIDA</p>
<p>Os animais de vida livre são em geral bilateralmente simétricos, com um sistema nervoso concentrado na parte anterior do corpo, pois essa é a região que primeiro entra em contato com o meio explorado.</p>
<div id="attachment_875" class="wp-caption aligncenter" style="width: 240px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/03-planaria.png"><img class="size-full wp-image-875" title="03 planaria" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/03-planaria.png?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Com a bilateriedade e consequente formação de uma região anterior, o processo de cefalização se tornou natural.</p></div>
<p>Os animais sésseis tem simetria radial, pois devem sentir a presença de predadores de todos os lados. Nesses casos os esqueletos, envelopes e tubos calcários servem de sustentação e proteção.</p>
<div id="attachment_876" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/04-anemona.jpg"><img class="size-full wp-image-876" title="04. anemona" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/04-anemona.jpg?w=460&#038;h=345" alt="" width="460" height="345" /></a><p class="wp-caption-text">Animais sésseis, ao contrário, devem estar atentos para estímulos de todos os lados e portanto exibem um sistema nervoso distribuído de maneira uniforme.</p></div>
<p>ESPECIALIZAÇÕES CELULARES</p>
<p>Os protozoários são organismos eucarióticos unicelulares. Todas as criaturas unicelulares evoluíram a partir dessas formas de vida ancestrais. Eles permaneceram num nível de organização que nunca ultrapassou o de uma única célula, embora tenham desenvolvido várias especializações do citoplasma ou do citoesqueleto.</p>
<p>A comparação e organização do grupo é feita justamente observando-se e estudando-se o número de organelas e as estruturas do citoesqueleto.</p>
<div id="attachment_879" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/05-protozoario-foto-de-edwin-lee.jpg"><img class="size-full wp-image-879" title="05 protozoario foto de Edwin Lee" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/05-protozoario-foto-de-edwin-lee.jpg?w=460&#038;h=254" alt="" width="460" height="254" /></a><p class="wp-caption-text">Paramecium, exemplo de predecessor filogenético da vida animal. Créditos pela foto para Edwin Lee</p></div>
<p>Suas células são mais complexas que as dos metazoários (seres multicelulares), pois a única célula que os constitui deve ser responsável por todas as funções que garantam seu modo de vida: Locomoção, transporte de substâncias, reprodução, etc.</p>
<p>Nos metazoários as células estão divididas em tecidos mais especializados, devendo contribuir para a manutenção de mecanismos particulares; em suma, são mais especializadas, porém menos complexas.</p>
<p>MEMBRANA CELULAR</p>
<p>A membrana serve para manter o interior celular mais ou menos isolado, e assim promover as condições ótimas para os vários processos bioquímicos necessários à manutenção metabólica da célula.</p>
<p>Estruturalmente ela é formada por fosfolipídeos opostos em camada dupla, além de proteínas que podem atravessá-la de ponta a ponta ou permanecerem presas de um dos lados.</p>
<p>Externamente, presos à membrana, podem haver carboidratos de longas cadeias que, juntos, formam o <strong>glicocálix</strong>, responsável pelo molde dos citoesqueletos. A membrana ainda serve de ancoragem para as fibras esqueléticas ou ela mesma tem um papel esquelético.</p>
<p>A fluidez ou rigidez da membrana dependerá do quão insaturadas ou saturadas são os lipídeos que ela contém. Lembra do Dr. Drauzio falando do colesterol no Fantástico? Pois é, ele é um tipo de lipídeo que enrijece as membranas, inclusive nas células das artérias coronárias humanas, levando à doença conhecida como arterioesclerose.</p>
<p>FLAGELOS E CÍLIOS</p>
<p>O flagelos são tipicamente longos e tem movimentos de chicote. Os cílios, ao contrário, são curtos e tem um movimento mais rígido, como se fosse um remo. Mas a ultra-estrutura de ambos é idêntica, o que torna a distinção entre os dois difícil em alguns casos.</p>
<p>Interiormente corre um feixe de <strong>microtúbulos</strong> denominado <strong>axonema</strong>, coberto por uma bainha membranosa externa.</p>
<p>O axonema constitui-se de dois microtúbulos centrais rodeados por nove pares periféricos. A curvatura é causada pelo deslizamento dos duplos adjacentes na periferia. Isso e causado por braços de <strong>dineína</strong> ligando os duplos. Na presença de ATP, o braço de um duplo prende-se ao duplo adjacente e flexiona-se, provocando movimento.</p>
<div id="attachment_880" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/06-ilustrac3a7c3a3o-ruppert-edward-e-fox-richard-s-barnes-robert-d-zoologia-dos-invertebrados-uma-abordagem-funcional-evolutiva-sc3a3o-paulo-roca-2005.jpg"><img class="size-full wp-image-880" title="06 Ilustração Ruppert, Edward E., Fox, Richard S., Barnes, Robert D. Zoologia dos invertebrados uma abordagem funcional-evolutiva. São Paulo. Roca, 2005." src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/06-ilustrac3a7c3a3o-ruppert-edward-e-fox-richard-s-barnes-robert-d-zoologia-dos-invertebrados-uma-abordagem-funcional-evolutiva-sc3a3o-paulo-roca-2005.jpg?w=460&#038;h=322" alt="" width="460" height="322" /></a><p class="wp-caption-text">Morfologia interna de alguns cílios, onde é possível ver os microtúbulos periféricos e axonema central. Ilustração do livro de Barnes onde se baseou este texto. Informações completas da bibliografia ao fim da postagem.</p></div>
<p>Imediatamente abaixo da superfície da membrana, encontra-se o <strong>corpo basal</strong> do cílio ou flagelo, de onde sai e que sustenta toda a estrutura.</p>
<p>Durante a mitose celular, os <strong>centríolos</strong> ficam dispostos nos pólos da célula, e posteriormente originam essas estruturas. Uma região ao redor dos centríolos chamada <strong>centro organizador dos microtúbulos</strong> controla a construção das organelas.</p>
<div id="attachment_881" class="wp-caption aligncenter" style="width: 462px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/07-cilios.jpg"><img class="size-full wp-image-881" title="07 cilios" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/07-cilios.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Corte transversal (acima) e região basal de um cílio, onde é possível ver os o axonema, microtúbulos e estruturas de sustentação, respectivamente.</p></div>
<p>Um corpo basal forma o molde no qual se organizam os axonemas em formação. Tem uma estrutura quase idêntica ao cílio propriamente dito, porém faltam-lhe os microtúbulos centrais, embora ocorra um terceiro microtúbulo que se une aos pares periféricos. Os braços de dineína estão ausentes.</p>
<div id="attachment_882" class="wp-caption aligncenter" style="width: 404px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/09-corpo-basal.gif"><img class="size-full wp-image-882" title="09 corpo basal" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/09-corpo-basal.gif?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Corpo basal em esquema de computador, onde as estruturas podem ser visualizadas com mais didatismo.</p></div>
<p>Geralmente esse corpo ancora-se no núcleo da célula e na membrana por meios de estruturas radiculares, fibras de proteína que podem puxar o flagelo ou mudar sua orientação.</p>
<p>Os cílios são curtos, numerosos e arranjados de maneira muito densa. Não batem ao mesmo tempo, mas em sequencia de fileiras longitudinais bem organizadas, promovendo um efeito chamado <strong>ondas metacronais</strong>. Em seu golpe de batimento, cada cílio estende-se rigidamente, num plano perpendicular ao corpo, movendo-se de frente para trás. Depois flexiona-se e arrasta-se sinuosamente para frente, paralelo à superfície da célula.</p>
<div id="attachment_883" class="wp-caption aligncenter" style="width: 450px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/08-movimento-ciliar.gif"><img class="size-full wp-image-883" title="08. movimento ciliar" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/08-movimento-ciliar.gif?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Acima, o movimento do cílio em &quot;ondas metacronais&quot;.</p></div>
<p>No caso dos flagelos o movimento é mais ondulante, criando uma onda de impulso que percorre o comprimento da estrutura e impele a célula para frente.</p>
<div id="attachment_884" class="wp-caption aligncenter" style="width: 274px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/10-movimento-flagelar-e-ciliar.gif"><img class="size-full wp-image-884" title="10. movimento flagelar e ciliar" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/10-movimento-flagelar-e-ciliar.gif?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Movimentos flagelar (a esquerda) e ciliar.</p></div>
<p>Ao nadar os animais ficam sujeitos a dois tipos de resistência da água: a pressão frontal que se desenvolve enquanto ele avança e a pressão de viscosidade ou adesão, provocada pela tendência de as moléculas de água grudarem em sua superfície, criando uma película imóvel que envolve qualquer animal aquático. É claro que quanto menor o animal maior o significado dessas pressões, de modo que no caso dos protozoários ela é especialmente importante. Em termos de comparação, seria como tentar fazer um golfinho nadar em mel.</p>
<p>A hidrodinamização é um mecanismo comum para vencer a pressão frontal da água, mas em animais unicelulares como os protozoários ela não é utilizada por aumentar ainda mais a superfície corporal.</p>
<p>ABSORVENDO NUTRIENTES</p>
<p>Para açúcares, íons, moléculas menores de proteínas ou água, a seletividade da membrana é suficiente. Para nutrientes menores ela sofre uma invaginação, levando para o interior da célula o alimento no processo denominado <strong>endocitose</strong>.</p>
<p>A <strong>pinocitose</strong> é uma forma de endocitose na qual os nutrientes estão dissolvidos no meio extracelular e soa levados para dentro em baixas concentrações.</p>
<div id="attachment_885" class="wp-caption aligncenter" style="width: 360px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/11-pinocitose.jpg"><img class="size-full wp-image-885" title="11 pinocitose" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/11-pinocitose.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Célula absorvendo nutrientes dissolvidos, pinocitose.</p></div>
<p>Já á <strong>endocitose mediada por receptores</strong> leva para dentro molecular maiores, que se acoplam a receptores da membrana e disparam o sinal do evento.</p>
<p>A <strong>fagocitose</strong> é o englobamento de partículas grandes como bactérias ou outros protozoários, ocorrendo mudança não apenas da membrana mas do citoplasma abaixo.</p>
<div id="attachment_886" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/12-ameba-em-fagocitose.jpg"><img class="size-full wp-image-886" title="12 ameba em fagocitose" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/12-ameba-em-fagocitose.jpg?w=460&#038;h=326" alt="" width="460" height="326" /></a><p class="wp-caption-text">Uma ameba em processo de fagocitose.</p></div>
<p>DIGESTÃO</p>
<p>O alimento ingerido ocupa um <strong>vacúolo alimentar </strong>no qual se fundem <strong>lisossomos</strong>, os quais liberam ácidos e enzimas que irão digerir o alimento. As partículas resultantes são difundidas pelo citoplasma e a célula pode usá-las para diversos fins imediatos ou guardá-las na forma de glicogênio ou lipídio. O que não é aproveitável permanece no vacúolo e é jogado novamente para o meio extracelular num processo chamado <strong>exocitose</strong>.</p>
<p>SECREÇÕES</p>
<p>Muitas células secretam macromoléculas que são passadas para o exterior. A síntese envolve o <strong>Complexo de Golgi</strong> e o retículo endoplasmático, esse último formando a vesícula que leva o produto até a membrana, onde é expelido muitas vezes sob a forma de muco.</p>
<p>Enzimas para digestão extracelular, capas protetoras permanentes ou mesmo feromônios podem ser liberados dessa forma.</p>
<p>SIMBIOSE</p>
<p>Define-se simbiose como uma relação íntima entre dois organismos de espécies diferentes.</p>
<p>Quando um se beneficia em detrimento do prejuízo de outro, temos o <strong>parasitismo</strong>.</p>
<p>Quando um se beneficia e o outro não ganha nem perde, temos o <strong>comensalismo</strong>.</p>
<p>Quando ambos se beneficiam temos o <strong>mutualismo</strong>.</p>
<p>Esse último tipo de relação é muito comum não apenas em protozoários, mas também em vários organismos invertebrados, como veremos. Em geral ela envolve cianobactérias, diatomáceas, algas verdes ou dinoflagelados, que são um tipo de protozoário.</p>
<p>O membro autotrófico da dupla geralmente se encontra no interior da célula hospedeira, possivelmente após sofrer uma fagocitose. Esse tipo de relação deve ter evoluído quando um retardamento da digestão fez com que o excesso fotossintético fosse passado ao hospedeiro, enquanto este nutria a celular autotrófica com nutrientes.</p>
<p align="center">PROTOZOA</p>
<p>Os protozoários são representados por cerca de 80.000 espécies de unicelulares eucarióticos que no passado eram classificados dentro do reino animal. Hoje, juntamente com alguns tipos de algas, eles são colocados no reino protista. O nome Protozoa define os protistas móveis e unicelulares.</p>
<p>Possuir apenas uma célula é a característica que une o grupo, pois no restante existe uma variedade extrema. As espécies de <em>Volvox</em>, por exemplo, formam colônias com nível de estrutura tecidual.</p>
<div id="attachment_888" class="wp-caption aligncenter" style="width: 370px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/13-volvox.jpg"><img class="size-full wp-image-888" title="13 volvox" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/13-volvox.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Volvox, pista para a origem dos metazoários?</p></div>
<p>O tamanho varia de alguns micrômeros até poucos milímetros; existem onde quer que haja umidade e existem espécies travando todo tipo de relação com outros organismos: parasitismo, comensalismo e mutualismo.</p>
<p>ORGANELAS E FISIOLOGIA</p>
<p>A natureza estrutural do citoesqueleto define a rigidez ou flexibilidade de um protozoário. Localizado logo abaixo da membrana, é composto por proteínas filamentosas, microtúbulos e vesículas, criando malhas. A forma pode lembrar a do fuso mitótico ou, quando os raios esqueléticos se projetam para fora, uma estrela.</p>
<div id="attachment_889" class="wp-caption aligncenter" style="width: 376px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/14-citoesqueleto-de-protoperidinium.jpg"><img class="size-full wp-image-889" title="14 citoesqueleto de Protoperidinium" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/14-citoesqueleto-de-protoperidinium.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Parece uma invasão extraterrestre, mas é apenas o citoesqueleto de um Protoperidinium.</p></div>
<div id="attachment_891" class="wp-caption aligncenter" style="width: 263px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/14-protoperedinium.jpg"><img class="size-full wp-image-891" title="14 Protoperedinium" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/14-protoperedinium.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Aqui mais fotogênico.</p></div>
<p>Vesículas logo abaixo da membrana, chamadas <strong>alvéolos</strong>, podem estar vazias num primeiro momento e encherem-se de fluido logo depois, o que deixa a célula túrgida e ajuda na sustentação.</p>
<p>Nos dinoflagelados são secretadas placas de celulose que formam um esqueleto rígido. Existem ainda exoesqueletos, chamados <strong>testes</strong>.</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/15.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-890" title="15" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/15.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p>Organelas locomotoras como cílios, flagelos e pseudópodos são usadas por especialistas para classificar os filos.</p>
<p>A alimentação varia do fotoautotrofismo, absorção passiva de partículas em suspensão ou predatismo ativo.</p>
<p>Alguns protozoários, como os que vivem no trato digestório de ruminantes, são anaeróbicos obrigatórios; os que vivem em água pouco oxigenada são anaeróbicos facultativos.</p>
<p>São capazes de fazer osmorregulação quando a concentração osmótica interna é maior que a circundante: A água que penetra por osmose por todos os pontos da membrana é expulsa por transporte ativo e principalmente pelo chamado <strong>complexo vacuolar contrátil</strong>, formado pelo vacúolo e por uma série de pequenas vesículas e túbulos que formam uma estrutura chamada <strong>espongioma</strong>. O fluido é coletado por essa rede de canais e cai no vacúolo, que contrai e o expulsa da célula através de um poro. A taxa de descarga depende da concentração osmótica. Este sistema, porém, não exerce função de excreção de resíduos metabólicos, estes simplesmente se difundem através da membrana.</p>
<div id="attachment_892" class="wp-caption aligncenter" style="width: 160px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/16-vacuolo.jpg"><img class="size-full wp-image-892" title="16 vacuolo" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/16-vacuolo.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Percebam o grande vacúolo em branco, organela importante para a osmorregulação.</p></div>
<p>Protozoários com parede celular não possuem vacúolo, pois essa estrutura resiste à penetração da água.</p>
<p>Como os animais, essas pequenas criaturinhas respondem a estímulos químicos e reagem com respostas variadas, mas previsíveis. A conjugação de substâncias com os receptores dispara uma resposta na membrana, permitindo que íons (geralmente K+ ou Na+) fluam para baixo de seu gradiente natural. À despolarização da membrana segue-se a entrada de Ca+, que por sua vez dispara outras reações como reversão dos batimentos ciliares, por exemplo.</p>
<p>REPRODUÇÃO</p>
<p>A reprodução assexuada por mitose (nesse caso chamada <strong>fissão</strong>) é a mais comum, mas se uma das células for bem menor que a outra o processo é denominado <strong>brotamento</strong>. Em algumas espécies ocorre<strong> esquizogonia</strong>, que nada mais é que uma fissão múltipla.</p>
<div id="attachment_893" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/17-reproduc3a7c3a3o.jpg"><img class="size-full wp-image-893" title="17 reprodução" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/17-reproduc3a7c3a3o.jpg?w=460&#038;h=625" alt="" width="460" height="625" /></a><p class="wp-caption-text">Fissão</p></div>
<div id="attachment_894" class="wp-caption aligncenter" style="width: 197px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/17-2-bipartic3a7c3a3o.jpg"><img class="size-full wp-image-894" title="17.2 bipartição" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/17-2-bipartic3a7c3a3o.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Bipartição é um sinônimo para o mesmo evento, aqui observado numa forma ciliada.</p></div>
<p>Entre os protistas temos um indício de como pode ter surgido a reprodução sexuada e a produção de gametas no reino animal. Entre eles, a reprodução sexuada nem sempre leva à formação de um novo indivíduo e existem espécies onde ela nunca foi observada. O sexo deve ter surgido quando dois organismos haplóides (característica ancestral) se fundiram e deram origem a um zigoto diplóide. Como essa condição ainda não era natural, ele se dividiu por meiose e deu origem a quatro indivíduos haplóides. Um retardo na meiose do zigoto prolongaria o estágio diplóide. Com o tempo o diploidismo poderia dominar o ciclo de vida e a fase haplóide se restringiria aos gametas.</p>
<p>Os ciliados não produzem gametas, mas trocam núcleos haplóides, que se fundem. Outras espécies alternam ciclos de vida haplóides e diplóides, com a meiose levando não à formação de gametas, mas esporos.</p>
<div id="attachment_895" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/18-conjugac3a7c3a3o.jpg"><img class="size-full wp-image-895" title="18 conjugação" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/18-conjugac3a7c3a3o.jpg?w=460&#038;h=548" alt="" width="460" height="548" /></a><p class="wp-caption-text">Antes de se dividirem, alguns indivíduos de certas espécies trocam DNA, como forma de provocar variabilidade genética nos descendentes, que do contrário seriam clones.</p></div>
<p>O <strong>encistamento</strong> é comum, principalmente nas espécies de água doce. O organismo secreta um envelope muito espessado que o protege dos meses frios ou das secas. Tanto no estágio móvel quanto no encistado, os protozoários conseguem se mover a grandes distâncias pelo vento, nas correntezas ou pegando carona em animais.</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/21-cisto.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-896" title="21 cisto" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/21-cisto.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p>EVOLUÇÃO</p>
<p>A evolução dos protozoários é a própria evolução da célula eucarionte.</p>
<p>Os primeiros possivelmente eram células amebóides que progressivamente adquiriram estruturas mais complexas como os flagelos, mitocôndrias e cloroplastos. Enquanto alguns permaneceram em sua condição primitiva de autótrofos, outros perderam seus cloroplastos e se tornaram heterótrofos secundários. Outros ainda perderam os flagelos tão duramente conseguidos e voltaram a uma situação amebóide. Concluímos por isso que grupos com morfologias parecidas não são necessariamente mais próximos filogeneticamente.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p align="center"><strong>PROTOZOÁRIOS FLAGELADOS</strong></p>
<p>Também chamados <strong>mastigóforos</strong>, englobam o filo com o maior número de espécies, quase 7.000. São artificialmente divididos em <strong>fitoflagelados</strong> e <strong>zooflagelados</strong>.</p>
<p>Pela presença de cloroplastos e outras semelhanças com vegetais, alguns cientistas tratam os fitoflagelados como algas. Já os zooflagelados, previsivelmente, não possuem cloroplastos e são heterotróficos. Alguns tem vida livre, mas a maioria é comensal, mutualista ou parasita.</p>
<p>A presença do flagelo é a característica mais marcante do filo e a maioria possui dois deles (que podem ou não serem do mesmo tamanho). Alguns possuem ramos laterais finos nos flagelos, cuja função é puxar a célula com o movimento flagelar, ao invés de empurrá-la.</p>
<p>A estrutura morfológica varia enormemente. A maioria tem regiões anteriores e posteriores bem definidas, mas o plano de simetria é praticamente inexistente. A maioria nada livremente, mas há espécies sésseis e coloniais.</p>
<p>Vejamos agora alguns grupos no filo dos flagelados:</p>
<p><strong><em>Euglenófitas</em></strong></p>
<p>Vivem em água doce e marinha, possuindo clorofilas <em>a</em> e<em> b</em>. O corpo é alongado, com uma invaginação na parte anterior. Isso forma um cálice com um vacúolo contrátil e dois flagelos pilosos, um muito mais curto que o outro, cuja base possuiu um pequeno ponto pigmentado, que se acredita ter função fotorreceptora.</p>
<div id="attachment_897" class="wp-caption aligncenter" style="width: 378px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/20-euglenaviridis.jpg"><img class="size-full wp-image-897" title="20 Euglenaviridis" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/20-euglenaviridis.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Euglenaviridis, atentem para a profusão de cloroplastos.</p></div>
<p>Os autotróficos armazenam carboidratos na forma de grãos de <strong>paramilo</strong>. As espécies heterotróficas podem absorver nutrientes da água ou serem fagotróficas. <em>Paranema</em> possui bastões na extremidade anterior que usa para puxar a presa e engolfá-la.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong><em>Clorófitas</em></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>As <em>Volvocales</em> participam do grande filo de algas verdes de água doce e marinhas. Possuem parede celular e um grande cloroplasto, além de dois ou quatro flagelos lisos. Algumas espécies portam <strong>ocelos</strong> (olhos rudimentares), além de dois vacúolos contráteis. Podem ser solitários ou coloniais, sendo essas últimas achatadas ou na forma de uma esfera oca.</p>
<p><em> </em></p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/23-clorofita.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-898" title="23 Clorofita" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/23-clorofita.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/23-2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-899" title="23.2" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/23-2.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong><em>Dinoflagelados</em></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>O filo Dinophyta contém cerca de 2.000 espécies fotossintetizantes, coloridos de marrom ou marrom-dourado por pigmentos xantofilados.</p>
<p>Não há clorofila b. Os núcleos contém cromossomos permanentemente condensados, o que faz muitos biólogos acreditarem que essa é uma condição primitiva.</p>
<p>O corpo é geralmente ovóide e assimétrico, podendo possuir dois flagelos, um dos quais repousando dentro de um sulco transversal e o outro num sulco longitudinal. O flagelos transversal causa movimentos laterais, enquanto o longitudinal empurra a água e ajuda no impulso.</p>
<div id="attachment_900" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/24.jpg"><img class="size-full wp-image-900" title="24" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/24.jpg?w=460&#038;h=362" alt="" width="460" height="362" /></a><p class="wp-caption-text">Alguma nova aparelhagem eletrônica? Não, é um &quot;simples&quot; dinoflagelado.</p></div>
<p>Possuem uma película espessada complexa, originada de depósitos de celulose dentro de vesículas celulares ou alvéolos. Em algumas espécies essa<strong> teca</strong> é fina e flexível, e diz-se que o protozoário é sem armadura ou nu, porém na maioria das vezes a carapaça é muito resistente, podendo apresentar formas bizarras.</p>
<p><em>Noctilica</em> e outras espécies são luminescentes, contribuindo para o brilho planctônico que se pode observar em certar noites de mar calmo, e com a qual Charles Darwin se maravilhou enquanto explorava a Terra do Fogo, em sua viagem a bordo do <em>Beagle</em>. Mais recentemente, a visão do mar luminoso inspirou o cantor uruguaio Drexler a compor uma música com o nome do gênero.</p>
<div id="attachment_901" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/25.jpg"><img class="size-full wp-image-901" title="25" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/25.jpg?w=460&#038;h=305" alt="" width="460" height="305" /></a><p class="wp-caption-text">Este é o efeito que alguns protozoários podem causar. Como não sentir um fascínio e um respeito imensos por tais criaturinhas?</p></div>
<div id="attachment_902" class="wp-caption aligncenter" style="width: 344px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/25-2.jpg"><img class="size-full wp-image-902" title="25.2" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/25-2.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Noctilica, inspirador de cientistas e artistas, em pessoa.</p></div>
<p>Os dinoflagelados podem ser autótrofos, heterótrofos ou ambos, como ocorre nas espécies pigmentadas. A presa é capturada por pseudópodos e ingerida através de uma abertura associada ao sulco longitudinal.</p>
<p>Existem ainda parasitas e simbiontes de corais, com enorme importância ecológica.</p>
<p>Espécies dos gêneros <em>Gymnodinium</em>, <em>Gonyaulax</em> e outros são os responsáveis pelo fenômeno da maré vermelha, que aliás nem sempre são vermelhas e se devem aos pigmentos presentes na espécie que, por algum motivo, explodem suas populações em determinadas ocasiões.</p>
<div id="attachment_903" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/27-mare.jpg"><img class="size-full wp-image-903" title="27 mare" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/27-mare.jpg?w=460&#038;h=310" alt="" width="460" height="310" /></a><p class="wp-caption-text">Efeitos da maré vermelha.</p></div>
<div id="attachment_904" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/26-gymnodinium-sanguineum.jpg"><img class="size-full wp-image-904" title="26 Gymnodinium sanguineum" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/26-gymnodinium-sanguineum.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Gymnodinium sanguineum, o nome é sugestivo.</p></div>
<p>As substâncias metabólicas são tóxicas, podendo matar peixes e outros animais marinhos. A <strong>ciguatera</strong> é uma substância altamente tóxica presente em dinoflagelados que vivem em algas pluricelulares. A substância passa para peixes herbívoros, que a armazenam nos tecidos até passarem-na adiante na cadeia alimentar. Podem atingir concentrações tão altas nos peixes carnívoros que conseguem matar humanos que venham a se alimentar deles.</p>
<p><strong><em>Coanoflagelados</em></strong></p>
<p>Apresentam um colar cilíndrico de microvilos ao redor do flagelo único, podem ser coloniais ou solitários. As colônias planctônicas unem-se por uma matriz gelatinosa, enquanto os sésseis fixam-se por uma <strong>haste</strong>. Muitos zoólogos acreditam que eles estejam mais próximos dos animais metazoários do que qualquer outro protozoário.</p>
<div id="attachment_905" class="wp-caption aligncenter" style="width: 359px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/28-coanoflagelado620-size-620.jpg"><img class="size-full wp-image-905" title="28 coanoflagelado620-size-620" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/28-coanoflagelado620-size-620.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Coanoflagelado séssil.</p></div>
<div id="attachment_906" class="wp-caption aligncenter" style="width: 442px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/28-2.jpg"><img class="size-full wp-image-906" title="28.2" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/28-2.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Coanoflagelados livres.</p></div>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<p><strong><em>Cinetoplastídeos</em></strong></p>
<p>A característica mais marcante é a quantidade de massa de DNA (<strong>cinetoplasto</strong>) na grande, alongada e única mitocôndria. Podem ser de vida livre ou parasitas e apresentar um ou dois flagelos. Às vezes um deles arrasta-se e conecta-se a um dos lados do corpo através de um membrana ondulatória.</p>
<p>Os <strong>cinetoplastídeos tripanossomatídeos</strong> são parasitas intestinais de insetos e sanguíneos de vertebrados.</p>
<div id="attachment_907" class="wp-caption aligncenter" style="width: 385px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/29-trypanosoma-cruzi.jpg"><img class="size-full wp-image-907" title="29 Trypanosoma-cruzi" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/29-trypanosoma-cruzi.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Vossa famosidade, o Tripanossoma cruzi.</p></div>
<p>As espécies dos gêneros <em>Leishmania</em> e <em>Trypanossoma</em> são agentes de numerosas doenças nas regiões tropicais. Enquanto uma parte do ciclo de vida ocorre em células intestinais de determinados insetos, outra transcorre no sistema circulatório de vertebrados.</p>
<p>O <em>mosquito-pólvora</em> suga o sangue e torna-se o hospedeiro intermediário de um protozoário do gênero <em>Leishmania</em>, agente da doença conhecida como <strong>calazar</strong>, causadora de lesões cutâneas, problemas no sistema imunológico e outros.</p>
<div id="attachment_908" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/29.jpg"><img class="size-full wp-image-908" title="29" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/29.jpg?w=460&#038;h=306" alt="" width="460" height="306" /></a><p class="wp-caption-text">Igualmente vilanescos, exemplares do gênero Leishmania.</p></div>
<p>Há quem acredite que a doença crônica que Charles Darwin apresentou depois de sua viagem aos trópicos deve-se a uma infecção pelo brasileiríssimo <em>Trypanossoma cruzi</em>, transmitido pelo percevejo barbeiro e que causa sérios danos se infeccionar o fígado, baço e coração.</p>
<p>A mosca Tsé-tsé, propagadora da doença do sono na África, transporta <em>Trypanossoma brucei , T. rhodesiense</em> e <em>T. b. gambiense</em>. Além de doenças em humanos, essas enfermidades tem importância econômica por atacarem eqüinos, bovinos e ovinos.</p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<p><strong><em>Zooflagelados Multiflagelados</em></strong></p>
<p>A maioria dos zooflagelados remanescentes possuem de quatro a milhares de flagelos, que junto com as organelas relacionadas a eles, formam o <strong>sistema mastigonte</strong>. A maioria vive no trato digestório de insetos como cupins e baratas, e tipicamente não tem mitocôndrias. Em humanos podem causar diarréia e infecções genitais.</p>
<div id="attachment_909" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/30-termite-zoomastigotes_510.jpg"><img class="size-full wp-image-909" title="30 termite-zoomastigotes_510" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/30-termite-zoomastigotes_510.jpg?w=460&#038;h=286" alt="" width="460" height="286" /></a><p class="wp-caption-text">Os belos zoomastigotos.</p></div>
<p>Os hipermastigontes de insetos são altamente complexos. Tem um corpo alongado ou em forma de saco,um <strong>rostro</strong> anterior e uma <strong>tampa</strong>, além de serem quase todos multiflagelados.</p>
<p><em>Trichonympha</em> tem tantos flagelos que uma descrição torna-se extremamente difícil. Já <em>Myxotrincha</em>, habitante do trato digestório de cupins e baratas-de-madeira move-se com a ajuda de bactérias espiroquetas presas em sua superfície. A madeira ingerida pelos insetos é passada aos protozoários, que repassam os produtos de sua digestão ao hospedeiros.</p>
<p><strong> </strong></p>
<div id="attachment_910" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/31-trichonympha.jpg"><img class="size-full wp-image-910" title="31 Trichonympha" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/31-trichonympha.jpg?w=460&#038;h=330" alt="" width="460" height="330" /></a><p class="wp-caption-text">Trichonympha.</p></div>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Reprodução nos flagelados</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>A maioria divide-se por fissão binária longitudinal. A divisão é chamada <strong>simetrogônica</strong>, ou seja, produz células-filhas com imagens refletidas. Nas espécies multiflageladas os flagelos podem ou não serem divididos igualmente, às vezes ocorre divisão dessas estruturas antes da fissão.</p>
<p>Nos dinoflagelados com armadura, esta rompe-se antes da divisão, sendo reconstituída nas células-filhas. Nas colônias esféricas de <em>Volvox</em> as células-filhas formam colônias menores dentro da colônia-mãe, até provocar uma ruptura em sua parede.</p>
<p>A reprodução sexuada é pouco conhecida e em euglenófitas aparentemente não ocorre. Nos dinoflagelados ocorre produção de isogametas, isto é, as células gaméticas não se diferenciam em masculinas e femininas.Contrariamente, em <em>Volvox</em>, ovos e esperma verdadeiros se desenvolvem em células reprodutivas na parede interna da colônia.</p>
<p>Cistos são estágios comuns em fitoflagelaos e dinoflagelados. O protozoário perde o flagelo e torna-se uma esfera flutuante indiferenciada, no interior do cisto pode ocorrer fissão e é nesse estágio, chamado <strong>palmela</strong>, que os dinoflagelados simbiontes habitam o hospedeiro.</p>
<p align="center"><strong>PROTOZOÁRIOS AMEBÓIDES</strong></p>
<p>Inclui espécies em que os adultos possuem extensões móveis do corpo, denominadas <strong>pseudópodos</strong>. Essa estrutura é utilizada para capturar presas e locomoção nas espécies bentônicas. É possível que essa forma reflita uma morfologia ancestral, embora em muitas espécies seja uma característica derivada, como acusam seus gametas flagelados.</p>
<p>Possuem relativamente poucas organelas, estando por isso entre os mais simples, embora suas estruturas esqueléticas impressionem pela complexidade e beleza.</p>
<p>Existem quatro grupos de protozoários amebóides:</p>
<p><strong><em>Amebas</em></strong></p>
<p>Habitam onde quer que exista um pouco de umidade, nuas ou encerradas em cápsulas e testes. A forma, apesar de mutável, é facilmente reconhecível.</p>
<p>Algumas espécies gigantes ultrapassam os milímetros de comprimento, facilmente visíveis a olho nu. O citoplasma se divide em externo, mais claro e duro, e interno, mais escuro e fluido. Os pseudópodos podem ser largos e com pontas arredondadas (<strong>lobópodos</strong>), ou estreitos e algumas vezes ramificados (<strong>filópodos</strong>).</p>
<div id="attachment_911" class="wp-caption aligncenter" style="width: 432px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/32.gif"><img class="size-full wp-image-911" title="32" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/32.gif?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Ameba com teca.</p></div>
<p>Nas espécies com concha, esta é secretada pelo citoplasma, podendo se constituir de sílica ou de vários materias estranhos que vão se prendendo ao material secretado. Podem possuir simetria bilateral ou radial. A ameba se prende à face inferior da concha e emite pseudópodos por uma grande abertura. A maioria com essa morfologia habita água doce, liquens ou mesmo a terra.</p>
<p>Enquanto as espécies marinhas não possuem vacúolos contráteis, os de água doce apresentam de um a vários.</p>
<p><strong>Locomoção nos amebóides</strong></p>
<p>As teorias sobre como esses protozoários se movem falam sobre mudanças entre os estados de sol e gel no citoplasma próximo ao pseudópodo.</p>
<p>Sob estímulo, a parte de gel externa onde se formará o pseudópodo se torna fluida, provocando extravasamento do citoplasma interno. Para evitar rompimento, ao redor do pseudópodo o endoplasma se converte em ectoplasma através da polimerização da actina, que forma uma malha.</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/331.jpg"><img title="33" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/331.jpg?w=460&#038;h=296" alt="" width="460" height="296" /></a></p>
<p>Ao que tudo indica a conjugação da actina despolimerizada no início do processo, com a miosia, cria uma rede contrátil que puxa o endoplasma para fora, ajudando a formar o pseudópodo.</p>
<p>Nos filópodos e reticulópodos pouco se conhece do movimento citoplasmático a não ser que ele sobe por um lado da projeção e desce pelo outro.</p>
<p>Foraminíferos rastejantes projetam reticulópodos para dentro da areia e depois o protraem, puxando o corpo com isso, num processo que parece envolver o encurtamento dos <strong>microtúbulos axiais</strong>.</p>
<p>Heliozoários e radiolários aumentam ou diminuem a vacuolização da calima para moverem-se verticalmente na coluna d’água.</p>
<p>NUTRIÇÃO NOS AMEBÓIDES</p>
<p>São completamente heterotróficos, alimentando-se de algas, diatomáceas, outros protozoários ou pequenas larvas de animais multicelulares.</p>
<p>O pseudópodo possui uma substância adesiva que ajuda na imobilização da presa, enquanto os axópodos e reticulópodos constituem armadilhas insuspeitas. A substância externa dos pseudópodos possuem lisossomos descarregados que já começam a digestão no momento da captura. Esse mesmo mecanismo nos axópodos e filópodos fazem com que eles se tornem mais importantes como estruturas de captura que de flotação. São capazes de capturar até mesmo pequenos crustáceos.</p>
<p>Em todos os grupos as partículas são fechadas em um vacúolo e puxadas para dentro do corpo. Os bastões axiais podem contrair-se nos heliozoários ou os axópodos podem liquefazerem-se e circundar o alimento. A digestão ocorre no córtex dos heliozoários e na calima dos radiolários.</p>
<p>Algumas amebas nuas são parasitas de anelídeos, insetos e vertebrados, (como mostra claramente dois episódios de Dr. House (EUFORIA, partes I e II), onde um paciente foi infectado por amebas hospedeiras de pombos).</p>
<p>Humanos também servem como hospedeiros, porém apenas uma espécie, a <em>Entamoeba histolytica</em> causa a desinteria amebiana. O ciclo de vida é direto, a infestação ocorre por contato com cistos liberados com as fezes.</p>
<div id="attachment_922" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/41-entamoeba-histolytica-troph-1.jpg"><img class="size-full wp-image-922" title="41 Entamoeba histolytica troph 1" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/41-entamoeba-histolytica-troph-1.jpg?w=460&#038;h=368" alt="" width="460" height="368" /></a><p class="wp-caption-text">Entamoeba histolytica, causadora da diarréia.</p></div>
<p><strong>Reprodução dos amebóides</strong></p>
<p>A reprodução assexuada se dá por fissão binária na maioria das espécies. Aquelas que portam conchas duras sofrem uma divisão da carapaça antes da divisão. Nos radiolários a concha pode se dividir ou então uma das células filhas sai nua e secreta uma nova para si.</p>
<p>A reprodução sexuada é pouco conhecida, mas sabe-se que alguns heliozoários a praticam. Estágios flagelados também foram observados, bem como ciclos de vida haplodiplobiontes.</p>
<p><strong>Foraminíferos</strong></p>
<p>Primariamente marinhos, as espécies desse grupo possuem pseudópodos estendidos numa malha que percorre a célula em zigue-zague (reticulópodos). Cada reticulópodo apresenta uma série de microtúbulos utizilados para transportar vesículas. A concha, similarmente aos dos protozoários amebóides, pode ser de material orgânico secretado, carbonato de cálcio ou partículas estranhas.</p>
<div id="attachment_913" class="wp-caption aligncenter" style="width: 230px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/34-220px-haeckel_thalamphora.jpg"><img class="size-full wp-image-913" title="34 220px-Haeckel_Thalamphora" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/34-220px-haeckel_thalamphora.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Pequena amostra da variedade luxuriante dos foraminíferos.</p></div>
<p>As conchas mais bem preservadas no registro fóssil são as de cálcio, e as registro fóssil aponta hoje algo em torno de 28.000 e 35.000 espécies descritas.</p>
<p>Algumas conchas possuem uma câmara única, mas a maioria é multicameral, construídas progressivamente enquanto o animal cresce, num padrão simétrico, algumas se tornando perfeitamente visíveis a olho nu. Na Austrália, as conchas foraminíferas chamadas <em>moedas-de-sereia</em> alcançam um centímetro de comprimento.</p>
<div id="attachment_914" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/35.jpg"><img class="size-full wp-image-914" title="35" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/35.jpg?w=460&#038;h=304" alt="" width="460" height="304" /></a><p class="wp-caption-text">As moedas-de-sereia australianas, os maiores foraminíferos que se tem notícia.</p></div>
<p>Podem ser bentônicos ou planctônicos, esses últimos apresentam conchas mais delicadas e com espinhos muito longos. As espécies sésseis comumente apresentam carapaças, que também podem alcançar alguns milímetros de diâmetro. A coloração rósea das praias das Bermudas se deve a testes vazios de <em>Homotrema rubrum.</em></p>
<div id="attachment_916" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/36.jpg"><img class="size-full wp-image-916" title="36" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/36.jpg?w=460&#038;h=345" alt="" width="460" height="345" /></a><p class="wp-caption-text">Um dia eu quero constatar essa razão pessoalmente.</p></div>
<p><strong><em>Heliozoários</em></strong></p>
<p>Podem viver no mar ou em água doce parada, serem flutuantes ou, mais comumente, sésseis. Os pseudópodos finos e em forma de agulha recebem o nome de <strong>axópodos</strong>. Cada uma dessas incríveis estruturas porta um bastão axial central recoberto por citoplasma móvel, alguns possuem ainda filópodos finos que vão além dessas estruturas.</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/37.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-917" title="37" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/37.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p>O corpo é dividido em uma parte externa, o <strong>córtex</strong>, e uma interna, a <strong>medula</strong>. A medula é composta por um endoplasma denso, contendo as bases dos axópodos e de um a vários núcleos.</p>
<p>Os de água doce tem vacúolos contráteis; algumas espécies albergam algas simbiontes.</p>
<p><strong><em>Radiolários</em></strong></p>
<p>Relativamente grandes, inteiramente marinhos e primariamente planctônicos. Algumas espécies tem vários milímetros de comprimento, enquanto algumas colônias chegam a vinte centímetros.</p>
<p>Como nos heliozoários, o corpo é geralmente esférico e dividido em partes externa e interna. A parte interna pode conter vários núcleos e é dividida por uma parede membranosa, característica marcante do grupo.</p>
<div id="attachment_918" class="wp-caption aligncenter" style="width: 230px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/38-220px-radiolaria.jpg"><img class="size-full wp-image-918" title="38 220px-Radiolaria" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/38-220px-radiolaria.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Radiolários, provocando também o gosto estético dos ilustradores.</p></div>
<p>A membrana externa possui furos para que o citoplasma internamente dividido se comunique.  Externamente ele recebe o nome de <strong>calima</strong> e pode conter organismos fotossintéticos simbiontes.</p>
<div id="attachment_919" class="wp-caption aligncenter" style="width: 230px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/39-220px-haeckel_stephoidea.jpg"><img class="size-full wp-image-919" title="39 220px-Haeckel_Stephoidea" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/39-220px-haeckel_stephoidea.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Stephoidea.</p></div>
<p>Como os heliozoários, possuem também axópodos e filópodos. O esqueleto é silicoso na maioria das vezes, mas na classe <em>Acantharea</em> constitui-se de sulfato de estrôncio.  Organiza-se em vários arranjos, que lembram agulhas, farpas ou espinhos.</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/40-acanthskel_dcw.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-920" title="40 acanthskel_dcw" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/40-acanthskel_dcw.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p>Esse grupo exibe estratificação vertical na coluna d’água, que vai do plâncton superficial até profundidades de 5.000 metros. São tão numerosos que suas conchas estão entre os principais constituintes do leito oceânico. Onde a concentração atinge mais de 30% do sedimento, este recebe o nome de <strong>lodo foraminífero</strong> ou <strong>radiolário</strong>.</p>
<p>Alem de4.000 metros, a pressão esmaga as conchas.</p>
<p>Enquanto os protozoários amebóides com conchas estão entre os mais comuns no registro fóssil, radiolários e foraminíferos estão entre os mais antigos, presentes em grandes quantidades desde o Cambriano.</p>
<p>Essas criaturas minúsculas contribuíram para a formação dos grandes depósitos e giz e calcário do mundo, minerais presentes tanto no giz escolar quanto nas pirâmides do Egito.</p>
<p>Além de importantes indicadores para a indústria petroleira, os fósseis ajudam os cientistas na reprodução do passado climatológico da Terra. Por exemplo, descobriu-se que as conchas se espiralam nos sentidos horário e anti-horário dependendo da temperatura média, enquanto os isótopos de oxigênio dão informações quanto às eras glaciais.</p>
<p align="center"><strong>PROTOZOÁRIOS FORMADORES DE ESPOROS</strong></p>
<p>São cerca de 4.000 espécies de protozoários sem cílios, flagelos ou pseudópodos, que passam a maior parte da vida entre ou dentro das células de seus hospedeiros. A maioria está nos filos Sporozoa (ou Apicomplexa). A última denominação se deve às organelas filamentosas existentes na região apical e de função indeterminada, mas que aparentemente facilita a entrada na célula hospedeira. Um ou mais poros para a alimentação abrem-se na lateral do corpo.</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/42-estrutura-apicomplexa-esporozoario.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-923" title="42 estrutura-apicomplexa-esporozoario" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/42-estrutura-apicomplexa-esporozoario.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p>O ciclo é haplodiplobionte. Um estágio de esporo infectante, o<strong> esporozoíto</strong>, resulta da meiose do zigoto, e fissões múltiplas produzem mais esporozoítos, potencializando a chances de infecção. Após invadir o hospedeiro essa forma transforma-se num <strong>trofozoíto</strong>, que começa a se alimentar.</p>
<p>Em alguns esporozoários os trofozoítos sofrem uma fissão múltipla e se tornam merozoítos, cada um podendo seguir ciclos adicionais de esquizogonia.</p>
<p>Finalmente o trofozoíto divide-se por fissão múltipla (<strong>gametogonia</strong>) para formar gametas. Eles se fundem num zigoto que por sua vez sofre meiose para formar esporozoítos.</p>
<p>Confuso não? Mas o ciclo pode ser ilustrado pelos coccídeos, que incluem os parasitas causadores da malária.</p>
<p>Calcula-se que mais de 300.000.000 de seres humanos sejam infectados a cada ano, sendo que 1% não sobrevive e os que não recebem tratamento adequado ficam debilitados. O nome significa “mau ar”, pois os antigos acreditavam que era causado pelo ar pútrido dos pântanos, até que em 1880 Louis Laveram viu um <em>Plasmodium</em> num paciente com malária na África do Norte e sete anos depois Ronald Ross, um médico britânico na Índia determinou que o mosquito era o vetor.</p>
<p>Quatro espécies de <em>Plasmodium</em> infectam humanos. Do trato digestório do inseto ele cai nos capilares cutâneos e daí para a corrente sanguínea até o fígado, onde invade uma célula. O esporozoíto se transforma em trofozóito. Ocorre fissão múltipla (esquizogonia) e as células-filhas merozoítos invadem as células hepáticas vizinhas e continuam a multiplicar-se por esquizogonia. Após uma semana, esses morozoítos deixam as células hepáticas e invadem as hemáceas, onde sofrem mais fissões múltiplas e invadem outras hemácias. Os eventos de expulsão e reinvasão não ocorrem continuamente mas em pulsos. A liberação periódica dos merozoítos e seus metabólicos na corrente sanguínea causa calafrios e febre – sintomas típicos de malária.</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/43.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-924" title="malaria.indd" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/43.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p>Finalmente alguns parasitos dentro das hemácias não sofrem fissão, mas se transformam em <strong>gametócitos</strong>. Se alguma dessas células for ingerida por um mosquito, o gametócioto é liberado em seu intestino. Após um certo desenvolvimento, um gametócito masculino funde-se com um feminino e forma um <strong>zigoto</strong>. Este penetra na parede gástrica e dá origem a um grande número de esporos (esporozoítos). São estes que migram para a glândula salivar do mosquito e se tornam os novos agentes patógenos em humanos.</p>
<p>Para os mais interessados, não é difícil encontrar vídeos interessantes dos protozoários invadindo e destruindo hemácias.</p>
<p>O estágio assexuado dos outros coccídeos ocorrem em células sanguíneas ou intestinais de vários animais, inclusive domésticos como galinhas, perus, suínos, ovinos e bovinos.</p>
<p>Alguns parasitos de insetos atingem 10mm de comprimento, com ventosas e ganchos para fixação no interior das células do hospedeiro. Dependendo da espécie, os esporozoítos de gregarina permanecem no intestino ou invadem outros sistemas do corpo.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Filo Ciliophora</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Com 7.200 espécies, é o maior e mais homogêneo grupo de protozoários, todos com um ancestral comum. Vivem onde quer que exista água, mesmo que seja apenas uma poça. Um terço são comensais ou parasitas. Todos possuem cílios ou organelas locomotoras em alguma parte do ciclo de vida, bem como um sistema <strong>infraciliar</strong> abaixo da membrana, cinetossomos, associados a fibrilas que correm em várias direções. A maioria possui uma boca ciliar ou citóstomo.</p>
<div id="attachment_925" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/44.jpg"><img class="size-full wp-image-925" title="44" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/44.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Parece um casulo de inseto, mas o Chiliophora aí da foto é milhões de vezes menor.</p></div>
<p>Ao contrário dos outros protozoários, os ciliados possuem dois núcleos, um vegetativo (<strong>macronúcleo</strong>, com síntese de DNA e RNA) e outro reprodutivo (<strong>micronúcleo</strong>, relacionado com a síntese do DNA). A fissão é transversal, e a reprodução sexuada nunca envolve gametas livres.</p>
<p>ESTRUTURA</p>
<p>Radialmente simétricos com boca anterior. A maioria é de vida livre, mas há os seres sésseis e os coloniais. Alguns secretam um “cimento” que cola partículas estranhas ao redor do corpo numa estrutura chamada <strong>lorica</strong>. Geralmente existe uma película complexa recobrindo o corpo, com várias organelas, estudadas em mais detalhes em<em> Paramecium</em>. Abaixo da membrana externa existe outra, cheia de alvéolos achatados, abaixo dos quais está o sistema infraciliar. Os alvéolos dão estabilidade e contribuem para a permeabilidade da membrana.</p>
<div id="attachment_926" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/45-parameciumdrop9_300.jpg"><img class="size-full wp-image-926" title="45 parameciumdrop9_300" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/45-parameciumdrop9_300.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Mais Paramécios.</p></div>
<p>Alternando-se entre os alvéolos estão as organelas em forma de garra, <strong>tricocistos</strong>, que possuem a forma de bastão e podem ser descarregados num filamento, constituindo boa defesa contra predadores.</p>
<p>Já os <strong>toxicistos</strong>, encontrados em alguns ciliares, descarregam-se em forma de ziguezague e geralmente encontram-se na parto do corpo que entra em contato com a presa.</p>
<div id="attachment_927" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/46.jpg"><img class="size-full wp-image-927" title="46" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/46.jpg?w=460&#038;h=257" alt="" width="460" height="257" /></a><p class="wp-caption-text">Complexa estrutura da membrana. Ilustração do Barnes.</p></div>
<p>Os<strong> mucocistos</strong>, por sua vez, descarregam uma substância protetora que pode ajudar na formação de cistos ou na cobertura defensiva.</p>
<p>A ciliatura pode ser dividida em corporal (ou somática) e oral. A distribuição dos cílios varia, mas em geral seguem linhas longitudinais.</p>
<p>Os <strong>cinetossosmos</strong> (corpo basal de onde surge o cílio) conectam-se através de fibras estradas, os cinetodesmos. Os cílios, cinetossomos e cinetodesmos foram uma <strong>cinese</strong>.</p>
<p>LOCOMOÇÃO DOS CILIADOS</p>
<p>São os que se movem mais rápido, com as forças hidrodinâmicas impondo uma coordenação dos cílios. Não há evidências de que a infraciliatura tenha papel na coordenação, estando provavelmente mais relacionada à ancoragem e manutenção da forma celular.</p>
<p>Em <em>Paramecium</em>, a direção do batimento ciliar é oblíqua ao eixo longitudinal, o que produz um movimento espiralado. Nesse caso o movimento pode ser revertido, num comportamento de <strong>evitação</strong>. Cílios longos e rígidos, quando em contato com obstáculos, modificam mecanicamente a membrana celular, dando o estímulo de aviso.</p>
<p>Os hipotríquios altamente especializados possuem cílios enormemente modificados. O corpo modificou-se em superfícies dorsal e ventral, e os cílios desapareceram em grande parte, concentrando-se em tufos (cirros).</p>
<p>Algumas espécies sésseis podem sofrer contrações como <em>Vorticella</em>. Nesse gênero, o encurtamento se dá por uma longa haste delgada que contém uma fibra única, enrolada em espiral. Não é composta pelas familiares miosina e actina, mas por outra proteína chamada <strong>espamina</strong>, que requer ATP para extensão.</p>
<p>Novamente, diversos vídeos desses pequenos seres podem ser facilmente encontrados, o próprio youtube contém farto material.</p>
<p>NUTRIÇÃO</p>
<p>A boca, ou citóstomo, abre-se para um canal chamado atofaringe, geralmente situado na parte anterior do corpo. A parede da citofaringe é revestida com bastões microtubulares (nematodesmos) arranjados como ripas de barril, ajudando no transporte de alimento.</p>
<p>Entre o citóstomo e a citofaringe pode ocorrer uma câmara pré-oral ou vestíbulo, cuja forma varia de uma leve depressão até um funil profundo, revestido internamente com cílios somáticos simples.</p>
<p>Em outros ciliados essa câmara é uma cavidade bucal, que difere do vestíbulo por conter organelas ciliares, que poder ser de dois tipos:</p>
<p>Uma <strong>membrana ondulatória</strong> com cílios aderentes formando uma lâmina</p>
<p>Uma <strong>membranela</strong>, derivada de fileiras curtas de cílios dispostos de forma triabgular ou de leque.</p>
<p>O termo <strong>peristômio</strong> é sinônimo de <strong>cavidade bucal</strong>.</p>
<p>Os ciliados livre-natantes tem uma dieta variada, obtida principalmente por interceptação direta: rotíferos, gastróticos, protozoários, etc.</p>
<p>Alguns são filtradores, outros se alimentam de algas. Essa variedade alimentar produz teias alimentares e relacionamentos energéticos complexos, semelhantes aos dos animais multicelulares.</p>
<p><em>Didinium</em>, pequeno ciliado em forma de barril, predador de outros ciliados, é muito estudado. Ele descarrega toxistos na vítima (em geral <em>Paramecium</em>) e se prende a ela pela projeção do aparelho bucal, que fica tão largo quando o corpo.</p>
<div id="attachment_928" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/47-didinium_attacking_paramecium-spl.jpg"><img class="size-full wp-image-928" title="47 Didinium_attacking_Paramecium-SPL" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/47-didinium_attacking_paramecium-spl.jpg?w=460&#038;h=373" alt="" width="460" height="373" /></a><p class="wp-caption-text">O voraz Didinium (em tons de palha) ataca um inofensivo Paramecium.</p></div>
<p>A subclasse Suctoria, séssil, apresenta tentáculos arredondados ou afiados nas pontas, e revestidas de haptocistos, organelas disparadoras que penetram e seguram o corpo da vítima; o conteúdo é sugado pelo tentáculo até o vacúolo alimentar dentro do predador, através de microtúbulos.</p>
<div id="attachment_929" class="wp-caption aligncenter" style="width: 366px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/48-2.jpg"><img class="size-full wp-image-929" title="48.2" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/48-2.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Suctoria.</p></div>
<p>A cavidade bucal é característica dos filtradores. O alimento é levado até essa estrutura pelas organelas ciliares compostas e dali para a citogaringe, passando pelo citóstomo até o interior de um vacúolo alimentar em formação.</p>
<p>No <em>Paramecium</em>, gênero mais popular (como mesmo o leitor mais desatento deve ter notado), um sulco na membrana externa leva até um vestíbulo que, juntamente com a cavidade bucal e a citofaringe formam um funil grande e curvo. A membrana ondulatória marca a junção entre o vestíbulo e a cavidade oral. As três membranelas também são modificadas, duas delas grandemente aumentadas.</p>
<p>Os cílios do sulco oral varrem partículas para dentro da cavidade bucal, onde continuam sendo levadas para o interior do vacúolo pelas ciliaturas internas.</p>
<p>Na subclasse Peritricha, as organelas bucais se tornam altamente desenvolvidas, enquanto os Spirotricha aumentaram o número de organelas em virtude de uma alimentação filtradora.</p>
<div id="attachment_931" class="wp-caption aligncenter" style="width: 277px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/49-stemonitopsis_peritrichai_uark1783.jpg"><img class="size-full wp-image-931" title="49 Stemonitopsis_peritricha,I_UARK1783" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/49-stemonitopsis_peritrichai_uark1783.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Parecem árvores européias, mas são organelas bucais.</p></div>
<p>Em todos os ciliados, os vacúolos se soltam da citofaringe após alcançar certo tamanho e iniciam um movimento mais ou menos circulatório no endoplasma. Vesículas ácidas e lisossomos se juntam ao alimento, fazendo despencar o pH e também a eficiência enzimática. Por razões desconhecidas o pH sobe e a digestão ocorre num nível entre 4,5 e 5,0.</p>
<p>Após a digestão, o vacúolo se dirige a uma abertura fixa, o citoprocto, e expele seu conteúdo. A membrana vacuolar é reciclada e volta ao citóstomo na forma de pequenas vasículas.</p>
<p>Cerca de 15% são parasitas, onde os hospedeiros são peixes, mamíferos, invertebrados e até outros ciliados. Há também endo e ectocomensais de hidras, girinos, planárias, esponjas e outros animais, enquanto a maior parte dos endocomensais habitam insetos e vertebrados. O <em>Balantidium coli</em> habita suínos e são eliminados com as fezes, podendo vir a infectar humanos onde, junto com bactérias, provoca buracos na mucosa intestinal.</p>
<p>Alguns ciliados mantém relacionamentos simbióticos com algas que retém cloroplastos provenientes de suas algas-presas.</p>
<p>EQUILÍBRIO HÍDRICO</p>
<p>Os vacúolos contráteis são encontrados tanto nas espécies marinhas quanto nas de água doce, mas nessas últimas descarregam mais rapidamente.</p>
<p>No <em>Paramecium</em> há um vacúolo em cada extremidade. Geralmente essas estruturas associam-se à parte mais interna do endoplasma e comunica-se com o exterior com um ou mais poros permanentes.</p>
<p>REPRODUÇÃO</p>
<p>Os ciliados diferem-se por possuírem dois tipos de núcleo – macronúcleo e micronúcleo.</p>
<p>O micronúcleo é pequeno, arredondado, diplóide e com uma pequena quantidade de RNA. Ele é responsável pela troca genética, reorganização nuclear e também dá origem ao macronúcleo. Este é também chamado núcleo vegetativo pois não é essencial à reprodução sexuada. Ele controla o metabolismo, a mitose, a diferenciação celular e o fenótipo através de síntese protéica. O DNA é milhares de vezes maior que o do micronúcleo e está organizado em pacotes do tamanho de genes. É lá também que se localizam os nucléolos, com síntese de RNA ribossômico.</p>
<p>A amplificação dos genes provavelmente é reflexo das necessidadeS energéticas de muitas organelas dos ciliados.</p>
<p>No <em>Paramecium</em> o macronúcleo é oval, enquanto no <em>Stentor</em> ou no <em>Spirostomun</em> tem a forma de ferradura. Essas formas variadas podem ser estratégias para diminuir a distância entre as partes mais internas do macronúcleo e o citoplasma.</p>
<p>REPRODUÇÃO ASSEXUADA</p>
<p>Fissão binária transversal, com o plano de divisão passando entre as cineses – fileiras de cílios – ao contrário da divisão longitudinal dos flagelados que corta entre os corpos basais.</p>
<p>Os fusos mitóticos ocorrem nos micronúcleos, enquanto os macronúcleos simplesmente sofrem uma constrição. Quando vários macronúcleos se encontram presentes, eles podem se unir num só corpo e então dividirem-se.</p>
<p>Ao contrário do que ocorre nas células animais, os centríolos não se encontram no fuso mitótico do micronúcleo, porque os cílios e corpos basais já foram replicados no córtex da célula e são agora divididos.</p>
<p>REPRODUÇÃO SEXUADA</p>
<p>A conjugação geralmente precede uma série de divisões transversais.</p>
<p>Dois membros podem ser atraídos através de substâncias dissolvidas e unirem-se pela região oral do corpo. Há uma degradação dos tricocistos e dos cílios (mas não dos cinetossomos) na região do contato.</p>
<p>Os ciliados são chamados conjugantes e permanecem assim por algumas horas. Enquanto os micronúcleos trocam material, os macronúcleos descondensam-se e desaparecem.</p>
<p>Como se sabe, imagens de sexo é o que não falta na internet:</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/50-paramecium-1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-932" title="Protozoan sexual reproduction, SEM" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/50-paramecium-1.jpg?w=460&#038;h=343" alt="" width="460" height="343" /></a></p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/51-conjugating.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-933" title="51 conjugating" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/51-conjugating.jpg?w=460&#038;h=345" alt="" width="460" height="345" /></a></p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/53.gif"><img class="aligncenter size-full wp-image-934" title="53" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/53.gif?w=460" alt=""   /></a></p>
<p>Após duas divisões meióticas dos micronúcleos, todos desaparecem menos um. O que sobra divide-se, formando dois micronúcleos gaméticos idênticos. Um permanece estacionário, e o outro migra para o outro ciliado, onde se funde com o micronúcleo estacionário e forma o zigoto ou <strong>sincaronte</strong>. Os conjugantes se separam e ocorre em cada um deles um número variável de divisões nucleares que levam à condição nuclear primária de cada espécie.</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/56-reproducao-sexuada-ciliados.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-936" title="56 reproducao-sexuada-ciliados" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/56-reproducao-sexuada-ciliados.jpg?w=460&#038;h=156" alt="" width="460" height="156" /></a></p>
<p>Por exemplo, onde antes havia apenas um micronúcleo e um macronúcleo, o sincaronte divide-se uma vez, cada núcleo formando um tipo. Nas espécies em que há inúmeros núcleos de ambos os tipos, o sincaronte divide-se um número suficiente de vezes para reproduzir o número exigido de macro e micronúcleos.</p>
<p>Ocorrem diferenças de tamanho entre as gerações sexuadas e assexuadas, ou mesmo entre os conjugantes, como é o caso de <em>Vorticella</em>. Nesse caso a diferenciação reflete adaptações à vida séssil.</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/57.gif"><img class="aligncenter size-full wp-image-937" title="57" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2012/01/57.gif?w=460&#038;h=467" alt="" width="460" height="467" /></a></p>
<p>O macroconjugante permanece séssil enquanto o microconjugante solta-se e se adere a ele. Um sincaronte forma-se apenas no macroconjugante formado a partir de um núcleo gamético cedido por cada conjungante.</p>
<p>Após a conjugação o microconjugante degenera.</p>
<p>A freqüência desse tipo de reprodução varia muito dentro das famílias, de quase nunca a quase sempre. Fatores como temperatura, luz e alimento influenciam na conjugação. Como ocorre em outras espécies, ela parece funcionar como um rejuvenescimento após determinado número de fissões binárias. Em <em>Paramecium</em> o número máximo de fissões é de 350.</p>
<p>A <strong>autogamia</strong> é um tipo de comportamento nuclear idêntico ao da cojugação, mas não ocorre troca de material genético com um conjugante, embora pareça exercer o mesmo efeito.</p>
<p>A maioria dos ciliados é capaz de formar cistos em condições extremas, exceto<em> Paramecium</em> e outras poucas espécies.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Referências Bibliográficas: <em>Zoologia dos Invertebrados</em>, de Robert D. Barnes, Richard S. Fox &amp; Edward E. Ruppert. 6° Edição, São Paulo: Roca, 1996.</p>
<br />Filed under: <a href='http://floreslivroselua.wordpress.com/category/projeto-zoologia/'>PROJETO ZOOLOGIA</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/floreslivroselua.wordpress.com/872/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/floreslivroselua.wordpress.com/872/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/floreslivroselua.wordpress.com/872/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/floreslivroselua.wordpress.com/872/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/floreslivroselua.wordpress.com/872/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/floreslivroselua.wordpress.com/872/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/floreslivroselua.wordpress.com/872/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/floreslivroselua.wordpress.com/872/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/floreslivroselua.wordpress.com/872/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/floreslivroselua.wordpress.com/872/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/floreslivroselua.wordpress.com/872/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/floreslivroselua.wordpress.com/872/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/floreslivroselua.wordpress.com/872/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/floreslivroselua.wordpress.com/872/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=floreslivroselua.wordpress.com&amp;blog=7302497&amp;post=872&amp;subd=floreslivroselua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">04. anemona</media:title>
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			<media:title type="html">05 protozoario foto de Edwin Lee</media:title>
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			<media:title type="html">06 Ilustração Ruppert, Edward E., Fox, Richard S., Barnes, Robert D. Zoologia dos invertebrados uma abordagem funcional-evolutiva. São Paulo. Roca, 2005.</media:title>
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			<media:title type="html">12 ameba em fagocitose</media:title>
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			<media:title type="html">13 volvox</media:title>
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			<media:title type="html">17 reprodução</media:title>
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			<media:title type="html">18 conjugação</media:title>
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			<media:title type="html">21 cisto</media:title>
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			<media:title type="html">47 Didinium_attacking_Paramecium-SPL</media:title>
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		<title>INTRODUÇÃO À ZOOLOGIA</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2012 21:57:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>floreslivroselua</dc:creator>
				<category><![CDATA[PROJETO ZOOLOGIA]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de um Projeto Julie &amp; Julia e um Projeto Ana Maria Braga (!), e outros menos conhecidos, eu, com a coragem que Deus me deu, lanço o PROJETO ZOOLOGIA. Aqui, de frente para o computador nessa manhã de sábado, preparo-me para lançar mais uma categoria no blog. Ao fazer isso firmo uma espécie de pacto com meus visitantes, não sem um certo temor, é verdade, já que a tarefa é esmagadora: discorrer, com riqueza de detalhes, sobre toda a zoologia. Traçaremos uma trajetória que vai desde os protozoários, ainda no reino protista, até os mamíferos, sem porém nos esquecermos que, como vimos em Burgess Shale e a Reforma Darwinista, esse tipo de visão é apenas um dentre muitos outros possíveis, não querendo de modo algum colocarmos alguns filos como melhores em qualquer sentido que outro. Como uma sistemática, de qualquer modo, se torna necessária e escolhemos essa.</p>
<p>Apesar do trabalho monstruoso que tenho pela frente, sei que conseguirei ir até o fim depois que essa introdução estiver publicada afinal, promessa é dívida. Mas haveria motivos ocultos para isso?</p>
<p>Bem, vários. Em primeiro lugar, com toda sinceridade e humildade, é pela paixão que eu nutro pelo conhecimento e, pelo orgulho de saber que, afinal, estou contribuindo para a difusão da ciência. Depois, é uma espécie de homenagem à zoologia, essa matéria que tanto me cativou na faculdade. Se eu dissesse apenas isso, porém, estaria sendo parcial. Faço isso também porque é um meio de difundir meu blog e também porque estou estudando pra uma prova de mestrado no fim do ano e passar tudo pra cá é uma forma maravilhosa de reforçar o que eu aprendi.</p>
<p>Finalmente, tudo o que vocês lerem, ou quase tudo, foi tirado de dois livros excelentes. O primeiro é <em>Zoologia dos Invertebrados</em>, de Robert D. Barnes &amp; Edward E. Ruppert.  Infelizmente usei a sexta edição, embora a mais nova já estivesse presente na biblioteca. O motivo para isso é a presença de introduções em cada capítulo que explicam os “princípios e padrões emergentes”, coisa que foi suprimida na edição posterior. Caso alguém saiba de qualquer novidade quanto ao que foi escrito, por favor avise que será de muita utilidade.</p>
<p>O segundo livro é <em>A Vida dos Vertebrados</em>, de F. Harvey Pough, Christine M. Janis e John B. Heiser; quarta edição, 2008.</p>
<p>Quando o pensamento de fazer isso me veio a cabeça, logo me preocupei com a questão da legalidade do processo, pois sou bem ignorante nessa área. Consultei então um amigo advogado que me explicou que, desde que eu não use transcrições literais como se fossem minhas e forneça a fonte para meus leitores, não há risco de levar um processo por plágio da editora. Então as informações completas dos livros constarão no final de cada postagem. Deixo claro, porém,  que o que vocês irão ler trata-se de um resumo, uma orientação, sendo indispensável, de todo modo, a consulta direta no livro ou outras fontes realmente científicas para um estudo mais aprofundado. Não foi meu objetivo fazer textos que prendam a atenção do leitor do início ao fim, mas sim tentar passar a riqueza animal do nosso planeta e fornecer material para uma pesquisa preliminar por quem quer que se interesse pelo tema.  Além do mais, não estarei preso somente ao livro, usando também (mas em muito menos quantidade) outras fontes, científicas ou não, ou mesmo minhas próprias idéias e experiências. O leitor, porém, não se preocupe, eu sempre avisarei quando o que estiver lendo saiu da minha mente instável ou de outros livros ou sites com menos rigor científico. O importante é que todas as fontes estarão bem explícitas para a segurança do leitor e sua decisão de se põe crédito ao que lê ou não. Quanto as imagens, não são também de <em>Zoologia dos invertebrados</em> (exceto poucas exceções), mas capturadas de forma aleatória na internet, razão pela qual não estarão identificadas quanto a sua origem, a não ser em casos especiais em que eu julgue isso necessário ou interessante.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>01 &#8211; Introdução</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Embora tenhamos a impressão de que os vertebrados são muito numerosos porque convivemos com cães, gatos, aves, peixes ou répteis, de todas as espécies catalogadas atualmente, 95% são de animais invertebrados. Ou seja, você pode esquecer aquele aforismo de que o Cenozóico é a Era dos mamíferos, na verdade são os invertebrados que dominam o planeta Terra. Na verdade, a própria divisão do Reino Animal em vertebrados e invertebrados é artificial, produto do velho desejo humano em atribuir importância à própria espécie. Se tivéssemos olhos protraídos e carregássemos conchas das costas provavelmente classificaríamos o mundo vivo em moluscos e não-moluscos; qualquer outra sistemática do tipo soaria tão artificial quanto a nossa.</p>
<p>Voltando as nossas estatísticas, é importante ressaltar que 85% de todos os animais são artrópodos, sendo que apenas de coleópteros estão classificadas 300.000 espécies. <em>Homo sapiens</em>? Faz-me rir. O mundo pertence aos seres rastejantes, gosmentos, de carapaças duras, que produzem sons capazes de arrepiar a espinha de muita gente. Mas é um mundo maravilhoso se deixarmos de lado nossos preconceitos e olharmos atentamente as mais extraordinárias formas de vida que pululam no jardim de nossa casa. Estudando-os, percebemos a artificialidade de nossas classificações ao ver a morfologia, às diferenças estruturais e de adaptação, além das origens filogenéticas. Os seres não obedecem a padrões certinhos como querem nossos cladogramas ou nossa necessidade inata por padrões simetria. Porém, é óbvio que torna-se necessário uma sistemática para que nossa compreensão do mundo vivo seja possível, e Barnes &amp; Ruppert adotaram à que eu passo à vocês nesse blog, deixando claro que ela não reflete uma verdade absoluta entre os especialistas, se é que existe algo do gênero no mundo real. Portanto, é possível alterar a sequência de alguns filos sem prejuízo para a compreensão ou para a zoologia, discussões ainda ocorrem em todo canto do mundo, muitas delas poderemos ter contato aqui.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Principais Ambientes Aquáticos</strong></p>
<p><strong>Marinho</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Hoje acredita-se que, bem antes do primeiro registro fóssil, nos mares primitivos do Arqueozóico, o primeiro ser vivo tenha surgido. Em consequência dessa origem, praticamente todos os filos de invertebrados possuem representantes marinhos e alguns estão vivendo totalmente nesse ambiente.</p>
<p>Embora a salinidade apresente uma uniformidade nos oceanos, algo em torno de3,4 a3,6% dependendo da latitude, existe uma diferença enorme quanto à luz e temperatura, o que promove um arranjo irregular dos seres vivos.</p>
<p>Nas margens continentais estendem-se as <strong>plataformas</strong>, cuja largura pode variar muito e que descem a uma profundidade de 150 a 200 metros para dentro do mar, até despencarem num <strong>declive continental</strong> até profundidades que variam de3.000 a5.000 metros.</p>
<p>Sobre essas plataformas dizemos que existe a <strong>zona nerítica</strong>, enquanto em mar aberto temos a <strong>zona oceânica</strong>. A região onde se formam as ondas é chamada <strong>zona</strong> <strong>intertidal</strong>.  Mais acima, na praia, temos a <strong>zona supratidal</strong>, enquanto mais abaixo, logo além de onde as ondas se formam temos a <strong>zona subtidal</strong>. Os declives da plataforma formam a <strong>zona batial</strong> e as grandes planícies abissais, mais famosas, recebem o nome de <strong>zona abissal</strong>.</p>
<p>Assim, temos uma classificação do ambiente marinho horizontal, mas veremos que os animais variam enormemente na coluna d’água, ou seja, verticalmente, uma distribuiçãi influenciada principalmente pela quantidade de luz. O sol lança seus raios por até 200 metrospara dentro dos oceanos, dependendo da turbidez da água em casa lugar. Um ser humano a essa profundidade, porém, dificilmente enxergaria alguma coisa. Essa <strong>zona fótica</strong> é suficiente para que os processos fotossintéticos ainda sejam realizados. Logo abaixo, porém, na <strong>zona afótica</strong>, a escuridão impera e os seres autótrofos desaparecem, dando lugar aos carnívoros predadores ou consumidores de detritos que descem da superfície.</p>
<p>Os animais se dividem basicamente em <strong>pelágicos</strong> (que nadam) e <strong>bentônicos</strong> (ficam fixos no fundo). Muitas espécies pequenas, conhecidas como <strong>fauna intersticial</strong>, se especializaram em viver entre os grãos de areia, tanto no fundo dos oceanos quanto nas praias. Obviamente a facilidade do estudo em regiões rasas nos fez conhecer um número maior de espécies dessas regiões, mas certamente ainda existe uma quantidade imensa de seres vivos desconhecidos aos seres humanos.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Água Doce e Estuário</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os lagos também são divididos em zonas horizontais e verticais, porém o tamanho reduzido os torna ecologicamente muito diferentes dos oceanos.</p>
<p>Enquanto nos mares a água fica mais densa com a diminuição da temperatura, a água doce alcança sua maior densidade aos 4ºC. Isso faz com que nos meses quentes a água fria permaneça no fundo, enquanto a superfície permanece quente. A água do fundo é estagnada e sem oxigênio, comportando uma variedade e quantidade limitada de organismos.</p>
<p>Nas regiões tropicais ocorre um fluxo anual de água ou essas são totalmente estagnadas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A junção dos rios com os oceanos não ocorre de modo abrupto mas gradual, formando um estuário conhecido como <strong>estuário</strong>. É afetado por ondas (de onde se origina o nome <em>aestus</em>, onda) e, claro, pela salinidade do mar, ainda que a concentração seja consideravelmente menor. A maioria dos animais marinhos não sobrevive, tampouco os de água doce. Previsivelmente, ocorre uma restrição e uma especiação nessa área de transição.</p>
<p>Nas regiões tropicais temos ainda os mangues, constituído de árvores que se adaptaram a viver em regiões constantemente alagadas e salinas. Desenvolveram raízes especiais (pneumatóforos) que se projetam acima da linha d’água. Do mesmo modo, a diversidade animal pode ser grande.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Plâncton, Produção Primária e Cadeias Alimentares</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Plantas e animais microscópicos, tanto nos oceanos quando em água doce, formam o plâncton. O fitoplâncton é formado por diatomáceas e outras algas, enquanto o zooplâncton constituí-se de um enorme número de animais.</p>
<p>Enquanto estudava no Barnes, lembrava-me de um dos mais empolgantes traillers de ficção-científica que já li, a história apocalíptica O Cardume (também publicado com o nome O Quinto Dia), do escritor alemão Frank Schätzing:</p>
<p>“Na realidade, não eram os tubarões, baleias e polvos gigantes que dominavam o mar, mas multidões de minúsculos seres microscópicos. Em um litro de água superficial, dezenas de bilhões de vírus se moviam numa grande confusão, um bilhão de bactérias, cinco milhões de animais unicelulares e uma milhão de algas. Até mesmo amostras de água de profundidades além de seis mil metros, escuras e inóspitas, ainda apresentavam milhões de vírus e bactérias. Não havia a menor possibilidade de controlar esse caos. Quanto mais as pesquisas avançavam no cosmo do minúsculo, mais confuso ele se tornava. Água do mar? O que seria isso? Um olhar mais atento através do microscópio de fluorescência faria concluir que se trataria de uma espécie de gel ralo. Uma rede de macromoléculas atravessava cada gota como pontes pênseis. Inúmeras bactérias encontravam seu nicho ecológico entre feixes de fios, pelezinha e filmes transparentes. Bastava um mililitro para medir dois quilômetros de moléculas de DNA estendidas,310 quilômetrosde proteínas e5.600 quilômetrosde polissacarídeos.” (O CARDUME, p. 664)</p>
<p>O plâncton de água doce é mais limitado em número de espécies, o marinho alcança maior densidade onde existe mais luz e incidência de nutrientes, tendo importância primária na cadeia alimentar. Os nutrientes inorgânicos são mais abundantes nas regiões rasas, onde ocorre uma mistura maior da água com o sedimento.</p>
<p>O plâncton é amarelo, mas essa cor se mistura ao azul da água e transforma-se em verde ou cinza, por isso águas ricas em plâncton apresentam essas cores. Contrariamente, as de baixa produção são límpidas e azuis, pois a luz penetra com facilidade até as camadas mais profundas &#8211; para felicidade dos mergulhadores profissionais ou amadores.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Lindando Com a Diversidade</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Como eu expressei meus sentimentos diante dos planos em colocar toda a zoologia no blog, Barnes comenta rapidamente que para o estudante que almeja estudar os invertebrados pela primeira vez, pode se sentir diante de uma tarefa esmagadora.</p>
<p>Cada grupo tem projetos estruturais próprios, podendo ser encontrados cerca de 30 designes básicos entre os animais multicelulares.</p>
<p>Uma maneira de facilitar nossa compreensão é através dos <em>“princípios e padrões emergentes”, </em>caracteres evolutivos de adaptação que unem grandes filos e tornam nossa compreensão mais fácil quando estudados separadamente, como faremos no início de cada capítulo.</p>
<p>Alguns desses princípios são primários, ou seja, seriam encontrados no ancestral comum e repassados a todos os indivíduos presentes no grupo estudado. Outros podem ser secundários ou convergentes, ou seja, surgiram por evolução convergente. O importante é que perceber esses padrões vai nos dar uma compreensão evolutiva dos meandros que a vida utilizou para adaptar cada organismo ao seu meio.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<br />Filed under: <a href='http://floreslivroselua.wordpress.com/category/projeto-zoologia/'>PROJETO ZOOLOGIA</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/floreslivroselua.wordpress.com/870/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/floreslivroselua.wordpress.com/870/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/floreslivroselua.wordpress.com/870/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/floreslivroselua.wordpress.com/870/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/floreslivroselua.wordpress.com/870/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/floreslivroselua.wordpress.com/870/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/floreslivroselua.wordpress.com/870/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/floreslivroselua.wordpress.com/870/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/floreslivroselua.wordpress.com/870/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/floreslivroselua.wordpress.com/870/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/floreslivroselua.wordpress.com/870/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/floreslivroselua.wordpress.com/870/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/floreslivroselua.wordpress.com/870/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/floreslivroselua.wordpress.com/870/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=floreslivroselua.wordpress.com&amp;blog=7302497&amp;post=870&amp;subd=floreslivroselua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Leituras de 2008</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Nov 2011 15:50:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>floreslivroselua</dc:creator>
				<category><![CDATA[Os Livros que Ricardo Leu]]></category>
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		<description><![CDATA[(223) A Mente – John R. Wilson (22/01/08) (224) A VIDA VEM da VIDA – A. C. Bhaktivedanta Swami (23/01/08) Embora tenha mostrado um conhecimento muito superficial da evolução darwiniana, o líder espiritual Bhaktivedanta Swami nos fornece pensamentos surpreendentes, muitos de acordo com as últimas descobertas da ciência. Por exemplo, acho que Einstein ia gostar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=floreslivroselua.wordpress.com&amp;blog=7302497&amp;post=848&amp;subd=floreslivroselua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(223) A Mente – John R. Wilson (22/01/08)</p>
<p>(224) <span style="color:#ff0000;"><strong>A VIDA VEM da VIDA</strong></span> – A. C. Bhaktivedanta Swami (23/01/08)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/01_a-vida-vem-da-vida_grande.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-849" title="01_a-vida-vem-da-vida_grande" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/01_a-vida-vem-da-vida_grande.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p><span style="color:#333399;">Embora tenha mostrado um conhecimento muito superficial da evolução darwiniana, o líder espiritual Bhaktivedanta Swami nos fornece pensamentos surpreendentes, muitos de acordo com as últimas descobertas da ciência. Por exemplo, acho que Einstein ia gostar de ouvir esse trecho que eu grifei:</span></p>
<p><span style="color:#333399;"><em>“A idéia de </em>vir<em> está em nossas mentes porque estamos vivendo nesse mundo limitado, onde vemos que há um começo para tudo. Portanto, pensamos que as coisas estão </em>vindo<em>. Mas na verdade matéria e espírito já existem. Quando eu nasço, penso que o meu nascimento é o começo do mundo. Mas o mundo já existe.”</em> P. 48</span></p>
<p><span style="color:#333399;"><em>“Tanto você quanto a formiga vivem cem anos, mas a extensão de nossa duração de vida de cem anos é relativa aos nossos corpos.”</em> p. 4</span></p>
<p><span style="color:#333399;">Já Pavlov ia gostar de ler isso:</span></p>
<p><span style="color:#333399;"><em>“Quando você é condicionado, você pensa em termos de dualidades como calor e frio, dor e prazer. Mas quando você é liberado, não tem tais pensamentos condicionados. (&#8230;) ser condicionado significa que embora a entidade viva seja eterna, devido ao seu condicionamento ela pensa que nasceu, que está morrendo, que está doente ou que está velha. Mas uma pessoa não condicionada nem mesmo é velha.”</em> p. 45</span></p>
<p><span style="color:#333399;">E sobre a vida após a morte? Quando eu era mais jovem, sempre pensava que se acaso houvesse mesmo uma vida do lado de lá, a passagem deveria ser uma experiência bem traumatizante, mais até do que o nascimento. Criado como católico, eu me preocupava com o fato da Igreja não lidar muito com essa experiência, dizendo apenas que renasceríamos no Paraíso. E se não fosse bem assim? E se uma pessoa muito simples desencarnasse e fosse parar em outro lugar, talvez no umbral? Que experiência chocante ir parar ali sem nem ter idéia do que estava acontecendo. Para explicar o que acontece (em sua concepção), Swami cita o próprio Krsna:</span></p>
<p><span style="color:#333399;"><em>“Aqueles que adoram os semideuses nascerão entre os semideuses; aqueles que adoram os fantasmas e espíritos nascerão entre tais seres; aqueles que adoram os ancestrais irão aos ancestrais; e aqueles que Me adoram viverão coMigo. (Bg. 9.25)” </em>p. 51<em></em></span></p>
<p><span style="color:#333399;">Acho que Nietzsche ia gostar dessa parte:</span></p>
<p><span style="color:#333399;"><em>“A criação de Krsna é boa. Deus é bom. Aquilo que você pensa ser mau é bom para Deus. Portanto, não podemos entender Krsna. Ele está fazendo algo que em nossa consideração pode ser mau, mas para Ele não há tal coisa como bom ou mau.”</em> p. 65</span></p>
<p>(225) Rua da Alegria – Frances P. Keyes (29/01/08)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/rua-da-alegria.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-850" title="" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/rua-da-alegria.jpg?w=460&#038;h=345" alt="" width="460" height="345" /></a></p>
<p><span style="color:#333399;">Não se deve julgar um livro pela capa, mas esse eu li pela beleza física mesmo. É um livro vermelho, de capa dura, de uma coleção que comprei num sebo em BH algum tempo atrás.</span></p>
<p>(226) <strong><span style="color:#ff0000;">JUNG</span></strong> – das edições Planeta (31/01/08)</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/jung.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-851" title="jung" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/jung.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p><span style="color:#333399;">Eu já havia lido esse livro (não totalmente) antes de conhecer <em>O Homem e Seus Símbolos</em>, mas mesmo assim achei interessante. Essas antigas revistas Planeta realmente são excelentes. Nessa que fala sobre o psicólogo suíço temos uma pequena biografia, o relacionamento tempestuoso com Freud, cartas de Jung, seu horóscopo, Jung e a Alquimia, a análise dos sonhos, o processo de criação artística, aspectos psicológicos do ciclo menstrual da mulher, uma análise de Deus nos dias atuais, D. Juan e o bandeirante brasileiro, Iemanjá e o complexo-mãe ainda as comemorações do centenário de Jung. Realmente, muito bom.</span></p>
<p>(227)<strong><span style="color:#ff0000;"> O MESTRE DA SENSIBILIDADE</span></strong> – Augusto Cury (09/01/08)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/o-mestre-da-sensibilidade.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-852" title="o mestre da sensibilidade" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/o-mestre-da-sensibilidade.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p><span style="color:#333399;">Augusto Cury era um psiquiatra ateu até resolver estudar a Bílbia para construir um diagnóstico clínico de Jesus. Foi nesse estudo que percebeu que a personalidade do Mestre continha elementos mutuamente exclusivos nos seres humanos comuns. O resultado foi uma série de cinco livros, dos quais esse é o segundo, onde esse estudo é explanado de forma muito impressionante.</span></p>
<p>(228) Eu Sou o Mensageiro – Markus Zusak (23/02/08)</p>
<p>(229) <strong><span style="color:#ff0000;">A REVOLUÇÃO DOS BICHOS</span></strong> – George Orwell (01/03/08)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/revolucao_bichos.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-853" title="revolucao_bichos" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/revolucao_bichos.jpg?w=197&#038;h=300" alt="" width="197" height="300" /></a></p>
<p><span style="color:#333399;">Considero esse livro melhor que 1984, do mesmo autor. A história que parece filme de Sessão da Tarde (esperamos <em>ver Pig, O Porquinho Atrapalhado </em>surgir a qualquer momento), mas na verdade trata-se de uma crítica ao sistema comunista, que prega a igualdade mas explora o ser humano de forma ainda mais cruel que o capitalismo. Orwell foi corajoso ao escrever essa história em 1945, quando União Soviética e Estados Unidos estavam juntos contra o nazismo. Pra quem gosta de criticar o capitalismo e vê no comunismo um sistema romântico de igualdade, é uma boa lição, mostrando que a natureza humana é a mesma, independente da sociedade na qual se insere.</span></p>
<p>(230) <strong><span style="color:#ff0000;">BREVE ROMANCE DE SONHO</span></strong> – Arthur Schnitzler (10/04/08)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/breve-romance-de-sonho.gif"><img class="aligncenter size-full wp-image-854" title="breve romance de sonho" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/breve-romance-de-sonho.gif?w=460" alt=""   /></a></p>
<p><span style="color:#333399;">Li esse livro sem nem ter idéia de que fora a inspiração para que Stanley Kubrick filmasse <em>De Olhos Bem Fechados</em>, seu último filme, do qual sou fã, principalmente pela atuação de Tom Cruise. O livro é igualmente estranho e envolvente, narrando os estranhos acontecimentos noturnos na vida de um pacato médico.</span></p>
<p><span style="color:#333399;">Freud era um dos admirados do autor.</span></p>
<p>(231) A Morte e o Morrer – Magali R. Boemer (14/04/08)</p>
<p>(232) <strong><span style="color:#ff0000;">O MISTÉRIO DA CONSCIÊNCIA</span></strong> – Antonio Damásio (29/04/08)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/o-misterio-da-consciencia.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-855" title="o misterio da consciencia" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/o-misterio-da-consciencia.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p><span style="color:#333399;">Existem alguns livros um pouco maçantes, mas que devem ser lidos por sua importância. Só consegui terminar <em>O Mistério da Consciência</em> depois de umas quatro tentativas (sempre devolvendo à biblioteca e começando do início todas as vezes), mas valeu a pena. Para quem quer se tornar psicólogo, é indispensável.</span></p>
<p>(233) <strong><span style="color:#ff0000;">TERRA DOS HOMENS</span></strong> – Saint-Exupéry (05/05/08)</p>
<p><span style="color:#333399;">Mais um livro que comecei a ler pela beleza, mas cujo conteúdo ainda superou as expectativas. Como Exupéry conseguia escrever com tanta poesia? Terra dos Homens conta várias histórias de sua vida como piloto de guerra, e ler esses relatos é algo emocionante.</span></p>
<p>(234) O Despertar dos Mágicos (repeteco, ver livro 174, de 2004) – Louis Pauwels &amp; Jacques Bergier (09/05/08)</p>
<p>(235) <strong><span style="color:#ff0000;">PSICOLOGIA DO INCONSCIENTE</span></strong> – Carl G. Jung (05/06/08)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/psicologia-do-inconsciente.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-856" title="psicologia do inconsciente" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/psicologia-do-inconsciente.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p><span style="color:#333399;">Peguei esse livro de Jung com muita reserva, pois ainda estava influenciado por algumas opiniões de que Jung era muito difícil de se ler. Talvez isso até possa se dar com livros mais pesados, mas em <em>Psicologia do Inconsciente</em> a leitura flui fácil e compreensível até mesmo para quem é leigo como eu.</span></p>
<p>(236) Piloto de Guerra – Saint-Exupéry (09/07/08)</p>
<p>(237) <strong><span style="color:#ff0000;">O OITAVO PASSAGEIRO</span></strong> – Alan Dean Faster (01/08/08)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/o-oitavo-passageiro.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-857" title="o oitavo passageiro" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/o-oitavo-passageiro.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p><span style="color:#333399;">Tenho um certo preconceito com livros baseados em filmes, pois me parece um processo muito mecânico de escrita. Mas li <em>O Oitavo Passageiro</em> com a respiração presa, o suspense é mantido tanto quanto no filme.</span></p>
<p>(238) <strong><span style="color:#ff0000;">ENCONTRO COM RAMA</span></strong> – Arthur C. Clarke (04/08/08)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/encontro-com-rama.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-858" title="encontro com rama" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/encontro-com-rama.jpg?w=208&#038;h=300" alt="" width="208" height="300" /></a></p>
<p><span style="color:#333399;">Uma das melhores ficções-científicas que eu já li na vida. Conta a história de um objeto cilíndrico alienígena que entra no sistema solar, atraindo a atenção dos humanos, que, claro, armam uma expedição para encontrá-lo.  Trata-se, na verdade, de uma espécie de estação espacial, ainda adormecida, que os personagens recebem a missão de explorar. Muito, muito bom!</span></p>
<p>(239) Os Frutos Dourados do Sol – Ray Bradbury (08/08/08)</p>
<p>(240) <strong><span style="color:#ff0000;">O RETRATO DE DORIAN GRAY</span></strong> – Oscar Wilde (13/08/08)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/retrato_dorian_gray.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-859" title="retrato_dorian_gray" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/retrato_dorian_gray.jpg?w=198&#038;h=300" alt="" width="198" height="300" /></a></p>
<p><span style="color:#333399;">Se uma das frases de Oscar Wilde empresta até o nome para esse blog, como não falar de um livro dele aqui? Para quem gosta de vilões como eu, Dorian Gray sem dúvida figurará na galeria dos melhores, principalmente por conta de sua humanidade, algo poucas vezes explorado nos livros contemporâneos. Wilde vai fundo na descrição psicológica do personagem, que aliás vai passando por suas aventuras sem perder a elegância. Ótimo pra quem gosta de vilões. <img src='http://s0.wp.com/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /> </span></p>
<p>(241) <strong><span style="color:#ff0000;">Tem Alguma Coisa Babando Embaixo da Cama</span></strong> – Bill Watterson (16/08/08)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/tem-alguma-coisa-babando-embaixo-da-cama.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-860" title="tem alguma coisa babando embaixo da cama" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/tem-alguma-coisa-babando-embaixo-da-cama.jpg?w=300&#038;h=300" alt="" width="300" height="300" /></a></p>
<p><span style="color:#333399;">Não há muito o que dizer, sou fã ardoroso de Calvin e Haroldo. Todos os livros são bons.</span></p>
<p>(242)<strong><span style="color:#ff0000;"> ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA</span></strong> – José Saramago (20/08/08)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/ensaio-sobre-a-cegueira.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-861" title="ensaio sobre a cegueira" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/ensaio-sobre-a-cegueira.jpg?w=195&#038;h=300" alt="" width="195" height="300" /></a></p>
<p><span style="color:#333399;">Meu Deus, como o Saramago pôde escrever uma história tão original e fascinante quanto esta? Eu decidi ler o livro ao ver o <em>trailler</em> do filme no cinema, até então não sabia que se tratava de um romance. Pra quem ainda não sabe, o livro conta a história de uma epidemia de cegueira que se espalha rapidamente no mundo, fazendo-o cair no caos absoluto. Os personagens não tem nomes, são identificados por certas características. É protagonizado pela mulher do médico, única que não fica cega e recebe nos ombros o peso de ter de cuidar de todos, os pelo menos de todos a quem ela conhece. Saramago nos faz acompanhar os primeiros a ficarem cegos, trancafiados dentro de um antigo prédio abandonado, que servia como hospício. Lá vemos todo tipo de degradação e violência humana. Mais tarde, quando a epidemia já alcançou níveis mundiais, eles conseguem sair, e encontram um mundo devastado. O filme também foi muito bom, mas o livro é melhor por conter detalhes adicionais. Por exemplo, fiquei impressionado ao ler a parte onde eles chegam até uma senhora, vizinha da menina de óculos. A velha vivia em seu apartamento imundo, e para se alimentar balançava folhas de couve na porta da cozinha, até que um de seus coelhos viesse comer. Então ela quebrava o pescoço do bicho e, como não conseguia mais lidar com o fogão, comia a carne crua mesmo. Em todo o apartamento se espalhavam restos de pelos e ossinhos.</span></p>
<p><span style="color:#333399;"> Algumas pessoas tem dificuldades em ler Saramago, por causa do seu famoso jeito característico de escrever, mas para mim a leitura fluiu ainda melhor por conta disso. Mas ainda que fosse escrito de forma tradicional, o livro seria extraordinário. Devorei em menos de sete dias. Ainda tenho que comprar meu exemplar.</span></p>
<p>(243) O Segredo da Flor de Ouro – Jung &amp; Wilhelm (27/08/08)</p>
<p><span style="color:#333399;">Aí está um livro de Jung realmente complicado de ler, fui da primeira à última página sem entender nada.</span></p>
<p>(244) A Caverna – José Saramago (05/09/08)</p>
<p>(245)<span style="color:#ff0000;"> AS RAÍZES HISTÓRICAS DO CONTO MARAVILHOSO</span> – Vladímir Propp (22/09/08)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/raizes-historicas.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-866" title="" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/raizes-historicas.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p><span style="color:#333399;">Também um dos melhores livros que já li na vida, para entender esse entusiasmo basta verificar que existe uma categoria no blog, <em>Um História do Dragão</em>, toda dedicada a uma parte desse livro. Propp, com uma escrita muito clara, analisa o enredo básico do conto de fada, buscando nos antigos ritos tribais as origens para seus personagens e ações. Não tem como explicar, é muito bom.</span></p>
<p>(246) Androginia – Elémire Zolla (22/09/08)</p>
<p>(247) Sonhos e Visões – David Coxhead &amp; Susan Hiller (25/09/08)</p>
<p>(248) <strong><span style="color:#ff0000;">MALUNGO</span></strong> – Bentto de Lima (31/10/08)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/malungo2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-864" title="malungo" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/malungo2.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p><span style="color:#333399;">Uma análise psicológica profunda da Umbanda, ótimo para quem se interessa por religiões. Desde que li esse livro fiquei com vontade de presenciar o ritual, mas ainda não tive oportunidade.</span></p>
<p>(249) Deuses, Espaçonaves e Terra – Erick Von Däniken (01/11/08)</p>
<p><span style="color:#333399;">Aqui Däniken continua sua análise das evidência da presença alienígena no passado distante da Terra. Risível em algumas hipóteses, intrigante na maioria delas.</span></p>
<p>(250) Comicidade e Riso – Vladimir Propp (17/11/08)</p>
<p>(251) <strong><span style="color:#ff0000;">O CARDUME</span></strong> &#8211; Frank Schätzing (24/11/08)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/o-cardume.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-865" title="o cardume" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/11/o-cardume.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p><span style="color:#333399;">Talvez a melhor ficção científica que eu já tenha lido. Com 900 páginas de letras miúdas e conteúdo denso, engoli a história de Schätzing em 9 dias, isso em final de período, com provas, trabalhos e estágio na Embrapa. Embora o assunto seja diferente, me pareceu um Dan Brown hipertrofiado: não há maneiras de largar o livro, mas o conteúdo vai muito mais profundo. Os personagens são muitíssimo bem construídos (Fabíola me chama de Johanson em <em>Quem Sou Eu</em>, por causa de um deles. Fiquei muito lisonjeado porque se trata de um biólogo de sucesso, um futuro que talvez ainda me espere).</span></p>
<p><span style="color:#333399;">A história começa com acontecimentos bizarros envolvendo criaturas marinhas ao redor do globo, que vão piorando a cada momento, até que toda a humanidade esteja sofrendo com mecanismos intricados de ataque, que só podem advir de uma inteligência, mas quem seria tal inimigo? Pra quem gosta de suspense, excelente, pra quem gosta de ficção científica, excelente, pra quem gosta de biologia marinha, excelente, pra quem gosta de uma boa história, excelente.</span></p>
<p><span style="color:#333399;">Parece que o livro também foi publicado sob o nome de <em>O Quinto Dia</em>. Sinceramente não sei como não fez mais sucesso.</span></p>
<p>(252) Coronel Fawcett – Hermes Leal (01/12/08)</p>
<br />Filed under: <a href='http://floreslivroselua.wordpress.com/category/os-livros-que-ricardo-leu/'>Os Livros que Ricardo Leu</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/floreslivroselua.wordpress.com/848/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/floreslivroselua.wordpress.com/848/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/floreslivroselua.wordpress.com/848/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/floreslivroselua.wordpress.com/848/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/floreslivroselua.wordpress.com/848/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/floreslivroselua.wordpress.com/848/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/floreslivroselua.wordpress.com/848/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/floreslivroselua.wordpress.com/848/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/floreslivroselua.wordpress.com/848/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/floreslivroselua.wordpress.com/848/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/floreslivroselua.wordpress.com/848/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/floreslivroselua.wordpress.com/848/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/floreslivroselua.wordpress.com/848/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/floreslivroselua.wordpress.com/848/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=floreslivroselua.wordpress.com&amp;blog=7302497&amp;post=848&amp;subd=floreslivroselua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">jung</media:title>
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			<media:title type="html">o mestre da sensibilidade</media:title>
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			<media:title type="html">revolucao_bichos</media:title>
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			<media:title type="html">breve romance de sonho</media:title>
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			<media:title type="html">o misterio da consciencia</media:title>
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			<media:title type="html">psicologia do inconsciente</media:title>
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			<media:title type="html">o oitavo passageiro</media:title>
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			<media:title type="html">tem alguma coisa babando embaixo da cama</media:title>
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			<media:title type="html">o cardume</media:title>
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		<title>Leituras de 2007</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Oct 2011 15:09:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>floreslivroselua</dc:creator>
				<category><![CDATA[Os Livros que Ricardo Leu]]></category>

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		<description><![CDATA[(206) Ponto de Impacto (repeteco, ver livro 184, de 2006) – Dan Bronw (13/01/07) (207) Mar Sem (repeteco, ver livro 30, de 2001) – Amyr Klink (16/01/07) (208) Uma História do Diabo (repeteco, ver livro 204, de 2006) – Robert Muchembled (19/01/07) (209) Cipreste Triste – Agatha Christie (17/02/07) (210) A Misteriosa Chama da Rainha [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=floreslivroselua.wordpress.com&amp;blog=7302497&amp;post=842&amp;subd=floreslivroselua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(206) Ponto de Impacto (repeteco, ver livro 184, de 2006) – Dan Bronw (13/01/07)</p>
<p>(207) Mar Sem (repeteco, ver livro 30, de 2001) – Amyr Klink (16/01/07)</p>
<p>(208) Uma História do Diabo (repeteco, ver livro 204, de 2006) – Robert Muchembled (19/01/07)</p>
<p>(209) Cipreste Triste – Agatha Christie (17/02/07)</p>
<p>(210) A Misteriosa Chama da Rainha Loana – Umberto Eco (11/03/07)</p>
<p>(211) Eu, Robô – Isaac Asimov (22/03/07)</p>
<p>(212) O Significado do Século XX – Kenneth E. Bouding (13/05/07)</p>
<p>(213) O Pastor – Friederick (15/07/07)</p>
<p>(214) A Montanha Mágica (repeteco, ver livro 172, de 2005) – Thomans Mann (26/07/07)</p>
<p>(215) O Diário de Bridget Jones – Helen Fielding (02/10/07)</p>
<p>(216) <span style="color:#ff0000;"><strong>O ENIGMA DO QUATRO</strong></span> – Ian Caldwell &amp; Dustin Thomason (11/09/07)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/o_enigma_do_quatro.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-843" title="O_ENIGMA_DO_QUATRO" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/o_enigma_do_quatro.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p><span style="color:#000080;">Um bom romance, com bons personagens, principalmente o garoto que faz o papel de protagonista, obcecado na decifração de um hipotético código inscrito num livro antigo, que levaria a um tesouro incalculável enterrado na Europa.</span></p>
<p><span style="color:#000080;">Quando li transcrevi algumas passagens para a minha agenda:</span></p>
<p><em><span style="color:#000080;">“Sonho? Lute para realizá-lo, e agonize para fazê-lo, e definhe fazendo-o.”</span></em></p>
<p><em><span style="color:#000080;">“A introspecção e a incerteza que o fizeram duvidar se o seu gênio era simplesmente um talento provinciano, uma estrela embotada num canto escuro do céu.”</span></em></p>
<p><em><span style="color:#000080;">“Nunca se entregue de maneira tão profunda a alguma coisa cujo fracasso possa lhe custar a felicidade.”</span></em></p>
<p>(217) A Menina Que Roubava Livros – Markus Zusak (23/10/07)</p>
<p>(218) <strong><span style="color:#ff0000;">LINHA DO TEMPO</span></strong> – Michael Crichton (17/11/07)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/linhadotempo.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-844" title="linhadotempo" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/linhadotempo.jpg?w=195&#038;h=300" alt="" width="195" height="300" /></a></p>
<p><span style="color:#000080;">Outro livro fantástico de Michael Crichton, mas que novamente fracassa na construção dos personagens. O Professor, por exemplo, é tão estéril que Crichton o deixa sem diálogos praticamente o livro inteiro, e no fim fica repetindo que ele estava em choque, com o olhar distante. Falta verdade e coerência quanto à resposta dos personagens à situação. Simplesmente não são reais; e mesmo assim é impossível largar o livro antes do final.</span></p>
<p>(219) <strong><span style="color:#ff0000;">ASSASSINATOS NA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS</span></strong> – Jô Soares (21/11/07)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/assassinatos-na-academia.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-845" title="assassinatos na academia" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/assassinatos-na-academia.jpg?w=216&#038;h=300" alt="" width="216" height="300" /></a></p>
<p><span style="color:#333399;">Jô tem uma linguagem muito simples e fluente, além de grande imaginação e, claro, muito humor. Vale a pena.</span></p>
<p>(220) Uma Sombra Passou Por Aqui (repeteco, ver livro 21, de 2000) – Ray Bradbury (02/12/07)</p>
<p>(221) O Caso Morel – Rubem Fonseca (03/12/07)</p>
<p>(222) A Chave da Alquimia – Paracelso (21/12/07)</p>
<br />Filed under: <a href='http://floreslivroselua.wordpress.com/category/os-livros-que-ricardo-leu/'>Os Livros que Ricardo Leu</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/floreslivroselua.wordpress.com/842/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/floreslivroselua.wordpress.com/842/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/floreslivroselua.wordpress.com/842/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/floreslivroselua.wordpress.com/842/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/floreslivroselua.wordpress.com/842/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/floreslivroselua.wordpress.com/842/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/floreslivroselua.wordpress.com/842/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/floreslivroselua.wordpress.com/842/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/floreslivroselua.wordpress.com/842/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/floreslivroselua.wordpress.com/842/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/floreslivroselua.wordpress.com/842/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/floreslivroselua.wordpress.com/842/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/floreslivroselua.wordpress.com/842/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/floreslivroselua.wordpress.com/842/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=floreslivroselua.wordpress.com&amp;blog=7302497&amp;post=842&amp;subd=floreslivroselua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Leituras de 2006</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Oct 2011 22:21:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>floreslivroselua</dc:creator>
				<category><![CDATA[Os Livros que Ricardo Leu]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>

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		<description><![CDATA[(182) CORRENDO ÀS CEGAS &#8211; Lee Child (31/01/06) Eis um livro da coleção Seleções, um trailler policial/psicológico de poucas páginas, mas que vale a pena pela técnica usada pelo assassino. Ele conseguia matar suas vítimas sem deixar qualquer tipo de rastro no local do crime, em alguns as portas estavam trancadas por dentro e havia [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=floreslivroselua.wordpress.com&amp;blog=7302497&amp;post=826&amp;subd=floreslivroselua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(182)<span style="color:#ff0000;"> <strong>CORRENDO ÀS CEGAS</strong></span> &#8211; Lee Child (31/01/06)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/correndo-c3a0s-cegas1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-828" title="CORRENDO ÀS CEGAS" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/correndo-c3a0s-cegas1.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p><span style="color:#000080;">Eis um livro da coleção Seleções, um trailler policial/psicológico de poucas páginas, mas que vale a pena pela técnica usada pelo assassino. Ele conseguia matar suas vítimas sem deixar qualquer tipo de rastro no local do crime, em alguns as portas estavam trancadas por dentro e havia escolta policial fora da casa. Querem saber como ele fazia? Leiam o livro! Garanto que é muito original.</span></p>
<p>(183) Caminhos Perdidos &#8211; Anne Tyler (02/02/06)</p>
<p>(184) <span style="color:#ff0000;"><strong>PONTO DE IMPACTO</strong></span> &#8211; Dan Brown (08/02/06)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/ponto-de-impacto.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-829" title="PONTO DE IMPACTO" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/ponto-de-impacto.jpg?w=300&#038;h=300" alt="" width="300" height="300" /></a></p>
<p><span style="color:#000080;">Embora Dan Brown seja muito criticado por muitos colegas, eu adoro as histórias dele. Nesse livro ele trata de dois assuntos irresistíveis para mim: Biologia e vida extraterrestre. Como não se sentir influenciado pelo biólogo Tolland? E como não ser arrastado pelo suspense crescente que Dan Brown sabe tão bem criar?</span></p>
<p>(185) <span style="color:#ff0000;"><strong>FORTALEZA DIGITAL</strong></span> &#8211; Dan Brown (11/02/06)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/fortaleza-digital.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-831" title="Fortaleza Digital" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/fortaleza-digital.jpg?w=200&#038;h=300" alt="" width="200" height="300" /></a></p>
<p><span style="color:#000080;">Histórias tecnológicas não são muito minha praia, mas o ritmo do livro prende a atenção. Para mim, os capítulos que transcorrem na Espanha são os melhores.</span></p>
<p>(186)<span style="color:#ff0000;"> <strong>O SENHOR DAS MOSCAS</strong></span> &#8211; Willian Golding (19/02/06)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/o-senhor-das-moscas.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-832" title="O Senhor das Moscas" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/o-senhor-das-moscas.jpg?w=189&#038;h=300" alt="" width="189" height="300" /></a></p>
<p><span style="color:#000080;">Foi uma idéia relativamente bem difundida por grandes vultos da psicologia que as crianças estão mais sujeitas às oscilações instintivas, uma vez que sua mentalidade encontra-se num nível ainda não plenamente desenvolvido. É como se a consciência fosse ainda mais frágil nelas, de modo que o inconsciente encontrasse mais facilidade de expressão. Por exemplo, Freud dizia que o Complexo de Édipo vem de uma época pré-histórica onde os mais jovens do clã disputavam com os mais velhos a posse das mulheres. Jung também disse que “por uma criança ser fisicamente pequena e seus pensamentos consciente poucos e simples, não avaliamos as extensas complicações da sua mente infantil, fundamentadas na sua identidade original com a psique pré-histórica.” Ele cita as danças infantis realizadas de maneira tão espontânea por crianças de todo o mundo, traçando um paralelo com às danças cerimoniais antigas, ainda executadas por tribos isoladas.</span></p>
<p><span style="color:#000080;">Embora eu não esteja certo do grau de influencia, parece que William Golding bebeu dessa fonte ao escrever O Senhor das Moscas, um livro que passou e foi negado por 19 editores e depois se transformou na obra que é considerada como uma das mais importantes da literatura do século XX.</span></p>
<p><span style="color:#000080;">Nela, um avião despenca numa ilha e só sobrevivem crianças. Elas tentar se unir e formar uma espécie de sociedade até que a ajuda venha, mas seus instintos de sobrevivência acabam falando mais alto e levam os personagens a atos drásticos.</span></p>
<p><span style="color:#000080;">Não parece interessante?</span></p>
<p>(187) <span style="color:#ff0000;"><strong>ANJOS E DEMÔNIOS</strong></span> &#8211; Dan Brown (04/03/06)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/anjos-e-demc3b4nios1.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-833" title="Anjos e Demônios" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/anjos-e-demc3b4nios1.jpg?w=300&#038;h=300" alt="" width="300" height="300" /></a></p>
<p><span style="color:#000080;">Pra quem é apaixonado por histórias envolvendo a Igreja, é uma excelente pedida. Obs.: O livro é bem melhor que o filme.</span></p>
<p>(188) Um Conto de Duas Cidades &#8211; Charles Dickens (12/03/06)</p>
<p>(189) O Observador &#8211; Chris Ryan (19/03/06)</p>
<p>(190) O Triângulo das Bermudas &#8211; Charles Berlitz (24/03/06)</p>
<p>(191) <span style="color:#ff0000;"><strong>FELIZ ANO VELHO</strong></span> &#8211; Marcelo Rubens Paiva (28/03/06)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/feliz-ano-velho.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-834" title="Feliz Ano Velho" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/feliz-ano-velho.jpg?w=182&#038;h=300" alt="" width="182" height="300" /></a></p>
<p><span style="color:#000080;">Marcelo Rubens passa uma melancolia que me lembra Scoott Fitzgerald, um dos meus autores favoritos. E, além disso a linguagem é simples e flui muito bem, embora a complexidade dos sentimentos expressados garantam a qualidade.</span></p>
<p>(192) Por Que os Homens Fazem Sexo e as Mulheres Fazem Amor? &#8211; Allan &amp; Barbara Pease (02/04/06)</p>
<p>(193) <span style="color:#ff0000;"><strong>RETRATO DO ARTISTA QUANDO JOVEM</strong></span> &#8211; James Joyce (16/05/06)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/retrato-do-artista-quando-jovem.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-835" title="Retrato do Artista Quando Jovem" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/retrato-do-artista-quando-jovem.jpg?w=186&#038;h=300" alt="" width="186" height="300" /></a></p>
<p><span style="color:#000080;">Todos sabem que James Joyce é um autor dificílimo, e devo admitir que fui passando pelas páginas desse livro sem compreender quase nada. Porém o livro ficou retido em minha mente por conta de uma passagem que, de tanto gostar, acabei decorando. Nessa passagem o personagem principal se encontra com uma prostituta, sentindo um misto de desejo e repugnância:</span></p>
<p><span style="color:#000080;"><em>“Queria estar preso pelos braços dela e ser acariciado devagar, devagar, bem devagar. Em seus braços sentiu que tinha se tornado subitamente forte, destemido e seguro e si próprio. Mas os lábios não queriam baixar para beijar (&#8230;). </em></span></p>
<p><span style="color:#000080;"><em>Fechou os olhos, apertando-se bem de encontro a ela, corpo e espírito, sem consciência de nada mais no mundo senão da sombria pressão dos lábios dela suavemente se entreabrindo. </em></span></p>
<p><span style="color:#000080;"><em>Eles lhe comprimiam o cérebro como lhe comprimiam os lábios, como se esse fosse o veículo duma vaga linguagem. E entre seus lábios e os dela sentiu uma desconhecida pressão, mais sombria que o desmaio do pecado e mais suave do que som ou dor.”</em></span></p>
<p>(194) <strong>O SOL TAMBÉM SE LEVANTA</strong> &#8211; Ernest Hemingway (27/05/06)</p>
<p><span style="color:#000080;">Hemingway é sempre prazeroso de se ler, embora eu não tenha retido muito desse livro além de touradas e muita bebedeira em barzinhos da Espanha de início de século.</span></p>
<p>(195) <strong>OS SOFRIMENTOS DO JOVEM WERTHER</strong> &#8211; J. W. Goethe (01/06/06)</p>
<p><span style="color:#000080;">Goethe foi um gênio em diversas áreas, inclusive a literária. Li este romance por curiosidade, depois de saber que ele causou uma onda de suicídios na Europa. Mas, vivemos numa época radicalmente diferente, é pouco provável que os lamentos do personagem principal pudessem surtir algum efeito grave nas emoções de alguém.</span></p>
<p>(196) O Parque dos Dinossauros (repeteco, ver livro 122, em 2003) &#8211; Michael Crichton (08/06/06)</p>
<p>(197) <span style="color:#ff0000;"><strong>O DEMÔNIO E A SRTA. PRYM</strong></span> &#8211; Paulo Coelho (13/06/06)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/o-demc3b4nio-e-a-srta-prym.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-836" title="o Demônio e a Srta. Prym" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/o-demc3b4nio-e-a-srta-prym.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p><span style="color:#000080;">Um dos livros mais interessantes de Paulo Coelho. Um pequeno trecho de diálogo me convenceu a lê-lo:</span></p>
<p><span style="color:#000080;"><em>“Eu lhe mostrei uma barra de ouro, que lhe daria independência necessária para sair daqui, correr o mundo, fazer o que sempre sonham as moças em cidades pequenas e isoladas. Ela vai ficar ali; você sabe que ela é minha, mas poderá roubá-la se assim desejar. E estará infringindo um mandamento essencial: &#8216;não furtarás&#8217;. Quanto a estas dez outras barras, elas são suficientes para fazer com que todos os habitantes do vilarejo jamais precisem trabalhar o resto de suas vidas. Quero que, quando voltar à cidade, diga que as viu, e que estou disposto a entregá-las aos habitantes de Viscos, se eles fizerem aquilo que jamais sonharam fazer. Quero que infrinjam o mandamento &#8216;não matarás&#8217;.”</em></span></p>
<p>(198) <strong>DUBLINENSES</strong> &#8211; James Joyce (21/06/06)</p>
<p><span style="color:#000080;">Eis um livro de James Joyce mais acessível aos pobres mortais como eu. Reúne vários contos, tendo como pano de fundo a cidade de Dublin.</span></p>
<p><span style="color:#000080;">O conto <em>Os Mortos</em> provoca grande angústia, não recomendo para quem não gosta quando o assunto é a morte.</span></p>
<p>(199) <span style="color:#ff0000;"><strong>SIDARTA</strong></span> &#8211; Hermann Hesse (29/06/06)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/sidarta.gif"><img class="aligncenter size-full wp-image-837" title="SIDARTA" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/sidarta.gif?w=460" alt=""   /></a></p>
<p><span style="color:#000080;">O livro conta a história de um jovem indiano, contemporâneo de Buda, à procura de iluminação. Achei extremamente interessante um parágrafo onde se faz uma análise do que seja a alma. Naquela época eu acreditava que mente, consciência e espírito fossem a mesma coisa, mas para meu espanto percebi um ponto de vista totalmente novo, segundo o qual os dois primeiros desses elementos pertencem ao mundo material e, portanto, não poderiam continuar existindo após a morte. No livro <em>A Vida Vem da Vida</em>, um líder espiritual indiano explica que a alma é algo já presente no corpo físico, mas que ocupa um espaço menor que um átomo. Em Sidarta, temos o seguinte pensamento:</span></p>
<p><span style="color:#000080;"><em>“Onde morava Ele? Onde habitava Seu Eterno coração, onde, a não ser no próprio eu, naquele âmago indestrutível que cada um trazia em si? Mas em que lugar, em que lugar achava-se esse eu, esse âmago, esse último fim? Não era carne nem osso, nem pensamento nem consciência, segundo afirmavam os mais sábios.”</em></span></p>
<p>(200) <span style="color:#ff0000;"><strong>O HOMEM E SEUS SÍMBOLOS </strong></span>- Carl G. Jung (13/09/06)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/o_homem_e_seus_s_mbolos.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-838" title="o_homem_e_seus_s_mbolos" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/o_homem_e_seus_s_mbolos.jpg?w=203&#038;h=300" alt="" width="203" height="300" /></a></p>
<p><span style="color:#000080;">Quando eu entrei para a faculdade de psicologia (fiz apenas o primeiro período, depois me bandeei para a biologia), já havia lido a biografia de Jung (ver livro 31, de 2001), mas há tanto tempo e tão jovem que nada havia ficado em minha memória além de alguns sonhos que me impressionaram. Mas foi de grande utilidade pois quando um colega, que rapidamente se transformou num grande amigo, me perguntou se eu conhecia o psicólogo suíço, afirmei que já havia lido sua autobiografia.  Esse meu então colega era o Sérgio, uma das pessoas mais inteligentes que já conheci. Fizemos amizade rápido e ele foi me ensinando sobre interpretação de sonhos, etc. Um dia ele me levou até a biblioteca e me obrigou a levar O Homem e Seus Símbolos. Admito que fiquei desanimado ao ver o tamanho do livro, mas quando cheguei em casa e comecei a ler, percebi que não havia meio de parar. Sem dúvida está entre os cinco grandes livros de minha vida. Pra quem se interessa por psicologia junguiana e não sabe por onde começar, essa é sua deixa.</span></p>
<p>(201) A Máquina do Tempo (repeteco, ver livro 16, de 2000) &#8211; H. G. Wells (29/09/06)</p>
<p>(202)<span style="color:#ff0000;"><strong> HANNIBAL</strong></span> &#8211; Thomas Harris (19/10/06)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/hannibal.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-839" title="Hannibal" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/hannibal.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p><span style="color:#000080;">Se em <em>O Silêncio dos Inocentes</em> o psicopata Hannibal Lecter marcou história, nessa continuação vemos o personagem em toda sua exuberância, distribuindo “charme e cultura” na Europa De vez em quando eu pego o livro e leio algumas passagens; gostei tanto que Florença se tornou o lugar na Terra que eu mais quero conhecer.</span></p>
<p>(203) O Caçador de Pipas &#8211; Khaled Hosseini (15/12/06)</p>
<p>(204) <span style="color:#ff0000;"><strong>UMA HISTÓRIA DO DIABO</strong></span> &#8211; Robert Muchembled (17/12/06)</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/uma-historia-do-diabo.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-840" title="Uma Historia do Diabo" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/10/uma-historia-do-diabo.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p><span style="color:#000080;">A escrita de Robert Muchembled requer atenção do leitor, mas como é envolvente! Nesse livro temos a trajetória do Diabo, de como surgiu por volta do século XII e foi se transformando ao longo das eras, até atingir o clímax no extraordinário fenômeno da caças às bruxas nos séculos XVI e XVII, e se desenrolar nos séculos seguintes até chegar à nós. Muchembled passa então a analisar não apenas os produtos da literatura, como também o cinema e os quadrinhos.</span></p>
<p><span style="color:#000080;">Essa primeira leitura foi se arrastando durante todo o segundo semestre de 2006 (eu comprei o livro no dia da minha inscrição na faculdade, como um prêmio) e as outras coisas que aconteciam na minha vida me impediram de absorver suas informações satisfatoriamente. Por isso eu o reli no início de 2007, aí sim reconhecendo seu valor e me deliciando com a prosa sofisticada do autor.</span></p>
<p>(205) Legião &#8211; Robson Pinheiro (28/12/06)</p>
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			<media:title type="html">CORRENDO ÀS CEGAS</media:title>
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			<media:title type="html">PONTO DE IMPACTO</media:title>
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			<media:title type="html">Fortaleza Digital</media:title>
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			<media:title type="html">O Senhor das Moscas</media:title>
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			<media:title type="html">SIDARTA</media:title>
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			<media:title type="html">Uma Historia do Diabo</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Planeta dos Macacos &#8211; A Origem (das neuroses)</title>
		<link>http://floreslivroselua.wordpress.com/2011/09/17/planeta-dos-macacos-a-origem-das-neuroses/</link>
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		<pubDate>Sat, 17 Sep 2011 21:26:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>floreslivroselua</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/09/fig-introduc3a7c3a3o1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-801" title="fig. introdução" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/09/fig-introduc3a7c3a3o1.jpg?w=460&#038;h=681" alt="" width="460" height="681" /></a></p>
<p>A primeira vez que me deparei com um primata não-humano de grande porte foi em setembro de 2007, quando visitei o zoológico de Belo Horizonte. Entrei pelo portão II, vi os elefantes e as girafas e em seguida caminhei para a parte central, onde ficam os primatas. A bem da verdade eles nunca me interessaram muito, acho que sua semelhança conosco me perturbava e irritava, como se fossem criaturas que ameaçavam nossa identidade. Mesmo assim meu coração palpitou quando caminhei para o cercado do gorila, aguardando forte impressão. Mas Id não queria papo e manteve as costas voltadas para o público o tempo todo, enfurnado no interior de sua caverna artificial praticamente sem se mover. Nada distingui além do contorno ovalado de seu ombro direito. Id foi assim batizado numa clara referência à expressão freudiana para as pulsões e instintos inconscientes, mas naquele momento, observando tal letargia, pensei que o nome caía muito impróprio. E com tristeza me lembrei de um filme que assisti anos antes, <em>Instinto</em>, numa cena memorável onde o personagem interpretado por Anthony Hopkins abre a cela de um gorila e, ao vê-lo letárgico ao fundo, afirma que os animais de zôos não são verdadeiros, mas sim meras sombras do que um dia foram.</p>
<p>Quatro anos após esse primeiro contato, numa terça-feira, dia 6 de setembro, fui com minha namorada ao cinema assistir ao último filme famosa franquia <strong>Planeta dos Macacos</strong>. Fui um pouco reticente, não queria criar falsas expectativas, principalmente porque havia achado o filme anterior legal, e nada mais. E, sinceramente, procuro sempre cultivar essa reserva quando vou assistir a um filme que me interessa, já que é horrível criar expectativas em torno de uma porcaria, seja no que for. E acredito que seja o melhor método, já que é ótimo quando a história ultrapassa suas expectativas. Foi o que aconteceu com <em>V de Vingança, O Labirinto do Fauno, Presságio, O Show de Truman</em> e alguns outros.</p>
<div id="attachment_802" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/09/fig-2.jpg"><img class="size-full wp-image-802" title="fig. 2" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/09/fig-2.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">César manipula o gás que aumenta a inteligência dos símios.</p></div>
<p><em>O Planeta dos Macacos – A Origem</em>, me deixou impressionado. Possivelmente eu sou suspeito para dizer isso, uma vez que acabo de me formar em biologia; mas em defesa de minha pretensa imparcialidade (isso existe?) devo reafirmar que nunca nutri interesse por comportamento de primatas, pelo menos até agora. Digo isso com a consciência de que o que vi ali foi uma ficção-científica, logicamente. Mesmo assim fiquei fascinado. Com o risco de parecer esnobe, sempre gostei de boas histórias que falam sobre inteligência. Digo isso porque tenho fresca na memória um outro filme que assisti recentemente, <em>Sem Limites</em>. Curiosamente, tanto ele quando <em>O Planeta</em> tratam do aumento da inteligência provocado por drogas, aliás um tema recorrente pelo menos desde a psicodélica década de 1970, provavelmente até antes. Jacques Bergier e Louis Pauwels tratam desse assunto em seu livro <em>O Planeta das Possibilidades Impossíveis</em>, aparentemente inspirados em algumas idéias de Aldous Huxley, com as quais não estou bastante informado para escrever aqui.</p>
<p>No filme, é praticamente perfeita a maneira como eles tratam o comportamento dos macacos modificados, através dos gestos mas principalmente do olhar, esse meio de comunicação tão caracteristicamente humano, o que torna tudo ainda mais perturbador, é claro. É muito interessante a cena onde César recebe os outros macacos na área de recreação, após tratá-los com o gás. Os personagens são digitais, mas deixaram no chinelo muito ator de carne e osso. Os olhares trocados entre César e cada símio que sai do túnel chega a dar arrepios.</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/09/fig-3.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-803" title="fig. 3" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/09/fig-3.jpg?w=460&#038;h=232" alt="" width="460" height="232" /></a></p>
<p>Em seu livro <em>Comunhão</em>, Whitley Strieber pondera sobre seu encontro com uma criatura extraterrestre afirmando que <em>“é incrivelmente perturbador ver algo claramente não-humano andando e agindo com inteligência. Há algo de inconfundível sobre a precisão do movimento conscientemente dirigido que é profundamente aterrorizante quando visto em tal forma alienígena”</em>. Para meu espanto, percebi ao assistir ao filme que a criatura nem precisa ser alienígena para provocar tal desconforto. É claro que o enredo tem todo um clima que favorece essa visão das coisas, mas não seria justamente seu realismo que torna tudo mais soturno? Não há nada de aterrorizante nos alienígenas de <em>O Quinto Elemento</em> porque, embora o filme seja excelente, elas são vistas num contexto cotidiano, banal, como se tratasse de um fato corriqueiro. Mas veja os alienígenas de <em>Fogo no Céu</em> ou o Fauno do <em>Labirinto</em> que você vai entender o que estou querendo dizer.</p>
<p>Para os que não se sentiram tão impressionados com os olhares cúmplices da macacada, existe a parte em que ocorre a vocalização. Houve ali o efeito surpresa, tanto para expectadores quanto para personagens. O espanto e o medo na face dos outros macacos, principalmente do gorila, ficaram extraordinários. Aquilo também foi de arrepiar. Junto com o “NÃO!” de César, muita gente na sala expressou sua surpresa com interjeições apropriadas, inclusive minha namorada e eu.</p>
<p>Não vou falar mais do enredo para não estragar a surpresa de quem ainda não viu.</p>
<p>Resta-nos, é claro, a boa, velha e despretensiosa interpretação psicológica. Dessa vez ela fala da escalada humana em busca da perfeição, que não faz mais que preparar a distância para um tombo proporcional à altura. No filme, temos o ambiente asséptico, branco e sóbrio dos laboratórios contrastando com a pelagem negra e caninos longos dos primatas até então sob controle. <em>Planeta dos Macacos </em>fala sobre o preço cobrado pelo inconsciente diante da unilateridade da vida moderna, esquecida de suas raízes e desejosa de varrer para baixo do tapete tudo o que pareça feio ou asqueroso. O resultado é o que se vê no filme: Invasão da Sombra, esfacelamento, doença e morte.</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/09/fig-4.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-804" title="fig. 4" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/09/fig-4.jpg?w=460&#038;h=287" alt="" width="460" height="287" /></a></p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/09/fig-4-2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-805" title="fig. 4.2" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/09/fig-4-2.jpg?w=460&#038;h=255" alt="" width="460" height="255" /></a></p>
<p>Em <em>O Nome da Rosa</em>, o bibliotecário Jorge de Burgos, com toda sua vilania, adverte contra o riso, que além de ser um gesto emocional espontâneo e licencioso, torna a face humana parecida com a de um macaco. Talvez esta seja uma boa ilustração para mostrar por que em todos os filmes da franquia os macacos tenham tanto ódio por nós: Por causa de nosso desprezo, nossa ingratidão, nossa soberba.</p>
<p>Vozes isoladas já nos tem alertado sobre essa atitude tão obtusa, dizendo que trocamos nossos deuses antigos por carros velozes, sapatos e dinheiro.</p>
<p>Ainda no século XIX, Nietzsche já nos alertava sobre a importância de aceitar nossos instintos (mesmo que, aparentemente ele tenha aberto as comportas excessivamente e sucumbido diante das forças descontroladas). O filósofo afirmava que o fato de termos que reprimi-los era a constatação de que vivíamos numa sociedade doente. Sua única única obra de ficção, <em>Assim Falou Zaratrusta</em>, é uma metáfora sobre a humanidade nos estertores da civilização moderna.</p>
<div id="attachment_806" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/09/nietzsche.jpg"><img class="size-full wp-image-806" title="nietzsche" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/09/nietzsche.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Para muitos o filósofo Nietzsche sucumbiu diante das forças avassaladoras do inconsciente, embora há quem defenda que sua loucura teve origem na sífilis.</p></div>
<p>Até Freud, tão racional e cético, convivia com seu lado irracional através de uma vasta coleção de arte antiga, seus “<em>deuses velhos e encardidos</em>” que ele juntava maniacamente, abarrotando seu consultório a ponto de um paciente achá-lo mais parecido com um depósito arqueológico. (Para quem se interessar em saber mais sobre isso, Janine Burke lançou <em>Deuses de Freud – A coleção de arte do pai da psicanálise</em>; eu comprei, li e posso garantir que é um livro maravilhoso, inclusive rebatendo os estereótipos que Freud ganhou através das décadas).</p>
<div id="attachment_818" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/09/freud_engelman_desk.jpg"><img class="size-full wp-image-818" title="Freud_Engelman_Desk" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/09/freud_engelman_desk.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Ao longo de 40 anos Freud juntou mais de 2,5 mil peças de arte; suas preferidas ficavam na mesa, próximo o suficiente para tocá-las enquanto escrevia.</p></div>
<p>Por coincidência (ou sincronicidade), comprei e estou lendo <em>Além do Princípio de Prazer</em>, onde Freud discorre sobre essa natureza melindrosa e escorregadia dos elementos do irracional. Como não podia deixar de ser, ele encontrou um fator positivo na repressão instintual que ocorre em nossa sociedade. Ele acreditava que em algumas pessoas os instintos reprimidos podiam se revolver e voltar na forma de uma potência criativa. Em suas palavras:</p>
<p><em>“Aquilo que, numa minoria de indivíduos humanos, parece ser um impulso incansável no sentido de maior perfeição, pode ser facilmente compreendido como resultado da repressão instintual em que se baseia tudo o que é mais precioso na civilização humana. O instinto reprimido nunca deixa de se esforçar na busca da satisfação completa, que consistiria na repetição de uma experiência primária de satisfação. (&#8230;) a diferença de quantidade entre o prazer da satisfação que é exigida e a que realmente é conseguida, é que fornece o fator impulsionador que não permite qualquer parada em nenhuma das posições alcançadas, mas, nas palavras do poeta, “pressiona sempre para frente, indomado.”</em></p>
<div id="attachment_814" class="wp-caption aligncenter" style="width: 210px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/09/freud.jpg"><img class="size-full wp-image-814" title="freud" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/09/freud.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Freud alertou que a repressão de instintos pode causar uma emersão posterior bem mais desagradável, o que caracteriza uma neurose</p></div>
<p>Mas no mesmo livro ele também alertou para os elementos que voltam à tona de modo desagradável caso sejam desprezados:</p>
<p><em>“Acontece repetidas vezes que instintos individuais ou parte de instintos se mostrem incompatíveis (&#8230;)” </em>com as exigências do Ego<em>.  </em>Então são<em>, “pelo processo de repressão, mantidos em níveis inferiores de desenvolvimento psíquico, e afastados, de início, da possibilidade de satisfação. Se subseqüentemente alcançam êxito – como tão facilmente acontece com os instintos sexuais reprimidos – em conseguir chegar por caminhos indiretos a uma satisfação direta ou substitutiva, esse acontecimento, que em outros casos seria uma oportunidade de prazer, é sentida pelo ego como desprazer”.</em></p>
<p>Desnecessário dizer que Jung bateu nessa tecla várias vezes, embora quase tenha tido o mesmo destino de Nietzsche, como está registrado no capítulo VI de sua autobiografia. Ele insistiu que a negação de conteúdos reprimidos pode acarretar graves distúrbios no indivíduo, chegando à morte por doença psicossomática ou mesmo “acidentes” claramente provocados de maneira inconsciente.</p>
<div id="attachment_807" class="wp-caption aligncenter" style="width: 330px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/09/jung.jpg"><img class="size-full wp-image-807" title="jung" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/09/jung.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">O grande Jung, construtor de uma psicologia complexa e fascinante, insistia na importância de se ouvir a voz do inconsciente.</p></div>
<p>Querem um bom filme que aborda esse tema? <em>O Cisne Negro</em>, com Natalie Portman, narra o drama vivido por uma bailarina para alcançar a perfeição. A protagonista Nina parece ter uma resistência instintiva contra as forças de seu interior, mas a pressão profissional acaba fazendo-a ceder e se entregar. Tanto ela quanto sua predecessora no palco sofreram os reveses da destrutividade cega que advêm da Sombra. O resultado é o sucesso mas, com ele, a dissolução do ego e conseqüente psicose.  As cenas de automutilação me fizeram remexer na cadeira de tanto nervoso.</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/09/natalie-portman-se-transforma-no-cisne-negro.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-815" title="natalie-portman-se-transforma-no-cisne-negro" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/09/natalie-portman-se-transforma-no-cisne-negro.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p>A propósito, não teriam sido as mesmas forças descontroladas que puseram fim a vida de Heat Ledger após sua incorporação do personagem Coringa de <em>Cavaleiro das Trevas</em>?</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/09/ledger.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-816" title="ledger" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/09/ledger.jpg?w=460&#038;h=288" alt="" width="460" height="288" /></a></p>
<p>Existe um livro sobre <em>imaginação ativa</em> chamado <em>A Velha Sábia</em>, cuja autora é a analista junguiana Rix Weaver. Nele ela nos explica de forma extremamente compreensível como a psicologia humana pode ser vista refletida nos caracteres anatômicos do cérebro. Diz-nos que ao longo de sua evolução, o cérebro incorporou suas novas aquisições sobrepondo-as às antigas, de modo que eu sua estrutura podemos “ler” uma história que vai desde a <em>“pequena anêmona do mar, até o desenvolvimento de um “novo” cérebro – o córtex – que tem a ver com o mundo externo”.</em> Essa área recente tem uma função social, uma vez que refreia os impulsos.</p>
<p>O que acontece na espécie ocorre também em cada indivíduo. Durante a gestação, o cérebro passa por todas essas fases evolutivas como numa recapitulação. Presumivelmente podemos dizer que o mesmo acontece no plano psicológico. Ou seja, existe uma coincidência biológica atuando no plano da psique. Eis aí não apenas a explicação para os arquétipos, mas para todo o inconsciente coletivo, isto é, vozes de nossos ancestrais reverberando forte em nossos neurônios.</p>
<div id="attachment_808" class="wp-caption aligncenter" style="width: 277px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/09/neuronio.jpg"><img class="size-full wp-image-808" title="neuronio" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/09/neuronio.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">A anatomia cerebral e o estudo de sua evolução permitem enxergar um paralelo na natureza do inconsciente humano.</p></div>
<p>Portanto o cérebro antigo está aí há muito mais tempo e ocupa uma área muito maior do sistema nervoso, o que explica porque ele não é facilmente renegado. É até aconselhável que não seja. Jung alertava que ao lidar com o Inconsciente não estávamos nos relacionando com uma coisa propriamente humana, já que ele é muito mais antigo, e sim com uma força estranha a nós mesmos, um “sopro da natureza”.</p>
<p>Não há dúvida de que muitos humanistas e religiosos defenderam e seguiram uma vida pautada na Razão, essa preciosidade a que tanto valorizamos. Mas é inocência acreditar que podemos desprezar todas as nossas pulsões como se fossem artimanhas do diabo, simplesmente porque elas estão presentes muito antes de termos desenvolvido qualquer noção moral ou ética.</p>
<p>Até mesmo o altamente inteligente, racional e céptico Carl Sagan dedicou um livro inteiro na defesa dessa idéia tão junguiana. Em <em>Os Dragões do Éden</em> ele explica que a mente inconsciente, representada no plano biológico pelo cérebro “reptiliano”, foi demonizada pelo consciente, de tal modo que o Mal é muitas vezes representado na forma de monstros escamosos e rastejantes, serpentes e dragões. Para ajudar em sua tese Sagan apresenta o escritor Arthur Koestler e o neurocientista Paul MacLean. Para eles, o cérebro reptiliano desligou-se dos processos mais recentes, tornou-se estranho. Esse conflito entre os dois pólos da mente caracteriza as neuroses.</p>
<div id="attachment_809" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/09/dragc3a3o-c3a0rvore.jpg"><img class="size-full wp-image-809" title="Dragão - àrvore" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/09/dragc3a3o-c3a0rvore.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Por representar o irracional no homem, o inconsciente foi representado na forma animal em muitas culturas. No Ocidente, ele passou por um processo de demonização.</p></div>
<p>Seguindo a mesma linha, Michael Grosso utiliza o Livro do Apocalipse como ilustração para esse embate. Em O Mito do Milênio, ele escreve que<em> “o Ego neocortical assume uma pose, adota um ar superior e se recusa a bater papo com o id reptiliano – com o monstro que João chamou de ophos archaicos, a velha serpente, que, para todos os paranóicos do futuro, ele denominou Sua Satânica Majestade.”</em></p>
<p>O ego, portanto, assume uma postura altamente tendenciosa, rotulando de mau aquilo que desconhece. Mas o inconsciente não pode ser taxado de bom ou mau, ele apenas desconhece as regras de conduta da civilização, essa frágil extensão de nossa consciência. Como dizia minha professora de História da Psicologia, o inconsciente é amoral. Na espécie humana, a mente tende a estacionar numa zona de equilíbrio e, embora o inconsciente seja ignorado pela maioria das pessoas, sabemos que pode reagir violentamente quando oprimido. Por isso mesmo não podemos considerá-lo uma mera velharia incômoda.</p>
<div id="attachment_810" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/09/uniao.jpg"><img class="size-full wp-image-810" title="uniao" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2011/09/uniao.jpg?w=460&#038;h=241" alt="" width="460" height="241" /></a><p class="wp-caption-text">A união com os elementos instintivos, segundo os psicólogos, é a chave para a boa saúde psíquica.</p></div>
<p>E afinal de contas, é nele também que encontramos uma série de características que consideramos nitidamente humanos. De lá, do reino escuro do irracional, vem nossa fé, coragem, intuição, inspiração, expressão artística, nossa música, nossos sonhos, enfim, coisas que dispensam nossa razão fria e calculista.</p>
<p>Agora, com tudo isso, como não ser apaixonado por cinema?</p>
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		<title>BiosRéplicas &#8211; Para Profissionais e Apaixonados</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Sep 2011 11:39:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>floreslivroselua</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Se eu posso ter a pretensão de imaginar que havia alguns visitantes regulares do blog, com certeza eles devem ter se dispersado depois desse lapso de mais de um ano sem publicar qualquer coisa. Ocorre que no segundo semestre de 2010 eu estava no último período da faculdade e a monografia (que eu pretendo publicar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=floreslivroselua.wordpress.com&amp;blog=7302497&amp;post=789&amp;subd=floreslivroselua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se eu posso ter a pretensão de imaginar que havia alguns visitantes regulares do blog, com certeza eles devem ter se dispersado depois desse lapso de mais de um ano sem publicar qualquer coisa. Ocorre que no segundo semestre de 2010 eu estava no último período da faculdade e a monografia (que eu pretendo publicar aqui), me consumiu todo o tempo. Logo depois eu fiquei sem computador e só retornei ao mundo da internet agora. Espero poder continuar com meu ritmo antigo, porque realmente gosto de estar aqui e receber os comentários de todos vocês.<br />
Mas, quero aproveitar essa nota para falar de outra coisa.<br />
Há cerca de um ano eu estava vagando pela internet quando encontrei um produto à venda que me deixou maravilhado. Era uma réplica de um crânio de Smilodon fatalis, mais conhecido como tigre-dente-de-sabre. A empresa é de Belo Horizonte mas eles negociam com o Brasil inteiro. </p>

<a href='http://floreslivroselua.wordpress.com/2011/09/15/biosreplicas-para-profissionais-e-apaixonados/attachment/792/' title='sdc13208'><img data-attachment-id='792' data-orig-size='3264,2448' data-liked='0'width="150" height="112" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/08/sdc13208.jpg?w=150&#038;h=112" class="attachment-thumbnail" alt="sdc13208" title="sdc13208" /></a>
<a href='http://floreslivroselua.wordpress.com/2011/09/15/biosreplicas-para-profissionais-e-apaixonados/attachment/793/' title='sdc13210'><img data-attachment-id='793' data-orig-size='3264,2448' data-liked='0'width="150" height="112" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/08/sdc13210.jpg?w=150&#038;h=112" class="attachment-thumbnail" alt="sdc13210" title="sdc13210" /></a>
<a href='http://floreslivroselua.wordpress.com/2011/09/15/biosreplicas-para-profissionais-e-apaixonados/attachment/794/' title='sdc13211'><img data-attachment-id='794' data-orig-size='3264,2448' data-liked='0'width="150" height="112" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/08/sdc13211.jpg?w=150&#038;h=112" class="attachment-thumbnail" alt="sdc13211" title="sdc13211" /></a>

<p>O nome do site é Biosréplicas e você pode procurar no google ou na minha lista (Lugares Bacanudos), aqui mesmo no blog. Sou testemunha de que o trabalho deles é sério e que são muito atenciosos no caso de qualquer dúvida. E não são apenas réplicas fósseis, mas também modelos muito didáticos de esqueletos, vertebrados, invertebrados, células, etc. Pra quem gosta, vale a pena conferir. Eu comprei o meu para deixar no meu quarto mas tenho certeza de que qualquer sala de aula iria vibrar com algumas peças que estão lá à venda. Grande abraço a todos, é bom estar de volta.</p>
<br />Filed under: <a href='http://floreslivroselua.wordpress.com/category/uncategorized/'>Uncategorized</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/floreslivroselua.wordpress.com/789/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/floreslivroselua.wordpress.com/789/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/floreslivroselua.wordpress.com/789/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/floreslivroselua.wordpress.com/789/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/floreslivroselua.wordpress.com/789/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/floreslivroselua.wordpress.com/789/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/floreslivroselua.wordpress.com/789/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/floreslivroselua.wordpress.com/789/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/floreslivroselua.wordpress.com/789/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/floreslivroselua.wordpress.com/789/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/floreslivroselua.wordpress.com/789/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/floreslivroselua.wordpress.com/789/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/floreslivroselua.wordpress.com/789/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/floreslivroselua.wordpress.com/789/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=floreslivroselua.wordpress.com&amp;blog=7302497&amp;post=789&amp;subd=floreslivroselua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Terra dos Homens</title>
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		<pubDate>Sun, 16 May 2010 21:17:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>floreslivroselua</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ê Minas Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[fazendas]]></category>
		<category><![CDATA[minas gerais]]></category>
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		<category><![CDATA[simplicidade]]></category>

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		<description><![CDATA[É muito interessante como algumas coisas nos tocam. Difícil de explicar. Não é querer passar por um de sensível, pelo contrário, às vezes gostaria de não sentir o que sinto em certas ocasiões. É como diz Arnaldo Jabor em Amor é Prosa Sexo é Poesia: &#8220;Vemos um gesto frágil, um cabelo molhado, um rosto dormindo, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=floreslivroselua.wordpress.com&amp;blog=7302497&amp;post=703&amp;subd=floreslivroselua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É muito interessante como algumas coisas nos tocam. Difícil de explicar. Não é querer passar por um de sensível, pelo contrário, às vezes gostaria de não sentir o que sinto em certas ocasiões. É como diz Arnaldo Jabor em Amor é Prosa Sexo é Poesia:</p>
<p>&#8220;Vemos um gesto frágil, um cabelo molhado, um rosto dormindo, e isso desperta em nós uma espécie de &#8220;compaixão&#8221; pelo nosso próprio desamparo, entrevisto no outro.&#8221;</p>
<p>Pode até parecer um pouco piegas, mas expor as imagens que estão aqui pra mim é coisa muito séria. Não consigo decidir se é ético ou não. Embora tenha certeza de que D. Luisinha, a simpatissíssima senhora que mora totalmente sozinha nesse casarão ficaria muito feliz em saber que a casa dela está na internet, disponível para que o mundo inteiro possa visitar esse recanto de tão dentro do nosso Brasil, a questão de se isso é moralmente certo de minha parte está presente em minha cabeça com uma obstinação cega. Eu tenho esse direito? Essas questões me afloraram num congresso de psicologia onde passaram o extraordinário documentário  Estamira, do qual ainda pretendo falar nesse blog. Conta a história de uma mulher impressionante, que mergulhou no mundo da loucura após vários desastres em sua vida e hoje vive em um lixão de São Paulo. O documentário é simplesmente fantástico. O que eu não gostei foi da mesa redonda que houve depois. Sei lá, ouvir aqueles caras pomposos falando sobre o modo como Estamira via o mundo me deixou com um engasgo e certo constrangimento. Só não deixei o anfiteatro porque haveria um sorteio de brindes depois (dos quais eu não ganhei nenhum). Sinto a mesma coisa quando vejo os repórteres vestindo coletes de safari quando fazem reportagens em alguma cidade pequena do nordeste. O que isso significa?</p>
<p>De qualquer maneira, mesmo com tantos entraves neuróticos, não posso deixar de compartilhar com vocês da beleza que vi num domingo desses, em que fui com alguns familiares até uma roça nos arredores de minha pequena cidade. Andamos a pé por uma estrada de chão por aproximadamente uma hora até chegarmos numa velha e pitoresca casa. Fiquei encantando com os objetos, com a comida e com a simpatia da moradora (embora ela adore tirar fotos e tenha se mostrado entusiasmada com nossa visita e com o interesse de um jovem, não achei certo expor sua imagem aqui). Tirei fotos de várias coisas e as melhores selecionei para o blog, muitas estão condenadas a extinção, isso é certo. Mais um motivo para compartilhá-las com vocês.</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/011.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-764" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/011.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<div id="attachment_709" class="wp-caption aligncenter" style="width: 471px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/021.jpg"><img class="size-full wp-image-709  " src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/021.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Eram três, mas dois foram rápidos demais para meu gatilho.</p></div>
<div id="attachment_710" class="wp-caption aligncenter" style="width: 458px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/031.jpg"><img class="size-full wp-image-710 " src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/031.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Caminho da roça!</p></div>
<p style="text-align:center;"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/041.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-711" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/041.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<div id="attachment_712" class="wp-caption aligncenter" style="width: 458px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/051.jpg"><img class="size-full wp-image-712 " src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/051.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Pra não dizerem que eu não falei das flores.</p></div>
<p style="text-align:center;"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/061.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-714" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/061.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/071.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-716" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/071.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/08.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-717" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/08.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/09.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-718" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/09.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/10.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-719" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/10.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p>Bem, não posso deixar de me lembrar de um dos melhores livros que já li, Terra dos Homens, de Saint Exupery, talvez meu escritor favorito. Comprei o exemplar num velho sebo de Juiz de Fora e o estado envelhecido do livro combinou de forma incrível com a poesia que existe em suas páginas. O autor de O Pequeno Príncipe narra uma série de episódios que viveu enquanto piloto de guerra, cada qual mais repleto de seu espírito. Ele descreve assim uma casa onde, com seu companheiro, passou uma noite:</p>
<p>&#8220;Que estranha casa! Grossa, maciça, quase uma cidadela. Um castelo de lenda que oferecia, uma vez passado o portal, um abrigo tão pacífico, tão seguro, tão protegido como um mosteiro (&#8230;). Ali tudo estava descuidado, adoravelmente em ruínas qual uma velha árvore coberta de musgo que a velhice alquebrou. Como um banco de madeira em que os pares amorosos vão se sentar através das gerações. O madeiramento apodrecido, os batentes ruídos, as cadeiras cambaias. Mas tudo limpo, limpo com uma espécie de fervor. Tudo asseado, encerado, brilhante. A sala de visitas tinha uma fisionomia extraordinariamente intensa, como a de uma velha cheia de rugas. Rachas das paredes, rasgões do forro, tudo isso eu admirava, e, acima de tudo, o assoalho que afundava aqui e oscilava mais adiante, como ponte mal segura, mas sempre envernizado, polido, lustroso. Estranha casa que não sugeria nenhum negligência, nenhuma displicência e sim um respeito extraordinário. Cada ano juntava, sem dúvida, alguma coisa ao seu encanto, à complexidade de sua fisionomia (&#8230;). Como deveriam ser os porões se a sala de visitas já continha as riquezas de um porão! Quando já se adivinhava ali que bastava abrir um armário para que aparecessem maços de cartas amareladas, maços de recibos do bisavô, e chaves em maior número que todas as fechaduras da casa, chaves das quais nem uma, com certeza, serviria em fechadura nenhuma&#8230; Chaves maravilhosamente inúteis que perturbam a razão, que fazem sonhar com subterrâneos, cofres ocultos e moedas de ouro&#8230;”</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/11.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-720" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/11.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/12.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-721" title="A hospitalidade está latente quando a cozinha é o primeiro lugar a se visitar na casa, dá intimidade." src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/12.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/13.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-723" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/13.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<div id="attachment_724" class="wp-caption aligncenter" style="width: 458px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/14.jpg" target="_blank"><img class="size-full wp-image-724 " src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/14.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Ainda funciona.</p></div>
<p style="text-align:center;"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/15.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-725" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/15.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/16.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-726" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/16.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/17.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-727" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/17.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/18.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-728" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/18.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<div id="attachment_729" class="wp-caption aligncenter" style="width: 458px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/19.jpg" target="_blank"><img class="size-full wp-image-729 " src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/19.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Fé.</p></div>
<p style="text-align:center;"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/20.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-730" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/20.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/21.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-731" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/21.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/22.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-732" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/22.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/23.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-733" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/23.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/24.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-734" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/24.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/25.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-735" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/25.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<div id="attachment_736" class="wp-caption aligncenter" style="width: 458px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/26.jpg" target="_blank"><img class="size-full wp-image-736 " src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/26.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Isso, acreditem, é uma presa de porco, que D. Luisinha guarda há muitos anos e mostra como curiosidade. Minhas indiretas para ganhar um presente exótico foram inúteis...</p></div>
<p style="text-align:center;"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/27.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-737" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/27.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/28.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-738" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/28.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<div id="attachment_739" class="wp-caption aligncenter" style="width: 458px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/29.jpg" target="_blank"><img class="size-full wp-image-739 " src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/29.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Outra relíquia guardada a sete chaves, uma prova que o irmão já falecido realizou em 1944.</p></div>
<div id="attachment_740" class="wp-caption aligncenter" style="width: 458px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/30.jpg" target="_blank"><img class="size-full wp-image-740 " src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/30.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">&quot;Não há palavras pra explicar o que eu sinto.&quot;</p></div>
<p style="text-align:center;"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/31.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-741" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/31.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<div id="attachment_742" class="wp-caption aligncenter" style="width: 458px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/32.jpg" target="_blank"><img class="size-full wp-image-742 " src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/32.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Ainda funciona.</p></div>
<p style="text-align:center;"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/33.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-743" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/33.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<div id="attachment_744" class="wp-caption aligncenter" style="width: 458px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/34.jpg" target="_blank"><img class="size-full wp-image-744 " src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/34.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Uma lamparina, hoje aposentada.</p></div>
<div id="attachment_745" class="wp-caption aligncenter" style="width: 458px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/35.jpg" target="_blank"><img class="size-full wp-image-745 " src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/35.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Voltando pra casa...</p></div>
<div id="attachment_746" class="wp-caption aligncenter" style="width: 458px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/36.jpg" target="_blank"><img class="size-full wp-image-746 " src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/36.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Entrada para a casa de um vizinho. Tentador avançar pela alameda e descobrir o que existe depois da curva.</p></div>
<p style="text-align:center;"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/37.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-747" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/37.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/38.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-748" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/38.jpg?w=460" alt="Tansville a vista!"   /></a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/39.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-749" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/39.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/40.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-750" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/05/40.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
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			<media:title type="html">Tansville a vista!</media:title>
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		<title>Abdução por Extraterrestres – Uma Análise Geral</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Feb 2010 02:30:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>floreslivroselua</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><em>“Sonhos realistas de ter sido levado para uma sala estranha ou estar enclausurado em locais onde foram realizados procedimentos intrusivos; lapsos de memória de uma hora ou mais são indicadores comuns tanto em crianças quanto em adultos”.</em> Assim começa John Mack em UFO 56, de janeiro de1998, numa das mais completas e brilhantes matérias da revista sobre o tema. Psiquiatra, à época professor na universidade de Harvard e especialista em abdução, ele continua dizendo que a vítima pode, nos dias subseqüentes, ser importunada por sonhos vívidos onde uma ou mais presenças se insinuam no quarto ou corredor, não raro acompanhados por um estranho zumbido, sensação de sonolência ou de estar paralisado.</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/001.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-692" title="001" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/001.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p>Apesar de terem relatos de contatos que duram toda a vida, estendendo-se às vezes por até três gerações, é na adolescência que eles se tornam mais <em>“sérios e perturbadores”.</em> Mesmo que não se lembrem de suas experiências, os contatados passam a apresentar sintomas depressivos e de ansiedade podendo resvalar, em casos extremos, em mudança de personalidade. A relação humano/alienígena varia muito nos que guardam a lembrança da experiência, onde os ETs podem aparecer tanto como curandeiros quanto como anjos ou até mesmo demônios.</p>
<div id="attachment_752" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/334_3058-ets2.jpg"><img class="size-full wp-image-752" title="334_3058-ets2" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/334_3058-ets2.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">As percepções da experiência variam de acordo com a época, sociedade ou crenças pessoais da vítima.</p></div>
<p>Costumeiramente desenvolve-se no abduzido medo de hospitais ou qualquer aparelho cirúrgico, fobia de escuro, de ficar sozinho, de aeronaves e animais, especialmente répteis ou insetos.</p>
<p>Sons, odores ou imagens podem provocar mal-estar sem motivo aparente, além de sonhos estranhos e pesadelos que se repetem sempre com o mesmo tema.</p>
<p>Marcas estranhas no corpo podem surgir da noite para o dia. Cicatrizes, cauterizações, arranhões ou cortes, ou mesmo sangramentos inexplicáveis por orifícios do corpo.</p>
<p>DO FILME:</p>
<p>Ano passado estava eu no cinema em Juiz de Fora quando vi o cartaz de <em>Contatos de Quarto Grau</em>. Só por ele dava para perceber que os alienígenas não seriam tratados com o mesmo romantismo idealizado por Spielberg em <em>Contatos Imediatos de Terceiro Grau</em>.</p>
<div id="attachment_665" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/02.jpg"><img class="size-full wp-image-665" title="02" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/02.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Contatos de Quarto Grau: estilo realista e modo de divulgação deixam o espectador na dúvida.</p></div>
<p>No início de 2010, eu tinha combinado de ir com dois amigos assistir <em>Sherlock Holmes</em> (eu pela segunda vez), mas quando cheguei finalmente no guichê depois de uma longa fila os ingressos haviam se esgotado. Para não perder a viagem, acabei comprando uma entrada para<em> Contatos</em>, que havia estreado na sexta. Eu estava ansioso para ver o filme mas tinha planos de esperar algumas semanas, já que detesto sala de cinema lotada. Assistindo naquela segunda, porém, fiquei livre de um grande arrependimento já que, por um fator que ignoro, o filme ficou apenas uma semana em exibição.</p>
<p>Mesmo assim saí do cinema com raiva, porque a sala estava realmente muito cheia e atrás de mim sentou-se um idiota que ficava fazendo comentários condizentes ao seu tipo psicológico o tempo todo, aff&#8230; Portanto, assisti ao filme sem conseguir mergulhar no clima da história, que achei fantástica. Eu já havia começado a estudar sobre o tema para postar aqui no blog desde o ano passado, e confesso que em minhas leituras nunca percebi o fenômeno com tal grau de horror, só não sei dizer se o filme exagerou ou se ler uma matéria de revista no conforto do lar não permite uma percepção tão íntima da experiência quanto imagens e sons digitais.</p>
<p>A história do filme é verdadeira? Sinceramente não sei, e não consegui achar nenhum site que apresentasse informações confiáveis sobre isso, a internet ficou povoada com comentários e opiniões discordantes sobre o filme, de modo que é difícil pra mim chegar a alguma conclusão sobre isso. Vale à pena assisti-lo? Com certeza, eu estou esperando sair em DVD pra rever com mais calma, capturando os detalhes. Convenhamos que valeria a pena mesmo que fosse só pra ver os olhos azuis de Milla Jovovich&#8230;</p>
<div id="attachment_666" class="wp-caption aligncenter" style="width: 469px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/03.jpg"><img class="size-full wp-image-666" title="03" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/03.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Milla Jovovich, sou fã dessa mulher desde sua atuação em  O Quinto Elemento.</p></div>
<p>O tema, entretanto, é interessantíssimo, e aqui reuni o que tinha extraído de algumas revistas Ufo e um livro: <em>Identidades Alienígenas</em>. Todos os créditos estão explícitos e espero que minha edição tenha ficado coerente e, principalmente, interessante. O site oficial da revista pode ser conferido <a href="http://www.ufo.com.br/"><strong>aqui.</strong></a> Não estou fazendo propaganda gratuita, a revista é exemplo de seriedade no estudo dos extraterrestres, e merece todo o meu respeito.</p>
<div id="attachment_758" class="wp-caption aligncenter" style="width: 430px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/ufo.jpg" target="_blank"><img class="size-full wp-image-758 " src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/ufo.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Revista Ufo, exemplo de seriedade no estudo dos extraterrestres.</p></div>
<p>Enquanto lia e escrevia essa postagem, não podia deixar de pensar em dois amigos os quais admiro muito mas que posicionam-se de maneiras discordantes quanto assunto: Matheus  Matos, um verdadeiro irmão a quem conheço desde pelo menos os oito anos de idade e a quem poderíamos denominar genericamente de cético (embora na vida real as pessoas não se encaixem tão perfeitamente nesses padrões reducionistas) e o grande Bruno Moraes, um cara extraordinário que conheci nas malhas da internet graças a Charles Darwin e que, como eu, é um entusiasta apaixonado dos extraterrestres, embora possua conhecimentos muito mais avançados que este pobre autor. Pensei muito nos dois enquanto escrevia, principalmente porque ambos se mostraram (ingenuamente?) ansiosos por minhas palavras nessa postagem em especial. Esse post é dedicado a vocês.</p>
<p>Aos demais, boa leitura.</p>
<p>COMO SE PROCESSA A ABDUÇÃO:</p>
<p>Em geral os indivíduos narram um estado de paralisia, juntamente com a visão de uma luz azulada que penetra no quarto e a audição de um zumbido. São então levados flutuando de suas casas (atravessando objetos sólidos) até uma nave luminosa que os espera do lado de fora, onde ingressam através um portal intensamente iluminado.</p>
<div id="attachment_753" class="wp-caption aligncenter" style="width: 416px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/hollomanufocontact53.jpg" target="_blank"><img class="size-full wp-image-753 " title="hollomanufocontact53" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/hollomanufocontact53.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Em memórias conscientes, lembranças da nave podem ocorrer ou não. </p></div>
<p>Lá dentro podem ser deixados sozinhos por um longo tempo numa sala pequena, de paredes curvas e luz indireta (o teto costuma ser claro e o chão escuro). Geralmente estão deitados sobre uma mesa fria, às vezes há menção de um corredor. Um detalhe recorrente é sobre as portas, que ao se fecharem, “somem” na parede. Computadores, telas e aparelhos cirúrgicos são observados sobre balcões e nichos.</p>
<p>TIPOLOGIA DOS SEQUESTRADORES:</p>
<p>Os seres descritos são de vários tipos: De entidades luminosas não-corpóreas de diferentes tamanhos até criaturas reptilianas ou com aparência de insetos.</p>
<p>Aqui devo fazer um adendo e expor minhas próprias opiniões, longe de terem caráter profissional. Creio que os relatos envolvendo criaturas humanóides com aparência de animais comumente causadores de asco possa ser um mecanismo da mente de esconder o real aspecto dos seres, demasiado impactante para o consciente. Isso até é mostrado no filme, onde uma coruja serve de “símbolo” consciente, já que guarda semelhanças com os alienígenas pela pele alva e olhos imensos.</p>
<div id="attachment_669" class="wp-caption aligncenter" style="width: 469px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/06.jpg"><img class="size-full wp-image-669" title="06" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/06.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">A consciência pode utilizar imagens cotidianas como máscaras para o insuportavel....</p></div>
<p>Penso que na maioria dos casos o inconsciente tenderia a guardar tudo, mas a experiência vivida é de tal forma impactante que extravasa de alguma forma, conectando os algozes do evento traumático com criaturas difamadas no imaginário popular. Essa é uma opinião minha e que não goza de lá muita base acadêmica.</p>
<p>Seres altos, de aparência nórdica são comuns em experiências com mensagens espirituais; em casos mais raros essas entidades trabalham lado a lado com humanos, ou mesmo robôs.</p>
<p>De longe, porém, as criaturas mais relatadas são humanóides pequenos e cinzas, os grays. Eles executam várias tarefas tanto dentro quanto fora da nave, impassíveis.  Abduzidos de diferentes partes do mundo relataram que seu modo de caminhar é bastante incomum, já que eles parecem deslizar. Esses seres são liderados por uma entidade maior, o “doutor”, como as vítimas costumam denominá-lo.</p>
<div id="attachment_670" class="wp-caption aligncenter" style="width: 365px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/07.jpg"><img class="size-full wp-image-670" title="07" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/07.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Extraterrestres do tipo gray demonstram &quot;pouca ou nenhuma compaixão com seres humanos&quot;.</p></div>
<p>Segundo Mack, <em>“os grays registrados tem cabeça grande, em forma de pêra, com uma protuberância na parte de trás, braços compridos com três ou quatro longos dedos, tronco fino e pernas espichadas. Os seres não tem pelos nem orelhas, possuem narinas rudimentares e um fino traço como boca, que raramente se abre ou expressão emoção. Não foram vistas genitálias externas, em raras exceções. De longe, a característica que mais se destaca são os enormes olhos negros que se curvam para cima. Não parecem ter pupilas, apesar de, ocasionalmente, serem comparados a uma espécie de olhos dentro do olho, como se a parte preta externa fosse uma espécie de óculos. Os olhos tem um poder dominador, e os abduzidos em geral sentem medo de fixar o olhar neles”.</em></p>
<p>O líder apresenta os mesmos traços, diferenciando-se por ser mais alto e aparentar mais idade. Muitas vítimas denominam essa entidade de &#8220;doutor&#8221; e vêem nele uma espécie de ser espiritual com quem conseguem se comunicar e compartilhar  emoçoes complexas, como amor.  Em casos de experiências desse tipo, a ansiedade e o pânico da vítima são amenizados por controle mental ou aplicação de anestesia. Mas nem sempre é assim, principalmente em relatos onde descrevem-se os alienígenas do tipo gray. Eles demonstram frieza e até crueldade diante do abduzido, e o que se sente é um terror tão profundo quanto o exibido em <em>Contatos de Quarto Grau.</em></p>
<p><em><br />
</em></p>
<div id="attachment_754" class="wp-caption aligncenter" style="width: 342px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/et.jpg" target="_blank"><img class="size-full wp-image-754 " title="et" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/et.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">A visão divinizada dos alienígenas é tão comum que têm criado seitas pelo mundo afora, onde comumente os integrantes sofrem lavagem cerebral por pessoas pouco honestas. É a perigosa Ufolatria.</p></div>
<p><em> </em>SOBRE OS PROCEDIMENTOS:</p>
<p>Geralmente o abduzido é despido e amarrado sobre uma mesa de metal com encaixe para o corpo, onde então é submetido a uma série de experiências biológicas. São estudados com intensidade e muito interesse, com os olhos imensos dos sequestradores muito próximos à cabeça da vítima, o que pode acarretar na sensação de que suas memórias estão sendo reviradas ou absorvidas.</p>
<p>Pele, unha, cabelo e outras amostras são extraídas por uma série de aparelhos cirúrgicos, detalhadamente descritos. Às vezes ocorrem complexas cirurgias no crânio, onde muitos abduzidos acreditam terem sido implantados um chip que permite monitorá-los ou aos seus pensamentos.</p>
<p>Porém os procedimentos mais importantes parecem se concentrar no sistema reprodutor. Instrumentos são inseridos no abdômen ou órgãos genitais para a extração de células germinativas ou mesmo fetos.</p>
<p>Liliana e Eduardo Grosso, em matéria à Ufo 64, de maio de 1999, revelam características genéticas nas vítimas que supostamente são de interesse dos abdutores. Ufólogos profissionais, dedicaram a vida ao estudo dos extraterrestres. Eles descobriram similaridades no tipo de genética entre os abduzidos. Mais surpreendente, perceberam que os filhos e filhas dos seqüestrados <em>“nem sempre tinham o mesmo tipo sanguíneo e fator RH de seus progenitores &#8211; o que é imensamente incomum.”</em></p>
<p>Outra coisa observada foram os locais escolhidos para os procedimentos que deixam marcas na pele, sempre sobre ossos mais evidentes como clavícula, costelas, no quadril sobre o osso ilíaco e sobre a tíbia da perna esquerda. Também observaram numero significativo de sangramentos pelo nariz, vagina e reto. Já <em>“os cortes com aparência de cicatrizes aparecem em geral por trás da orelha direita e nas costas, o que nos faz supor que sejam resultados de processos da extração de algo, enquanto as regiões com sangramentos indicam ferimentos para a introdução de objetos.”</em></p>
<p><em> </em></p>
<div id="attachment_673" class="wp-caption aligncenter" style="width: 469px"><em><em><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/10.jpg"><img class="size-full wp-image-673" title="10" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/10.jpg?w=460" alt=""   /></a></em></em><p class="wp-caption-text">A personagem vivida por Milla recebe uma marca na omoplata em virtude de uma espécie de biopsia. Cicatrizes inexplicáveis sobre os ossos mais evidentes do corpo são constantes na literatura ufológica.</p></div>
<p><em> </em></p>
<p>A maioria dos abduzidos, também, parece possuir sangue com fator RH positivo.</p>
<p>Alterações fisiológicas também são perceptíveis, como a audição de ruídos muitas vezes ensurdecedores após esse tipo de experiência, ou a produção de grande quantidade de urina. Isso pode estar relacionado a procedimentos realizados em regiões cerebrais responsáveis por essas áreas do funcionamento do corpo. Houve constatação também de um leve aumento dos glóbulos brancos, o que pode ser uma reação natural de defesa contra infecções provocada pela introdução de objetos estranhos.</p>
<p>Mais de uma vítima relatou a presença de uma “bolinha” que se dilata e contrai na zona faringiana, causando dor.</p>
<p>Importante salientar que na grande maioria das vezes as abduções ocorrem com mulheres, justamente no período de amadurecimento dos órgãos sexuais o que, aliás, pode ser adiantado por procedimentos realizados durante a infância. Existem casos documentados de meninas com sangramento aos sete ou oito anos de idade.</p>
<p>Quanto ao aspecto psicológico, Liliana e Eduardo garantem que todos os integrantes de seu extenso universo amostral gozam de perfeita saúde mental, sendo pessoas honestas que não buscavam qualquer tipo de publicidade.</p>
<p>Abduzidos também permanecem algum tempo com a capacidade de causar danos a equipamentos elétricos e eletrônicos apenas de passar perto, ou tocar.</p>
<p>Como pesquisadores profissionais, os autores acreditam que os alienígenas estejam interessados em nossa constituição genética, não só da nossa isoladamente, mas talvez com o propósito de criar seres híbridos, já que existe uma explícita insistência desse tipo de experiência nos relatos. Há casos de mulheres grávidas após esses encontros, o que dura geralmente três meses até a interrupção da gravidez. Ainda que muitos defendam a hipótese de aborto espontâneo, é curioso que não tenha havido grandes perdas de sangue ou visualização dos fetos.</p>
<p>Dentro dos interesses, talvez esteja também algum ligado à nossas emoções que, segundo os relatos, eles parecem não possuir ou entender, e pelas quais se sentem imensa atração.</p>
<p>SEQUELAS:</p>
<p>Além dos traumas produzidos pela série torturante de experiências, algumas altamente intrusivas, existe ainda a sensação de isolamento que o abduzido sente com relação às outras pessoas, ou mesmo com a realidade. As vítimas, como todos nós, foram criadas com a idéia de que estamos sozinhos na Terra e, caso um contato com seres de outro mundo ocorresse, teríamos contato também com uma tecnologia muito mais avançada, porém semelhante à nossa. Quando sentem que estão em contato com uma realidade diferente da vivida em nosso universo físico, muitos tendem a negar a experiência, preferindo a esperança (ou o temor) de haver uma explicação psicológica ou mesmo psiquiátrica para explicar aquilo. Seja qual for à reação, é certo que a maioria prefere silenciar sobre suas experiências.</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/nave1.jpg" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-755" title="nave1" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/nave1.jpg?w=460" alt=""   /></a></p>
<p>Mack aponta uma tendência dos estudiosos em aceitar relatos que mais se encaixem na nossa percepção de realidade e rejeitar outros que possam não ter coerência com nossa percepção de espaço/tempo ou qualquer outro aspecto do ponto de vista físico. Porém, ele argumenta que o fenômeno em si é tão bizarro que rejeitar algumas experiências em favor de outras parece ilógico.</p>
<p>Pensando nisso, ele distingue três tipos ou níveis do fenômeno:</p>
<p>1º  -  Os relatos se encaixam bem dentro das leis que regem nosso universo físico conhecido: contato visual ou por radar, implantes ou marcas deixadas nos corpos das vítimas, solo chamuscado onde se relata ter havido um pouso, etc.</p>
<p>2º &#8211; Fenômenos concebíveis em teoria, mas que utilizam meios tecnológicos milhares de anos à nossa frente: o modo de locomoção das naves, o desligamento da memória, o modo pelo qual fazem o abduzido flutua para fora de casa ou atravessa objetos sólidos, criação de fetos híbridos, controle da mente, etc.</p>
<p>3º &#8211; Fenômenos totalmente inexplicáveis pela nossa ciência: <em>“(&#8230;) o aparente domínio de viagens mentais realizadas pelos ETs e às vezes pelas próprias vítimas, a sensação de que os acontecimentos não se deram em nosso universo espaço-temporal, a percepção de outras vastas realidades, a profunda sensação de retornar à fonte do ser e da criação ou da consciência cósmica, a experiência de uma dupla identidade humano/alienígena (&#8230;) e o convincente reviver de vidas passadas.”</em></p>
<div id="attachment_679" class="wp-caption aligncenter" style="width: 391px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/25.jpg"><img class="size-full wp-image-679" title="25" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/25.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Projeções da consciência, viagens a outros universos ou dimensões podem provocar no abduzido uma mudança radical em sua personalidade.</p></div>
<p>É interessante relembrar que nem todas as pessoas abduzidas sofrem experiências traumáticas. Algumas revelam “curas milagrosas” que vão desde a cicatrização de um pequeno machucado até doenças graves, como leucemia infantil. Outros parecem ser selecionados para receber instrução ou vivências espirituais por seres luminosos.</p>
<div id="attachment_680" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/13.jpg"><img class="size-full wp-image-680" title="13" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/13.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Contatos com entidades de luz estão geralmente relacionados com mensagens sobre o futuro da Terra.</p></div>
<p>Geralmente esse tipo de contato é possível após uma mudança no modo de relacionamento entre a vítima e os abdutores. Isso á raro mesmo porque, apesar de lúdicos na infância, na maioria das vezes as experiências tendam a se tornar mais perturbadoras durante a puberdade, quando se iniciam os projetos reprodutivos. Mas com a repetição dos seqüestros, e à medida que o abduzido se rende à sua condição de impotência, parece haver uma relação mais recíproca, até mesmo de amor. Existem, é claro, aqueles que acreditam que esse tipo de mudança é na verdade um mecanismo inconsciente que visa mascarar o pânico e a dor. Segundo Mack, porém, é difícil na área da transformação espiritual separar causa de efeito. De qualquer modo a morte real ou disfarçada do ego tende a elevar o fenômeno da abdução para outro nível, onde há contato direto com a transcendência, uma vivência muitas vezes impossível de ser relata por palavras.</p>
<div id="attachment_756" class="wp-caption aligncenter" style="width: 427px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/casal-first_contact-extraterrest-00.jpg" target="_blank"><img class="size-full wp-image-756 " title="CASAL FIRST_CONTACT EXTRATERREST ,00" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/casal-first_contact-extraterrest-00.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Sentimentos indescritíveis de comunhão com o cosmos podem ser experimentados.</p></div>
<p><em>“Quando isso ocorre durante uma sessão de hipnose &#8211; </em>escreve Mack<em> &#8211; surge uma forte e indescritível sensação de alegria”.</em></p>
<p>Nesses casos, a consciência é experimentada como algo independente do corpo, tornando possível outros tipos de experiências transpessoais.</p>
<p><em>“Ocorre identificação da consciência com tipos praticamente intermináveis de seres e entidades através do espaço-tempo. Por exemplo, um abduzido brasileiro, que descobriu que os seus contatos com os alienígenas o deixaram aberto à identificação com mitos e entidades espirituais de sua cultura folclórica, da qual havia sido desligado pelo seu treinamento científico e intelectual ocidental (&#8230;). Emoções como estupefação, respeito pela natureza e um elevado sentido do que é sagrado no mundo natural são experimentados.”</em></p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/15.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-682" title="15" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/15.jpg?w=460&#038;h=309" alt="" width="460" height="309" /></a></p>
<p>Agora, enquanto reviso esse texto, não posso deixar de me lembrar de um livro que li ano passado, Solidão, onde o autor discorre largamente sobre o que Freud denominava “regressão”. Segundo ele, toda vez que vivenciamos uma experiência de plenitude, de comunhão com o universo, seja quando estamos apaixonados ou quando somos tomados de uma súbita emoção ou inspiração, o que ocorre na verdade é uma regressão a um estágio mental de quando não tínhamos noção de unidade. Isso pode ser relacionado às experiências ditas espirituais vividas por determinadas vítimas, numa visão cética, obviamente.</p>
<p>Um aspecto importante da abdução são as informações muitas vezes passadas pelos alienígenas, o que pode mudar a vida do abduzido para sempre. Eles descrevem receber um profundo sentimento de união com o universo e uma preocupação com o destino da Terra, de longe o tema mais popular das mensagens. Imagens de terremotos, holocaustos, guerras nucleares ou outras tragédias podem ser vistas pelo abduzido em telas semelhantes a TVs ou transmitidas por processo telepático.</p>
<p>Existem teorias divergentes dentro da ufologia quanto a esse tema recorrente no fenômeno da abdução.</p>
<p>Alguns pesquisadores acreditam que as mensagens visam alterar positivamente o nosso futuro através da conscientização do que poderá acontecer. Outros sustentam o contrário, afirmando que os aliens tomariam atitudes mais consistentes se estivessem preocupados com o nosso bem estar. Na verdade, sustentam eles, os alienígenas querem nos fazer acreditar que estão preocupados com o destino do nosso planeta porque planejam invadir a Terra, talvez sob o pretexto de salvá-la de nós ao estilo do que ocorre no filme <em>O Dia em Que a Terra Parou</em>.</p>
<p>HIPNOSE &#8211; PRÓS E CONTRAS:</p>
<div id="attachment_683" class="wp-caption aligncenter" style="width: 454px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/26charcot.jpg"><img class="size-full wp-image-683" title="26charcot" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/26charcot.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Já no século XIX Charcot conduzia seus estudos com a hipnose na França, de onde Freud absorveu seus conhecimentos iniciais sobre o tema.</p></div>
<p>A maior parte das vítimas relata suas experiências através de hipnose. A maioria dos psicólogos, porém, não dá crédito aos relatos obtidos por esse meio, uma vez que ele apresenta um tendência à fantasia. É por esse motivo que os testemunhos obtidos com hipnose não são aceitos nos tribunais. Mesmo Freud ou Jung a abandonaram após perceber que os relatos proferidos pelo paciente em estado hipnótico estavam recheados por elementos do inconsciente que não condiziam com a verdade histórica, mas sim com uma verdade pessoal, fenômeno conhecido como “confabulação”. Isso tem se tornado o principal argumento dos que defendem uma teoria psicológica para o fenômeno da abdução por alienígenas, senão para toda a casuística Ufo.</p>
<p>No livro <em>Identidades Alienígenas</em>, o autor Richard L. Thompson, vai além da polêmica quanto à sugestibilidade inerente ao processo, afirmando que é possível ainda que os hipnotizadores estimulem a fantasias com perguntas capciosas.</p>
<p>Ele admite que, mesmo feita por especialistas respeitados, os pacientes em hipnose recebem um fluxo intenso de elementos do inconsciente que podem se misturar às lembranças reais e distorcer o que realmente aconteceu.</p>
<p>O autor ilustra esse lado controverso do tema com o caso de um jovem fã de ficção-científica, em especial da série <em>Jornada nas Estrelas</em>. Sob hipnose, ele alegava ter tido uma vida anterior não-humana, onde era um importante general incumbido de conquistar novos planetas e estender o domínio de sua raça. Obviamente tal história foi construída de maneira inconsciente por uma personalidade propensa à fantasia e ao escapismo.</p>
<div id="attachment_684" class="wp-caption aligncenter" style="width: 469px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/17.jpg"><img class="size-full wp-image-684" title="17" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/17.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Traumas e desejos podem se misturar às lembranças reais e emergir durante a hipnose. É a confabulação.</p></div>
<p>Alvin Lawson, um professor norte-americano de fato conseguiu produzir histórias de raptos por extraterrestres influenciando os pacientes voluntários com esse método de influência. Ele publicou uma teoria muito interessante onde defende que as cenas de rapto envolvendo seres com cabeças grandes e corpos esguios se baseiam em memórias do trauma do nascimento e de nossa morfologia corpórea enquanto fetos.</p>
<p>Entretanto seu trabalho foi invalidado pouco tempo depois por vários estudiosos da área. Por exemplo, nas histórias produzidas por suas oito cobaias, surgiram seis tipos de entidades, sendo que quatro nunca apareceram na literatura ufológica. Além disso, seu espaço amostral foi pequeno demais e a teoria da memória fetal é infundada pois as pessoas não vêem a si próprias nem às outras durante o nascimento.</p>
<p>O inconsciente coletivo, a histeria de massas e outras teorias semelhantes são muitas vezes usadas para explicar o fenômeno ufo de maneira racional. Em minha opinião, a psicologização é um modo confortável e respeitoso que muitos interessados utilizam para estudar os discos voadores e seus tripulantes, afirmando que são os novos deuses criados pela mentalidade de uma sociedade que matou todos os seus. Muitos ainda, mesmo que creiam na realidade do fenômeno, utilizam esse manto de intelectualidade por temerem cair no ridículo.</p>
<div id="attachment_685" class="wp-caption aligncenter" style="width: 454px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/18.jpg"><img class="size-full wp-image-685" title="18" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/18.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">A psicologização é um manto confortável que (para algumas pessoas) serve para encobrir um interesse tido como duvidoso.</p></div>
<p>Por outro lado, os defensores da velha técnica lembram que nem todos os pacientes em estado hipnótico interrogados por ufólogos relatam experiências com alienígenas. Paralelamente, é comum em pacientes que trazem memória consciente do que viveram relatarem as mesmas coisas quando estão hipnotizadas.</p>
<p>O Dr. Thomas Bullard, PhD pela Universidade de Indiana e especialista em abduções, estudando mais de duzentos casos, percebeu que a diferença mais notável entre os dois tipos de relatos era de que os exames médicos foram mencionados com duas vezes mais freqüência com a hipnose do que com a lembrança consciente. Certamente isso se deve à natureza traumatizante dos procedimentos cirúrgicos, tornando-os mais passíveis de bloqueio.</p>
<div id="attachment_686" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/30.jpg"><img class="size-full wp-image-686" title="30" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/30.jpg?w=460&#038;h=345" alt="" width="460" height="345" /></a><p class="wp-caption-text">O aspecto dos seres e os procedimentos realizados criam camadas sucessivas de bloqueio, que podem ser suavizadas ou totalmente neutralizadas via hipnose.</p></div>
<p>Pode ocorrer também de informações obtidas sob hipnose serem confirmadas de modo independente. Por exemplo, um cirurgião chamado Paul Cooper ficou impressionado com a descrição de um exame feito em um rapaz simples, sem estudos, chamado Michael Bershad. O médico escreveu: <em>“Tudo o que me contou sobre o que fizeram com ele e como seu corpo reagiu correspondia exatamente ao que deveria ter acontecido se estimulassem os diferentes nervos que, segundo ele, foram tocados pelos seres. Eu até tentei desorientá-lo (&#8230;). É um rapaz decente que me impressionou de fato.”</em></p>
<p>Felizmente para os que acreditam na realidade do evento existem mais argumentos consistentes que apoiam as bases frágeis da hipnose.</p>
<p>Um deles é o relato independente, isto é, alguém de fora que observou um disco voador nas imediações onde ocorreu um rapto, ou mesmo além. Por exemplo o professor Budd Hopkins documentou um caso no qual viu uma paciente sua, Linda Cortille, ser transportada do 12º andar de seu prédio para o interior de uma nave que posteriormente mergulhou em um rio.</p>
<div id="attachment_757" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/hjhj.jpg"><img class="size-full wp-image-757" title="hjhj" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/hjhj.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Geralmente as abduções começam na infância, e existem relatos na literatura ufológica de crianças com menos de quatro anos.</p></div>
<p>Mais comumente nota-se o sumiço de um membro familiar durante uma hora ou mais, e mesmo que seja raro algumas pessoas podem reaparecer num local totalmente diferente com sintomas de desorientação. Ainda assim a maioria é devolvida no exato lugar onde foram retiradas, às vezes com pequenos “enganos”, como deitarem a vítima no lado contrário da cama ou com o pijama do avesso.</p>
<p>Uma jovem paciente do Dr. Mack relatou a abdução de uma colega de quarto. Ela viu quando a amiga voltou atravessando a porta e foi depositada na cama com a cabeça pendida, os cabelos escondendo o rosto, o que a fez acreditar que estivesse morta. Mais tarde ela própria teve suas experiências com aliens.</p>
<p>UNIVERSO PSICOLÓGICO DO ABDUZIDO:</p>
<p>Robert Banchs escreveu o melhor artigo que já li em Ufo (Ufo Especial 23, abril de 1998, p. 6). Doutor em psicologia, defende um <em>“posicionamento de ceticismo reflexivo”</em> quanto à maioria dos fenômenos ufológicos relatados. Longe de desdenhar, propõe <em>“uma visão extra do fenômeno, uma oportunidade excepcional para compreender a vasta realidade humana.”</em></p>
<p>Segundo ele, muitos relatos de abdução são na verdade meios que o inconsciente tem de resolver um trauma, o que confere ao tema uma complexidade muito maior, tirando as esperanças daqueles que, no início da casuística, acreditaram estar diante da prova final quanto à interferência extraterrestre em nosso mundo.</p>
<p>Basicamente, vimos que os alienígenas aparecem no papel de algozes, sequestrando a vítima, levando-a a um local desconhecido e realizando uma série de procedimentos experimentais de natureza traumática, ao fim das quais o abduzido é trazido de volta, muitas vezes com sequelas físicas e psicológicas.</p>
<p>Ora, não somos ingênuos e percebemos claramente a semelhança desse padrão básico com os <a href="http://floreslivroselua.wordpress.com/2009/08/03/joaozinho-maria-e-o-ritual-de-iniciacao/"><strong>ritos de iniciação</strong></a> que ocorrem em diferentes culturas espalhadas pelo mundo, o que leva alguns estudiosos a creditarem o fenômeno a uma <em>“fantasia de natureza inconsciente de um acontecimento anterior que desencadeia os relatos de abdução (&#8230;), sendo o relato do abduzido um intento de simbolizar uma via que encontra o inconsciente para a representação e resolução do trauma”</em>, palavras de Banchs.</p>
<p>Não raro ocorre emersão de conteúdo simbólico em alta relação à vivência do paciente, em especial seus traumas e desejos.</p>
<p>A muito comum sensação que o abduzido tem de que não mais é o mesmo por conta de alguma transformação espiritual coincide perfeitamente com a fase mitológica do herói onde ocorre morte e revivescimento, ou mesmo com a regressão freudiana.</p>
<p>Joseph Campbell já sugeria o esquema básico dessa jornada: separação, cruzamento do umbral, iniciação e retorno.</p>
<div id="attachment_688" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/21.jpg"><img class="size-full wp-image-688" title="21" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/21.jpg?w=460&#038;h=356" alt="" width="460" height="356" /></a><p class="wp-caption-text">Ah... O périplo do herói...Meu amigo Matheus vai adorar essa.</p></div>
<p><em>“O périplo mítico tende à restauração de uma ordem, é circular, volta ao começo. Mas é uma volta que se enriqueceu com o mal, com o inferno e o perigo. O herói muda de estado, o qual se transmuta com a aquisição de um novo nome ou uma nova categoria.”</em></p>
<p>À frente dessas questões eu abro um parênteses e pergunto: <em>Não seria possível que a experiência real desencadeasse o arquétipo?</em></p>
<p>O lugar da iniciação é um mundo maravilhoso, inacessível à outras pessoas, o Reino Dourado, a morada dos mortos da qual já falamos em nossa <a href="http://floreslivroselua.wordpress.com/2009/09/06/06-o-dragao-e-o-reino-dos-mortos/"><strong>história do dragão</strong></a>. A linguagem ufológica, impregnada com menções à naves ou vôos, pode ser comparada a linguagem xamânica.</p>
<div id="attachment_696" class="wp-caption aligncenter" style="width: 377px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/27.jpg"><img class="size-full wp-image-696" title="27" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/27.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">O soturno barqueiro Caronte é o responsável pela travessia do herói no panteão grego. Como nos mitos, encontramos nas histórias de abdução forte carga arquetípica.</p></div>
<p>Por outro lado, estudos parecem indicar uma regressão aos cenários perinatais, isto é, antes do nascimento. <em>“Isso ocorre toda vez que uma intensa situação de perseguição força o eu ao abandono da relação com a exterioridade e o impulsiona ao refúgio inicial da vida intra-uterina”.</em> Ou seja, quanto maior o bloqueio com o mundo exterior causado pela situação traumática, maior a fantasia.</p>
<p>Segundo Banchs, <em>“em suas narrações encontramos elementos que correspondem à representação do útero materno, onde se aloja o novo ser que está para nascer, inferindo em que se trata de um modo de dar cena à angústia que emerge naqueles testemunhos &#8211; eixo central desses relatos.”</em></p>
<p>O nascimento constitui o primeiro trauma, e será utilizado como modelo para toda a angústia posterior do indivíduo. Por exemplo, as alterações fisiológicas que nos atingem quando vivenciamos situações de ansiedade são as mesmas que ocorrem à criança ao nascer: asfixia transitória, taquicardia, sensação de opressão, etc. Do mesmo modo, existe até quem considere o túnel de luz narrado por tantas pessoas que experimentaram experiências de quase  morte como uma consequência do que o cérebro faz para dar sentido ao que está acontecendo, buscando em sua matriz um momento de semelhança quanto à estranheza da experiência.</p>
<div id="attachment_689" class="wp-caption aligncenter" style="width: 469px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/22.jpg"><img class="size-full wp-image-689" title="22" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/22.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Obviamente Freud não chegou a estudar os casos de abdução, mas suas teorias são utilizadas nessa área por seus seguidores. As correlações são interessantes, embora muito reducionistas. </p></div>
<p>A abdução se vincula, portanto, não apenas às experiências vividas individualmente, mas também as protofantasias, ou seja, elementos do inconsciente coletivo numa linguagem junguiana, e que Freud chamou de <em>“cenas”.</em></p>
<p>Antes do trauma provocado pelo parto, existe o paraíso da vida intra-uterina, também conhecida pelo belo nome de <em>“experiência oceânica”.</em> Lugar de gozo e contemplação no corpo materno.</p>
<div id="attachment_690" class="wp-caption aligncenter" style="width: 309px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/28.jpg"><img class="size-full wp-image-690" title="28" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/28.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Segundo a psicanálise, a experiencia oceânica do útero materno serve como base para nossa futura noção de bem estar, assim como o trauma do parto para a de desconforto. Céu e Inferno.</p></div>
<p>Em seguida vem o trauma no nascimento, que se relaciona com a idéia freudiana de castração. “<em>Para o pensamento mítico, antropológico</em> &#8211; continua Banchs &#8211; <em>essa castração ou separação corresponde à passagem de um estado para outro e adora as formas de uma transfiguração (&#8230;). Tais fantasias originárias são estruturas universais que a psicanálise reconhece como organizadoras do psiquismo, que possuem caráter comum: todas elas se referem às origens e tem uma importante relação com a vida sexual e com os sintomas reveladores de processos de fundo.”</em></p>
<p>E continua:</p>
<p><em>“Não há dúvidas de que o relato de uma abdução revela uma experiência traumática. Mas como toda recordação, o trauma é sempre uma recordação encobridora.”</em></p>
<p>Seguindo essa linha de pensamento, seria de se admitir, até mesmo, que o quarto representa o lugar ideal para se produzir a experiência. Ali se dorme, ali se sonha, se tem o contato com o inconsciente.</p>
<p>O fenômeno da abdução como retorno a uma estrutura mítica comum. <em>“Plenitude, vazio, o nada. Angústia e gozo. Êxtase místico, consciência cósmica ou transcendental, </em>estado<em> alterado da consciência. Experiência oceânica. Ante-sala, ventre materno, rito de iniciação, de passagem, que deixará sua marca.”</em></p>
<p>A essa altura da narrativa posso até ver meu amigo Matheus sorrindo de alegria e deleite, porém devo contrabalancear as teorias e agradar também ao Bruno, que certamente espera uma conclusão menos abstrata.</p>
<p>Richard Thompson, depois de discorrer largamente sobre os prós e contra da hipnose e o mito do herói que comumente parece fluir dela, discorre sobre um detalhe que julgo extremamente importante, que nada mais é que isso: Ele acha difícil que o inconsciente utilize formas tão específicas e principalmente muito recentes (ou inexistentes) na história humana quanto computadores de última geração, mesas com apenas um suporte, poltronas que se adéquam à forma do corpo ou portas que desaparecem na parede após serem fechadas, objetos tão repetidamente relatados por quem sofre esse tipo de experiência. Embora existam elementos inegavelmente arquetípicos nas narrativas, esses fatores discordantes apontariam sua realidade física, e posso dizer que estou de acordo com isso.</p>
<p><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/waking-life-2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-697" title="waking-life 2" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2010/02/waking-life-2.jpg?w=460&#038;h=274" alt="" width="460" height="274" /></a></p>
<p>Infelizmente as evidências físicas de uma abdução são em geral tão sutis que não podem ser consideradas determinantes como prova, mas Mack aponta cinco dimensões básicas para qualquer estudioso (principalmente os mais céticos) tentarem entender o fenômeno. Peço ao leitor que preste atenção a esses cinco tópicos, porque são realmente importantes:</p>
<p>1º &#8211; A altíssima consistência e grau de detalhamento dos relatos de abdução, narradas com emoção apropriada.</p>
<p>2º &#8211; A ausência de doença psíquica ou qualquer outro distúrbio psicológico o emocional das vítimas.</p>
<p>3º- As transformações físicas que afetam os corpos dos seqüestrados, sem qualquer padrão psicodinâmico conhecido.</p>
<p>4º &#8211; O avistamento de UFOs por outras pessoas independentes em locais e momentos onde ocorreram uma abdução.</p>
<p>5º &#8211; Relatos feitos por crianças com dois ou três anos de idade.</p>
<p>A interpretação fica a cargo de cada um, não foi minha intenção mudar a cabeça de ninguém, apenas fornecer material aos que interessam.</p>
<p>Para terminar, deixo-vos um depoimento do grande Carl Gustav Jung, falando a respeito do que pensava dos OVNIs:</p>
<p><em>“Tanto quanto sei, é um fato confirmado, apoiado por inúmeras observações, que os óvnis tem sido não apenas vistos a olho nu como também detectados nas telas de radar, além de terem deixado vestígios na chapa fotográfica (&#8230;). em resumo, nada mais é do que isto: ou as projeções psíquicas desenvolvem um eco de radar ou, então, o aparecimento de objetos reais nos propicia a oportunidade de experimentar projeções psíquicas.”</em></p>
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		<title>Burgess Shale e a Reforma Darwinista</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Dec 2009 23:51:47 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[No Sexto período da faculdade, tivemos que ler um livro e resumi-lo, além de construir um comentário pessoal no final do relatório. O nome é Vida Maravilhosa, de Stephen Jay Gould, que trata da evolução da vida no planeta Terra e de como alguns invertebrados inocentes do Cambriano mudaram nossa maneira de enxergá-la. Como o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=floreslivroselua.wordpress.com&amp;blog=7302497&amp;post=575&amp;subd=floreslivroselua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No Sexto período da faculdade, tivemos que ler um livro e resumi-lo, além de construir um comentário pessoal no final do relatório. O nome é Vida Maravilhosa, de Stephen Jay Gould, que trata da evolução da vida no planeta Terra e de como alguns invertebrados inocentes do Cambriano mudaram nossa maneira de enxergá-la.</p>
<div id="attachment_576" class="wp-caption aligncenter" style="width: 370px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/vida-maravilhosa.jpg"><img class="size-full wp-image-576" title="vida maravilhosa" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/vida-maravilhosa.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Eis o livro da vez.</p></div>
<p>Como o assunto é interessantíssimo, resolvi enxugar o máximo possível meus escritos originais e postá-los aqui no blog, para proveito de quem quer que se interesse. Boa leitura!</p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="text-decoration:underline;">1</span></strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="text-decoration:underline;">A Iconografia de uma Expectativa</span></strong></p>
<p style="text-align:center;"><span style="text-decoration:underline;"><br />
</span></p>
<div id="attachment_577" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/burgess.jpg"><img class="size-full wp-image-577" title="burgess" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/burgess.jpg?w=460&#038;h=345" alt="" width="460" height="345" /></a><p class="wp-caption-text">Burgess Shale, encravado nas geladas montanhas rochosas canadenses.</p></div>
<p>Encontrados nas Montanhas Rochosas canadenses, os fósseis de Burgess Shale constituem talvez os mais importantes do mundo, já que permitiram estudar um dos eventos mais obscuros envolvendo a vida na Terra: a explosão cambriana.</p>
<p>Tais preciosidades científicas foram descobertas por um dos maiores paleontólogos americanos, Charles Walcott, que os interpretou de forma equivocada, posicionando-os em um período de tempo muito mais recente, até que décadas depois Harry Whittington publicou uma série de trabalhos que mudaram nosso modo de ver a evolução.</p>
<p>Os animais escavados eram tão estranhos que se fez necessário criar filos diferentes para eles. Além de representantes de todos os quatro grandes grupos de artrópodes (trilobitos, crustáceos, quelicerados e unirremes) existem de 20 a 30 espécies que não podem ser colocadas dentro de nenhum filo existente nos dias de hoje.</p>
<p>Graças a eles sabemos hoje que a vida evolui através de extinções massivas seguidas de diferenciação dos sobreviventes, e <strong>não</strong> por uma caminhada segura e cada vez mais alta, em direção a um progresso ininterrupto.</p>
<p>Ao mesmo tempo, sabemos que o chamado “darwinismo social” se estendeu como uma praga entre os céticos radicais, causando desde pequenos erros racistas em publicações científicas até holocaustos inteiros.</p>
<p>“A marcha do progresso é a representação canônica da evolução &#8211; aquela imagem imediatamente captada e visceralmente compreendida por todos.” Até mesmo a palavra evolução se tornou sinônimo de progresso.</p>
<div id="attachment_578" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/evolucao_humana.jpg"><img class="size-full wp-image-578" title="evolucao_humana" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/evolucao_humana.jpg?w=460&#038;h=281" alt="" width="460" height="281" /></a><p class="wp-caption-text">Esse tipo de figura está de tal modo enraizado no nosso modo de pensar que é difícil acreditar que não corresponda a verdade.</p></div>
<div id="attachment_579" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/evolucao-atomica.jpeg"><img class="size-full wp-image-579" title="evolução atômica" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/evolucao-atomica.jpeg?w=460&#038;h=255" alt="" width="460" height="255" /></a><p class="wp-caption-text">Pior ainda quando a imagem se presta a piadas criativas sobre o futuro do homem em geral...</p></div>
<div id="attachment_580" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/a-evolucao-do-homi.jpg"><img class="size-full wp-image-580" title="a evoluçao do homi" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/a-evolucao-do-homi.jpg?w=460&#038;h=263" alt="" width="460" height="263" /></a><p class="wp-caption-text">...Ou de certas personalidades mais específicas. A própria palavra &quot;evolução&quot; virou sinônimo de &quot;progresso.&quot;</p></div>
<p>A figura de uma árvore que se expande a partir do tronco para visualizar a evolução e a diversificação dos seres vivos também não é muito apropriada quando pensamos em homoplasias ou na transferência lateral de genes por vírus nos vegetais. Talvez fosse mais apropriado pensarmos numa árvore em que os galhos voltam a se fundir vez por outra.</p>
<div id="attachment_581" class="wp-caption aligncenter" style="width: 401px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/arvore-da-vida.jpg"><img class="size-full wp-image-581" title="arvore da vida" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/arvore-da-vida.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Do mesmo modo, a metáfora de uma árvore de diversidade crescente, os mamíferos ocupando o topo, serviram para reforçar a mesma idéia por mais de um século.</p></div>
<p>Esse novo tipo de visão esbarra até mesmo no nosso conceito de lugar na evolução. Deixamos de ocupar o topo da árvore para figurarmos num canto miserável qualquer da periferia.</p>
<p>A árvore sugeria uma evolução previsível, que ia do simples ao mais complexo, a humanidade no auge. Hoje sabemos que a maioria das criaturas “simples” não são ancestrais do homem, mas ramos laterais independentes.</p>
<p>Os fósseis de Burgess, por sua idade extremamente avançada no registro geológico, deveriam apresentar simplicidade anatômica sendo, provavelmente, formas primitivas convivendo com animais modernos ou mesmo ancestrais de seres que conhecemos hoje. Mas isso não se deu.</p>
<p>Whittington e seus colegas descobriram que essas criaturas eram muito mais ricas em suas variações anatômicas do que é encontrado em nossos dias na natureza. A amplitude dessa variação foi diminuindo logo após o surto inicial, através de sucessivas extinções, com uma posterior diversificação contida nos planos básicos sobreviventes.</p>
<p>Muito embora o número de espécies hoje seja maior do que em qualquer época conhecida, essa variedade é baseada numa pequena amostra de tudo o que já viveu sobre a Terra.</p>
<div id="attachment_583" class="wp-caption aligncenter" style="width: 469px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/zebras_serengeti_savana_plains_tanzania1.jpg"><img class="size-full wp-image-583" title="Zebras,_Serengeti_savana_plains,_Tanzania" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/zebras_serengeti_savana_plains_tanzania1.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Toda a biodiversidade vivente hoje se irradiou de uma parcela ínfima de ancestrais que tiveram a sorte (?) de viver o suficiente para deixar descendentes.</p></div>
<p>Mas, a cada grande extinção, estariam os sobreviventes melhor equipados por terem sobrevivido ao desafio? Ou foi o simples acaso que os escolheu?</p>
<p>“Muitos grupos podem triunfar ou desaparecer por razões que nada tem a ver com o que serve de base para o êxito darwiniano em tempos normais.”</p>
<p>A evolução da vida seguiu um caminho único influenciado por bilhões de pequenos acasos que jamais voltariam a se repetir caso voltássemos no tempo e mudássemos um pequeno detalhe no inicio de tudo. Nem o homem ou qualquer outra espécie está viva hoje pode ser o ápice da evolução, somos apenas os escolhidos temporários de um meio ambiente que de quando em quando devasta grandes grupos biológicos.</p>
<p>Mas,“a rejeição da escada e do cone não nos joga nos braços do seu presumível oposto &#8211; o puro acaso.(&#8230;) Embora possamos compreender que o velho determinismo não pode mais ser aceito, achamos que nossa única alternativa está no desespero da pura casualidade. (p. 51)”</p>
<p>É o que na história recebe o nome de contingência, o poder do acaso  mesmo nos mínimos detalhes e que influenciarão os eventos futuros num nível cada vez maior por toda a eternidade.</p>
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;"><strong><span style="text-decoration:underline;">2</span></strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="text-decoration:underline;">Algumas Informações Sobre Burgess Shale</span></strong></p>
<p style="text-align:center;"><span style="text-decoration:underline;"><br />
</span></p>
<div id="attachment_584" class="wp-caption aligncenter" style="width: 469px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/copia-de-explosao.gif"><img class="size-full wp-image-584" title="Cópia de explosao" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/copia-de-explosao.gif?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">O aparecimento repentino de vida complexa no registro fóssil continua um mistério para a ciência moderna.</p></div>
<p>No inicio da Era Paleozóica, por exemplo, temos o súbito aparecimento de animais com partes duras. Os fósseis de Burgess Shale, por sua vez, datam de um tempo um pouco depois da grande explosão, cerca de 50 milhões de anos após o evento.</p>
<p>Enigmaticamente, o registro fóssil do Pré-Cambriano não contém registro de animais com características morfológicas parecidas com os que vêm logo a seguir, por isso o apropriado nome “explosão cambriana”, pois é como se todos os organismos mais complexos houvessem surgidos de repente sobre a Terra.</p>
<p>Por muito tempo, a ausência de fósseis no período anterior fez com que alguns criacionistas argumentassem que essa era a prova de que os organismos foram criados repentinamente por Deus. Seja como for, o assunto incomodava Darwin que, “sempre honesto ao expor as dificuldades encontradas por suas teorias”, dedicou uma parte de <em>A Origem das Espécies</em> ao estudo desse mistério. Ele usou a irregularidade do registro fóssil como argumento para a falta de evidência de vida anterior ao Cambriano.</p>
<div id="attachment_585" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/explosao2.jpg"><img class="size-full wp-image-585" title="explosao2" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/explosao2.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Existem, é claro, aqueles que vêem nisso o dedo de Deus.</p></div>
<p>De fato, só nas últimas décadas foram encontrados fósseis do Pré-Cambriano, mas são tão diferentes que não se pode traçar uma linha evolutiva contínua até seus descendentes, e o problema da diversificação explosiva permanece o mesmo, agora mais inquietante.</p>
<p>Pelo que sabemos, nos primeiro 2,4 bilhões de anos a vida permaneceu unicelular e procarionte. E mesmo quando ela surge, o tempo decorrido entre elas e os primeiros seres unicelulares é maior que o da explosão até nossos dias. A imperfeição do registro fóssil é algo que incomoda os evolucionistas, principalmente pela falta de partes moles preservadas. Isso é especialmente ruim porque a maioria dos animais não tem partes duras. Como conseqüência, grande parte do que sabemos sobre o passado vem de “locais de veio”, ou seja, grandes concentrações fósseis provocadas por condições especiais como sedimentação abrupta do ecossistema, ausência de oxigênio no local da deposição ou mesmo os tipos de bactérias responsáveis pela decomposição.</p>
<p>Burgess Shale é um desses veios, mas apresentando uma gama de variações anatômicas muito além da que existe hoje, uma característica exclusiva da primeira explosão de vida multicelular. Nos 500 milhões de anos subseqüentes, nenhum outro filo surgiria na Terra. Os cientistas se perguntam como tal variedade pode ter sido possível num período tão curto.</p>
<p>A descoberta desse rico veio fossilífero deve-se ao empenho e à paixão de um grande geólogo, Charles D. Walcott.</p>
<div id="attachment_586" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/walcott2.jpg"><img class="size-full wp-image-586" title="walcott2" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/walcott2.jpg?w=460&#038;h=568" alt="" width="460" height="568" /></a><p class="wp-caption-text">O espírito aventureiro levou Walcott à uma das maiores descobertas da história da ciência, porém os valores sociais da época o deixaram cego quanto à magnitude do que descobriu.</p></div>
<p>Nos últimos dias de agosto de 1909 ele encontrou as primeiras rochas e prosseguiu até o dia 7 de setembro, quando a neve o impediu de prosseguir, ainda que ele tenha muito provavelmente conseguido encontrar os leitos principais já nessa primeira temporada.</p>
<p>Na década de 1930, Percy Raymond, um professor de Harvard reabriu a pedreira, coletando mais espécimes. Foram basicamente esses espécimes que serviram de estudo sobre a fauna de Burgess Shale, pelo menos até a interpretação revolucionária conduzida  na década de 1960.</p>
<p>Nos verões de 1966 e 1967 vários cientistas usaram dinamite e helicópteros para extrair uma quantidade absurda de material, ainda que Whittington tenha espirituosamente observado que a maior revolução tenha sido a caneta com ponta de feltro, possibilitando marcar o fóssil logo após sua extração.</p>
<p>Em 1981 e 1982, Des Collins, sem permissão para explorar mais uma vez o sítio, escavou nas regiões circundantes e encontrou 12 novos veios, com espécies inéditas.</p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="text-decoration:underline;">3</span></strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="text-decoration:underline;">A Reconstrução de Burgess Shale</span></strong></p>
<div id="attachment_587" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/trilobita.jpg"><img class="size-full wp-image-587" title="trilobita" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/trilobita.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Burgess Shale e um de seus fósseis: Patrimônio da Ciência.</p></div>
<p>Apesar da importância das escavações de Whittington em 66 e 67, foram os velhos fósseis de Walcott que melhor serviram para formar a idéia revolucionária que Burgess proporcionou.</p>
<p>Podemos dizer resumidamente que quatro pessoas estiveram envolvidas diretamente na reinterpretação dos organismos:</p>
<p>Harry Whittington &#8211; iniciador do projeto e catedrático de geologia de Cambridge.</p>
<p>Simon Conway Morris, David Bruton e Derek Briggs &#8211; estudantes de pós-graduação.</p>
<p>Burgess, como se fosse mesmo um presente divino forjado no Cambriano, tem ainda a qualidade de fornecer fósseis tridimensionais, mesmo que numa minoria. Esses exemplares foram vitais para Whittington revelar estruturas anatômicas dos animais.</p>
<p>A sedimentação da lama podia ocorrer de forma abrupta, encerrando o organismo inteiro de uma só vez. Embora a grande maioria dos fósseis seja realmente muito comprimida, uma parcela deles não é, e basta que se retire cuidadosamente (as vezes grão por grão de areia) os folhelhos que constituem a rocha, adentrando o organismo quase como se ele tivesse acabado de morrer.</p>
<p>Whittington iniciou seus estudos com o gênero mais abundante de Burgess Shale, <em>Marella</em>. Até então, desde os tempos de Walcott essa criatura havia sido classificada dentro da classe Trilobita. Mas um especialista amigo de Whittington percebeu diferenças significativas com os trilobitas e contestou a antiga classificação, ainda que achasse que ele pertencesse ao grupo dos artrópodes. Até Whittington aparecer todos os cientistas fizeram isso, mesmo aqueles que não concordavam totalmente com Walcott. Parte dessa inércia se deve a idéia tradicionalista de que os fósseis representavam estágios primitivos de grupos viventes mais complexos. Chegou-se a fazer uma união taxonômica com base na semelhança dos apêndices quando as diferenças abrigaram a retirar <em>Marella</em> na classe Trilobita.</p>
<div id="attachment_588" class="wp-caption aligncenter" style="width: 469px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/marella.jpg"><img class="size-full wp-image-588" title="Marella" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/marella.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Marella</p></div>
<p>Whittington, cauteloso e sistemático, afirmou que a aparência geral do corpo de <em>Marella</em> deixava de existir quando olhada mais de perto. Apenas as estruturas básicas eram similares. O número de seguimentos nas pernas, principalmente, serviam para enfatizar a dúvida.</p>
<p>Em 1971 Harry estava preso à idéia de que os organismos de Burgess <em>tinham</em> que ser primitivos, fossem membros não especializados de grupos grandes ou mesmo ancestrais com características de vários grupos e que podiam ser considerados os pais de todos eles.</p>
<p>Hesitante, ele classificou <em>Marella</em> como um grupo próximo dos trilobitas, mesmo sentindo que alguma coisa estava errada.</p>
<p>A monografia de <em>Yohoia</em>, publicada em 1974 avançou um passo na direção da grande transformação que viria a seguir. Até então, <em>Marella</em> havia lhe dado uma conclusão correta: aquele organismo não podia ser enquadrado em nenhum grupo conhecido de artrópodes. Porém, ainda faltavam as bases conceituais para uma mudança definitiva.</p>
<div id="attachment_589" class="wp-caption aligncenter" style="width: 346px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/yohoia.jpg"><img class="size-full wp-image-589" title="Yohoia" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/yohoia.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Yohoia.</p></div>
<p>A bizarrice mais explícita é o grande par de apêndices presos à cabeça, usados para agarrar a presa com quatro espinhos poderosos em cada um. Tal estrutura confundiu Whittington, pois são totalmente únicas entre os artrópodes. Cauteloso, mesmo assim ele não propôs nenhuma teoria formal, mas acrescentou um ponto de interrogação após classificá-lo como Trilobitoidea.</p>
<p>Coisas ainda mais estranhas viriam pela frente, diante das quais <em>Marella </em>e <em>Yohoia</em> pareceriam meras excentricidades. Embora esses dois organismos tivessem preparado Whittington para a peculiaridade da fauna de Burgess, ele definitivamente teve uma surpresa ao de deparar com <em>Opabinia.</em></p>
<p>Desde Walcott, em 1912, não havia a menor dúvida quanto à natureza artrópode desse animal. Embora os fósseis fossem raros, Walcott descreveu o gênero antes de todos os artrópodes de Burgess. O corpo alongado e cheio de segmentos o fez crer que aquele animal tinha grandes chances de ser o ancestral dos anelídeos, o que faria dele o artrópode mais antigo do sítio.</p>
<div id="attachment_590" class="wp-caption aligncenter" style="width: 469px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/opabinia.jpg"><img class="size-full wp-image-590" title="Opabinia" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/opabinia.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Opabinia.</p></div>
<p>O pequeno animal, tímido e empoeirado nas gavetas, praticamente pedia para ser submetido às mais novas técnicas da paleontologia: dissecação através da rocha para observar estruturas internas, e Whittington o fez. Ele pretendia encontrar os frágeis e hipotéticos  apêndices da cabeça de <em>Opabinia</em>, esmagados e escondidos sob a carapaça, mas não encontrou nada. <em>Opabinia</em> não era um artrópode, na verdade não era nada que alguém pudesse especificar.</p>
<p>Em sua monografia, Whittington enumerou 6 características que excluíam <em>Opabinia </em> do grupo de artrópodes:</p>
<p>1 &#8211; Cinco olhos sobre a cabeça.</p>
<p>2 &#8211; O focinho frontal não é uma probóscide nem se originou de uma fusão de antenas.</p>
<p>3 &#8211; O intestino faz uma estranha curva em forma de U na cabeça, produzindo uma boca voltada para trás.</p>
<p>4 &#8211; A porção principal do tórax constitui-se de 15 segmentos.</p>
<p>5- A disposição das brânquias sobre os lóbulos não seguem nenhum padrão convencional.</p>
<p>6 &#8211; os três últimos seguimentos formam uma estranha cauda voltada para cima e para fora.</p>
<p>Whittington chegou a essas conclusões depois de muito esforço envolvendo várias técnicas, desde a observação incansável de espécimes conservadas em várias posições até o novíssimo método de dissecação com broca de dentista, lâmina por lâmina.</p>
<p>Embora <em>Yohoia</em> e <em>Marella</em> tivessem causado certo <em>frisson</em>, eles continuavam artrópodes, ainda que isolados dentro do filo. <em>Opabinia</em>, porém, foi a descoberta definitiva, a passagem para outro nível de compreensão da vida.</p>
<p>Ele sabia que tudo isso bem podia ser apenas a ponta do iceberg. Depois de selecionar novos gêneros que ele mesmo estudaria, dividiu os outros artrópodes em três grupos, cara um conduzido por um colaborador.</p>
<p>Simon Morris, um jovem esquisito e anti-social parecia um dos alunos menos indicados para enfrentar os vermes, um grupo diversificado que havia sido classificado como tal unicamente por terem simetria bilateral e corpo alongado. Ele tinha diante de si cerca de 8 mil espécimes da coleção de Walcott guardados nas gavetas do Instituto Smithsoniano. Morris vasculhou os armários buscando sistematicamente os espécimes mais bizarros:</p>
<p><em>Nectocaris &#8211; </em>A cabeça desse animal assemelha-se a de um artrópode, com um ou dois pares de apêndices curtos mas provavelmente não articulados. Na parte posterior, há uma carapaça oval achatada, bivalve.</p>
<div id="attachment_591" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/nectocaris.jpg"><img class="size-full wp-image-591" title="Nectocaris" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/nectocaris.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Nectocaris numa bela aquarela.</p></div>
<p>As semelhanças com os artrópodes param por aí. O corpo alongado, constituídos por cerca de 40 segmentos não apresenta nenhum apêndice articulado, sugerindo mais um parentesco com os cordados que com os artrópodes.</p>
<p><em>Odontogriphus</em> &#8211; Animal alongado, ovóide, bastante achatado e possivelmente de consistência gelatinosa. Atrás da região frontal o corpo é marcado por uma série de linhas transversais que Morris julgou serem anéis e não divisões reais do corpo. Ventralmente, uma boca circular é rodeada por algum tipo de estrutura alimentar.</p>
<div id="attachment_592" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/odontogriphus.gif"><img class="size-full wp-image-592" title="Odontogriphus" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/odontogriphus.gif?w=460&#038;h=300" alt="" width="460" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Odontogriphus</p></div>
<p><em>Hallucigenia</em> &#8211; Para muitos esse é o mais estranho personagem de Burgess. Sua simetria bilateral é a única característica que faz <em>Hallucigenia</em> algo parecido como o que os biólogos estão acostumados. Quando foi descoberto, nem se sabia que lado era ventral ou dorsal ou posterior e anterior.</p>
<div id="attachment_593" class="wp-caption aligncenter" style="width: 252px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/hallucigenia.jpg"><img class="size-full wp-image-593" title="hallucigenia" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/hallucigenia.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Hallucigenia, com ares de extraterrestre.</p></div>
<p><em>Hallucigenia</em> possui uma cabeça bulbosa numa extremidade mal preservada em todos os espécimes. Isso faz com que faz com que alguns estudiosos considerem o animal parte de um organismo ainda maior, que se desprendeu. De toda forma, nem se sabe se esta é mesmo a região cefálica.</p>
<p>Sete pares de espinhos não articulados ligam-se aos lados do tronco, ventralmente, enquanto por cima sete tentáculos com pontas bifurcadas se dispõem em fila. O modo como esse animal podia se movimentar intrigou e gerou discussões entre os estudiosos de Burgess. Conway Morris conjecturou que os espinhos serviam para firmar o animal num substrato lodoso, movendo-se pouco e devagar com a ajuda de músculos especiais.</p>
<p>Os tentáculos também trouxeram problemas e, junto com eles, hipóteses. Morris julgou que os tubos eram ocos e ligavam-se a um tubo digestório estendido através do corpo. Talvez nem existisse boca, os tentáculos capturavam os alimentos e os engoliam.</p>
<p>Os trabalhos continuaram com Derek Briggs, o outro acadêmico recrutado para ser responsável pelos artrópodes bivalves.</p>
<p><em>Branchiocaris, </em>dono de uma carapaça bivalve que cobria não apenas a cabeça mas também dois terços do corpo. Este, por sua vez, apresenta 46 segmentos, afinalando na parte posterior e terminando num telso bifurcado.<!--[if gte mso 9]&gt;  Normal 0   21   false false false  PT-BR X-NONE X-NONE              MicrosoftInternetExplorer4              &lt;![endif]--><!--[if gte mso 9]&gt;                                                                                                                                            &lt;![endif]--><!--  /* Font Definitions */  @font-face 	{font-family:"Cambria Math"; 	panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4; 	mso-font-charset:0; 	mso-generic-font-family:roman; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:-1610611985 1107304683 0 0 159 0;} @font-face 	{font-family:Calibri; 	panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4; 	mso-font-charset:0; 	mso-generic-font-family:swiss; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:-1610611985 1073750139 0 0 159 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-unhide:no; 	mso-style-qformat:yes; 	mso-style-parent:""; 	margin-top:0cm; 	margin-right:0cm; 	margin-bottom:10.0pt; 	margin-left:0cm; 	line-height:115%; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:11.0pt; 	font-family:"Calibri","sans-serif"; 	mso-fareast-font-family:Calibri; 	mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-language:EN-US;} .MsoChpDefault 	{mso-style-type:export-only; 	mso-default-props:yes; 	font-size:10.0pt; 	mso-ansi-font-size:10.0pt; 	mso-bidi-font-size:10.0pt; 	mso-ascii-font-family:Calibri; 	mso-fareast-font-family:Calibri; 	mso-hansi-font-family:Calibri;} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --><!--[if gte mso 10]&gt; &lt;!   /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:&quot;Tabela normal&quot;; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-priority:99; 	mso-style-qformat:yes; 	mso-style-parent:&quot;&quot;; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:11.0pt; 	font-family:&quot;Calibri&quot;,&quot;sans-serif&quot;; 	mso-ascii-font-family:Calibri; 	mso-ascii-theme-font:minor-latin; 	mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;; 	mso-fareast-theme-font:minor-fareast; 	mso-hansi-font-family:Calibri; 	mso-hansi-theme-font:minor-latin; 	mso-bidi-font-family:&quot;Times New Roman&quot;; 	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;} --> <!--[endif]--></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:normal;"><span style="font-size:12pt;font-family:&amp;"> </span></p>
<div id="attachment_594" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/branchiocaris.jpg"><img class="size-full wp-image-594" title="branchiocaris" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/branchiocaris.jpg?w=460&#038;h=257" alt="" width="460" height="257" /></a><p class="wp-caption-text">Branchiocaris.</p></div>
<p>Como a cabeça de todos os crustáceos é o resultado da fusão de cinco seguimentos originais, isso origina cinco pares de apêndices bem dispostos, e era isso o que Briggs esperava encontrar. Porém, não foi o que aconteceu. Ele encontrou apenas dois pares na região de cima e nada mais. <em>Branchiocaris</em> não era um crustáceo. O grupo que mais prometia comportar-se de acordo como script também revelou disparidades insuspeitas.</p>
<p>Harry havia aceitado a nova forma de ver a evolução, e os estudos que vieram a seguir só reforçaram isso. Sua próxima monografia já se iniciou com essa nova visão.</p>
<p><em>Aysheaia</em>, descrito pela primeira vez por Walcott como um verme anelídeo logo mostrou os costumeiros sinais de divergência com esse grupo. Primeiramente o gênero foi aproximado dos onicóforos (um grupo de organismos que reúnem características de anelídeos e artrópodes.). Assim, se <em>Aysheaia</em> fosse um onicóforo do Cambriano seria uma criatura “extremamente importante do ponto de vista evolutivo”, uma vez que poderia fornecer informações valiosíssimas de como artrópodes e anelídeos divergiram de um ancestral comum.</p>
<div id="attachment_595" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/aysheaia.jpg"><img class="size-full wp-image-595" title="aysheaia" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/aysheaia.jpg?w=460&#038;h=247" alt="" width="460" height="247" /></a><p class="wp-caption-text">Aysheaia.</p></div>
<p>O animal possuía um corpo cilíndrico, organizado em anéis e com dez pares de membros. Só essas características serviriam para encaixar <em>Aysheaia</em> dos onicóforos mas Whittington logo encontrou diferenças significativas como ausência de mandíbulas e o término abrupto do corpo após o último par de membros, e por isso considerou o gênero dentro de um grupo à parte.</p>
<p>Gould, por sua vez, sem lançar suspeitas sobre os méritos das pesquisas de Whittington, acha que ele se precipitou em separar <em>Aysheaia </em>dos onicóforos, pois os caracteres diagnósticos discrepantes são demasiadamente superficiais diante das semelhanças. As mandíbulas, por exemplo, nos diz ele, podem simplesmente terem evoluído numa época posterior. No entanto, acrescenta Gould, isso demonstra que Whittington havia aceitado completamente a nova forma de enxergar a evolução.</p>
<p>Enquanto isso, Briggs continuava seus estudos com os artrópodes bivalves.</p>
<p><em>Odaria</em>, o maior dos artrópodes, era representado por 29 espécimes.</p>
<p>Na frente da cabeça desse animal havia um par de olhos, os maiores de todo o sítio. Contudo, só havia outra estrutura apoiada na região cefálica, um par de apêndices curtos logo atrás da boca. A ausência de outras estruturas já bastariam para deixar <em>Odaria</em> em um grupo separado dentro dos artrópodes, mas a má preservação da cabeça em todos os fósseis impediu resultados conclusivos.</p>
<div id="attachment_596" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/odaria.jpg"><img class="size-full wp-image-596" title="odaria" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/odaria.jpg?w=460&#038;h=96" alt="" width="460" height="96" /></a><p class="wp-caption-text">Odaria, o quarto à direita.</p></div>
<p>O corpo, quase todo coberto por uma carapaça, possuía cerca de 45 segmentos dotados com membros birremes. Entretanto a carapaça não era achatada mas tubular e os membros não tinham comprimento para se protraírem. A cauda, definitivamente esquisita e única, dividia-se em três pontas como numa hélice. Briggs considerou que a locomoção do animal era estranha: ele nadava de costas, utilizando a cauda como hélice e a carapaça como câmara de filtragem, com os apêndices servindo para separar o alimento da água. Nas palavras de Briggs, “uma funcionalidade única entre os artrópodes”, e pronto, lá se criava mais um grupo.</p>
<p>Em 1981 David Bruton, outro mestrando de Whittington, publicou a monografia sobre <em>Sidneya</em>. Walcott havia considerado o gênero como o maior de Burgess, hipotetizando ainda que um apêndice espinhoso encontrado separadamente fosse ligado à cabeça da criatura.</p>
<div id="attachment_597" class="wp-caption aligncenter" style="width: 250px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/sidneyia.jpg"><img class="size-full wp-image-597" title="Sidneyia" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/sidneyia.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Sidneyia.</p></div>
<p>Colocada originalmente dentre os merostomados (límulus e euripiterídeos fósseis), Bruton mostrou o quando isso era impróprio pois os caracteres apresentados para a classificação eram plesiomórficos.</p>
<p>“Os tempos de Burgess foram uma época de experimentação, uma era de tal flexibilidade evolutiva, de tamanha potencialidade na incorporação e rearranjo aleatório de características encontradas nos artrópodes que quase qualquer combinação potencial poderia ser tentada (e aniquilada).”</p>
<p>O paleontólogo Des Collins, impedido de escavar em Burgess, procurou consolo em sítios vizinhos, e acabou encontrando. Alem de espécies idênticas ao do parque, houve descobertas inéditas.</p>
<p><em>Sanctacaris</em> tem uma carapaça na cabeça bulbosa, que se estende lateralmente e forma uma projeção de cada lado da cabeça. O corpo é segmentado e o telso largo e achatado. O que mais surpreende, no entanto, são os poderosos apêndices na boca usados para agarrar as presas, próprios dos quelicerados. Mas as divisões do corpo, a ausência de quelíceras verdadeiras e a posição do ânus o afastavam filogeneticamente, fazendo de <em>Sanctacaris </em>um grupo-irmão.</p>
<div id="attachment_598" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/sanctacaris.jpg"><img class="size-full wp-image-598" title="sanctacaris" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/sanctacaris.jpg?w=460&#038;h=318" alt="" width="460" height="318" /></a><p class="wp-caption-text">O portentoso Sanctacaris, animal extraordinário.</p></div>
<p>E finalmente, depois de muita confusão, temos o grande <em>Anomalocaris</em>, descoberto em sítios antes mesmo de Burgess Shale virar notícia. A monografia final foi publicada em 1985 por Whittington e Briggs.</p>
<div id="attachment_599" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/anomalocaris.jpg"><img class="size-full wp-image-599" title="anomalocaris" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/anomalocaris.jpg?w=460&#038;h=645" alt="" width="460" height="645" /></a><p class="wp-caption-text">E o maior de todos os carnívoros dos tempos de Burgess: O belíssimo Anomalocaris.</p></div>
<p>Uma cabeça oval grande com olhos apoiados em pedúnculos curtos e uma boca ventral circular. O corpo alongado possuía abas laterais que ele utilizava em seu modo de vida pelágico, devendo em muitos pontos lembrar o movimento de uma raia.</p>
<p>A segmentação do corpo e dos apêndices orais é a única coisa que lembra um artrópode. A boca circular, ao que parece sempre semi-aberta, é diferente de tudo o que existe no filo Arthropoda, e mesmo o par de apêndices, apesar de articulados, parecem ter outra origem.</p>
<p>Apesar dos “experimentos” de Burgess, encontramos lá também vários filos modernos. Gould insiste nesse ponto. Ele achava que, além de representantes dos quatro principais grupos de artrópodes, há indícios de pelo menos vinte novos designes únicos dentro do filo e pelo menos oito filos novos. Paralelamente, as estatísticas indicam que pelo menos metade das criaturas de Burgess ainda esperam por descrição nos armários do museu onde estão guardadas.</p>
<p>Em 1986 Morris publicou um vasto trabalho sobre a ecologia de Burgess.</p>
<div id="attachment_600" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/ecologia-de-burgess.jpg"><img class="size-full wp-image-600" title="ecologia de burgess" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/ecologia-de-burgess.jpg?w=460&#038;h=384" alt="" width="460" height="384" /></a><p class="wp-caption-text">A ecologia de Burgess se mostrou muito mais complexa do que os cientistas acreditavam ser possível.</p></div>
<p>Pela quantidade excessiva de algas ele concluiu que o ambiente era um mar raso e quente. A maioria dos animais ocupava nichos bem definidos, numa teia bem mais intrincada do que até então se julgava possível na época. Morris concluiu que, ao contrário do que se supunha, a vida marinha havia alcançado um grau de complexidade tão elevado quanto à de hoje. Isso serviu inclusive como prova de que a ecologia de Burgess havia alcançado estabilidade, ou seja, apesar de muito diferente, deu certo por um tempo relativamente longo.</p>
<p>Enquanto os trabalhos se irradiavam (infelizmente não com a velocidade ideal, visto que as monografias não tem grande popularidade nem mídia) mais fósseis foram descobertos em várias partes do mundo. Seres parecidos foram descobertos em camadas mais antigas, do Cambriano Inferior. Isso causou estardalhaço porque permitiu concluir que o fenômeno da disparidade ocorreu mesmo durante a explosão propriamente dita. Os organismos de Burgess já eram descendentes estabilizados de ancestrais que continuam misteriosos até os dias de hoje.</p>
<p>Gould chega a uma bifurcação principal, que constitui o início de uma conclusão. Como pôde haver tal disparidade num período tão curto de tempo? E porque essa mesma diversidade sofreu um grau tão massivo de destruição?</p>
<p>Para explicar a origem dessa fauna absurda, existem três teorias principais:</p>
<p>1 &#8211; O mundo vazio de vida no Pré-Cambriano permitiu uma gama muito variada de formas para os primeiros seres vivos do planeta. A medida em que os grupos e espécies se estabeleciam em seus nichos, havia menos espaço para o surgimento de outros. “A diversidade é auto-reguladora”, uma teoria em conformidade com o pensamento de Darwin.</p>
<p>Gould admite que as oportunidades naquela época realmente nunca mais se repetiram. Mais que isso, reconheceu que sempre após uma extinção em massa há um período de posterior variabilidade. No entanto, ele acha estranho que desde então não se tenha produzido um único filo novo.</p>
<p>2 &#8211; Uma outra teoria sustenta que o material genético perca sua potencialidade a medida em que o tempo transcorre e os seres vivos se reproduzem. É como se os primeiros organismos, mais próximos da fonte, da “energia vital” pudessem escolher uma maior variedade de genes, mas ficassem à mercê desses mesmos genes após as escolhas, não sendo permitido, para o bem ou para o mal, voltar atrás. Criações boas originavam organismos bem sucedidos, as que não tinham tanta plasticidade ao meio levavam a um beco sem saída evolutivo.</p>
<p>3 &#8211; Por fim, usando uma analogia já utilizada por outros autores, Gould nos apresenta sua teoria favorita, a de que “a diversificação inicial e posterior fechamento” é uma propriedade inerente aos sistemas biológicos. Se encararmos o mundo vivo com a metáfora de uma região montanhosa, fica mais fácil visualizar isso.</p>
<p>Imagine que cada pico representa um nicho ecológico favorável, pronto para receber quem vier primeiro. No início, quando não existe competição entre as espécies e o mundo está bem despovoado, é possível para um organismo dar saltos evolutivos considerados arriscados e mesmo assim aterrissar numa montanha vazia. No entanto, a medida em que o mundo se povoa, as chances de um salto em falso aumentam, pois não há tantos lugares disponíveis como antes. Saltar tão longe e errar significa extinção na certa, as excentricidades anatômicas só são possíveis num mundo onde pouca coisa já foi testada e aprovada.</p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="text-decoration:underline;">4</span></strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="text-decoration:underline;">A Visão de Walcott e a Natureza da História</span></strong></p>
<p style="text-align:center;"><span style="text-decoration:underline;"><br />
</span></p>
<p>Gould inicia o capítulo 4 com uma biografia detalhada de Walcott, enfatizando pontos de sua personalidade que supostamente tenham sido responsáveis por sua adesão ao modelo de diversidade do cone de diversidade crescente e a idéia de que a evolução segue um caminho de progresso.</p>
<div id="attachment_601" class="wp-caption aligncenter" style="width: 250px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/walcott1.jpg"><img class="size-full wp-image-601" title="walcott1" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/walcott1.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Sério, tradicionalista e totalmente pertencente ao seu tempo, Walcott era partidário dos bons costumes e possivelmente de todas as teorias racistas muito em voga na época.</p></div>
<p>Gould nos lembra que o conservadorismo e o puritanismo norte-americano criou um verdadeiro movimento anti-evolução, algo que pudemos observar mesmo agora, em tempos mais recentes.</p>
<p>A época de Walcott foi uma época de crise religiosa e ele, como homem tradicional, tentava buscar respostas que fizessem com que ciência e crença pudessem caminhar juntas. Ele via Deus através do “caráter ordenado, previsível e progressivo da história da vida.” A evolução, para ele, conduzia ao progresso, e como não ver um plano divino nisso?</p>
<p>A árvore da vida na forma de um cone crescente a partir da base se tornava cada vez mais popular e também subjetiva, já que os autores colocavam os animais em suas posições acima ou abaixo de acordo com seus próprios critérios racistas.</p>
<p>Gould afirma que Darwin percebeu o efeito do acaso nos detalhes, enquanto as leis evolutivas só traçariam um plano básico de estruturas. Darwin disse que “os detalhes estão situados na esfera da contingência, a qual não é direcionada pelas leis que estabelecem os canais ao longo dos quais se processa a evolução.”</p>
<p>O fato é que os homens continuavam modificando as pesquisas de modo a se encaixarem em seus padrões.  O principal impedimento ao avanço da ciência sempre foi a influência subjetiva que os estudiosos aplicam em seus estudos, na maior parte das vezes de forma inconsciente.</p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="text-decoration:underline;">5</span></strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="text-decoration:underline;">Mundos Possíveis: O Poder da “Simples História</span></strong></p>
<p style="text-align:center;"><span style="text-decoration:underline;"><br />
</span></p>
<p>Gould utiliza o capítulo 5 como fechamento para a nova idéia proporcionada por Burgess Shale de como a vida seguiu sua trilha através de bilhões de anos de evolução.  Quando Darwin escreveu <em>A Origem das Espécies</em>, nos diz ele, ao falar sobre “melhor adaptado” ele quis dizer “mais adequado a um ambiente sujeito a alterações.” E são essas mudanças repentinas a causa primordial das guinadas evolutivas percebidas nos registro geológico. Gould argumenta que Burgess Shale foi o<em> insight</em> que faltava a essa nova visão da vida.</p>
<p>Por fim, ele nos brinda com exemplos, trilhando caminhos hipotéticos que a vida poderia ter seguido se as espécies sobreviventes no passado tivessem perecido.</p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="text-decoration:underline;">COMENTÁRIO PESSOAL:</span></strong></p>
<p style="text-align:center;"><span style="text-decoration:underline;"><br />
</span></p>
<p>Antes de começarmos, devo esclarecer o que entendo por <em>comentário pessoal</em>: Ao contrário de um resumo, onde colocamos a idéia do autor de modo sucinto e imparcial, um comentário nos dá a liberdade de expressarmos nossas opiniões e tudo aquilo que o livro nos fez pensar, por mais disparatado que seja &#8211; e a psicanálise que me defenda.</p>
<p>Por exemplo, quando alguém sai do cinema e comenta o filme com a pessoa ao lado, está não apenas dizendo sobre o que ocorreu na história, mas impregnando as ações dos personagens e a narrativa com suas próprias vivências e especulações, muitas vezes apontando falhas ou dando um final diferente para a história. Assim, se tivéssemos a ousadia de tentar juntar todas as opiniões e idéias que emergem de um livro, por mais banal que seja, perceberíamos logo que as possibilidades são quase infinitas, e nisso reside a beleza da literatura.</p>
<p>Humildemente, devo dizer que tive o privilégio de nascer com o dom da prolixidade, então, para que meus textos não se tornem ninhos de marfagarfos impenetráveis, tenho que comumente recorrer a alguns estratagemas. Nesse comentário, decidi dividir tudo em tópicos. Se a qualidade do texto é lá discutível, pelo menos temos a vantagem de uma leitura com mais clareza. Primeiro, dividirei meu comentário em duas partes básicas: Na primeira delas farei uma discussão mais objetiva, salientando os pontos mais importantes que achei. Depois, tentarei discutir outras idéias que me foram evocadas enquanto eu prosseguia na leitura, mas já pendendo mais para o lado da filosofia. Essa divisão tem dois motivos: Primeiro, comunicar ao meu professor que eu realmente levei a leitura a sério e, segundo, é uma tentativa de não fazer meu comentário parecer pedante ou, pior ainda, árido e inútil.</p>
<p>Então, começo dizendo que adorei o livro. E digo isso com a propriedade de quem se viu duplamente resistente em iniciar a leitura. Por um lado já havia tentado ler dois outros livros do autor sem sucesso, por outro estava desde o terceiro período ouvindo colegas de faculdade me dizerem que Gould iria destruir minhas convicções evolucionistas.</p>
<div id="attachment_602" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/digitalizar0062.jpg"><img class="size-full wp-image-602" title="Digitalizar0062" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/digitalizar0062.jpg?w=460&#038;h=657" alt="" width="460" height="657" /></a><p class="wp-caption-text">O maior de todos os cientistas, Charles Darwin. (Obrigado Thalita por ter scaneado pra mim e obrigado a Sue por ter enviado esse postal  direto do Museu Nacional de Londes).</p></div>
<p>De modo que comecei com um frio na barriga, defensivamente, esperando a cada parágrafo encontrar sentenças que batessem de frente com tudo o que eu acreditava. (Certamente essa atitude de pré-concepção foi a responsável pela segunda parte do meu comentário, mas não consigo saber se ela me deixou mais atento a pequenas contradições ou mais cego às explanações de Gould).</p>
<p>De qualquer forma, a leitura prosseguia e eu não achava nada fora de propósito ou estranho ao que eu tinha aprendido.</p>
<p>Não foi de uma hora para a outra, mas percebi que eu tive o privilégio de crescer durante a década de 90, onde as descobertas de Whittington estavam bem assentadas e (talvez surpreendentemente) tiveram a chance de chegar até a mim.</p>
<p>Naturalmente não tomei conhecimento delas através dos livros escolares do ginásio, nem de modo tão coeso e didático. Fui uma criança, como a maioria, que passou boa parte do tempo com os olhos grudados na televisão. Mas além de desenhos animados e filmes, eu não apenas assistia como gravava muitos documentários da TV Escola. E eram bons documentários. Naquela época, nunca tinha ouvido falar em Burgess Shale, Whittington, Morris ou mesmo Gould, mas garanto que as idéias deles estavam lá, nas entrelinhas. Lembro-me perfeitamente de um documentário chamado <em>O Elo Cósmico</em> (que inclusive dá nome a uma de minhas postagens) onde ouvi pela primeira vez um paleontólogo falar que não é possível dizer que o cérebro de um ser humano é melhor que o cérebro de um lagarto, por exemplo.</p>
<p>Todas essas idéias envolvendo a evolução das espécies, tempos geológicos diante dos quais parecemos formigas, grandes ou pequenos fatores casuais sem os quais não estaríamos aqui, tudo isso fermentando no cérebro instável e meio derretido pela puberdade de um adolescente impressionável me estarreceu como poucas coisas na vida. Gould me levou de volta a uma época de descobertas, de questionamentos, de desamparo, de revolta contra as instituições, mesmo que tudo isso apenas no plano intelectual. Uma época em que queremos saber de tudo, e instantaneamente.</p>
<p>Não sei se por ter lido em algum lugar, se intuitivamente, mas já naquela época percebi que a metáfora de uma árvore para representar a evolução não condizia bem com a verdade. A partir de então passei a imaginá-la como um líquen sobre uma rocha, irradiando-se em todas as direções; mas com nenhuma parte “acima” ou “abaixo” de outra. Porém, lendo Vida Maravilhosa percebi que essa nova imagem também não é de todo certa, pois continua passando a idéia de diversidade crescente. Penso agora que um líquen desgastado, com rombos e rasgos deve servir melhor.</p>
<p>Gostei muito, no capítulo 1, quando Gould fala longamente sobre a velha iconografia mostrando a evolução do Homo Sapiens &#8211; um primata minúsculo e corcunda que vai ficando progressivamente mais ereto, até chegar, de preferência, no David de Michelangelo.</p>
<p>Eu já tinha lido em alguma revista que grande parte dos hominídeos ali representados nem de longe eram ancestrais de nossa espécie. Mas coincidentemente foi um outro livro de Gould, <em>A Falsa Medida do Homem</em>,  que assentou em mim a falácia de tal representação, além de me dar uma base muito boa para compreender os detalhes das teorias evolucionistas racistas do início do século XX.</p>
<p>Vida Maravilhosa serviu para consolidar minhas idéias, me dar muito conhecimento sobre o sítio paleontológico mais importante do mundo e soerguer várias outras questões (mais ou menos filosóficas) que abordo agora, com muita humildade, na segunda parte do meu comentário.</p>
<p><strong>1 &#8211; As Contradições (?) de Gould:</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<div id="attachment_611" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><strong><strong><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/caricatura-gould.gif"><img class="size-full wp-image-611" title="caricatura gould" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/caricatura-gould.gif?w=460" alt=""   /></a></strong></strong><p class="wp-caption-text">Gould.</p></div>
<p><strong> </strong></p>
<p>Considero o capítulo 4 o mais interessante de todos, pois é onde Gould alerta para o subjetivismo e as idéias pré-concebidas na ciência, um assunto que sempre me interessou. Porém, em alguns parágrafos, achei que ele próprio foi contraditório ou tendencioso.</p>
<p>Por exemplo, na página 297 chegamos a um subcapítulo interessante, onde Gould evoca um Walcott seguidor de Darwin. Primeiramente ele nos diz que tal condição de discípulo</p>
<p>“implicaria uma firme crença na importância da peculiaridade e do oportunismo nos caminhos evolutivos e uma profunda concepção de que a história da vida trata de adaptação a ambientes locais variáveis e não de progresso em termos gerais. (p. 297)”</p>
<p>Ninguém poderia ter explicitado de forma melhor.</p>
<p>Mas logo depois Gould afirma que Darwin foi “um homem complexo”, atormentado por uma dúvida capital em sua teoria. Ao mesmo tempo em que não queria julgar nenhuma espécie superior à outra, vivia no contexto de um clima político inverso, o auge da Inglaterra imperialista, o que o levou a escrever algumas vezes que</p>
<p>“os organismos que viveram em cada uma de suas sucessivas fases da história do planeta superaram seus predecessores na corrida pela vida e, neste sentido, ocupam uma posição mais elevada na escala da natureza. (p. 298)”</p>
<p>Desde então, nos diz Gould, as flutuações na sociedade nos fazem pender para o lado do pensamento darwiniano que mais se adéqua a nossos interesses e ideologias.</p>
<p>Em minha opinião Gould hipertrofiou o dilema de Darwin, pois acho bastante arriscado dizer que o velho cientista se dividiu “meio-a-meio”.</p>
<p>A despeito de cartas pessoais que tenha mandando ou mesmo comentários anotados por terceiros, creio que a imensa bibliografia deixada por Darwin mostra claramente que ele estava mais pendido para a idéia de não-progresso. Enquanto trabalhava no rascunho de <em>A Origem das Espécies</em>, ele chegou a rabiscar na orelha do manuscrito: “Nunca dizer que uma espécie é melhor que outra.”</p>
<p>Já na página 298, temos um 3º parágrafo bem grande, mas muito importante, onde Gould nos diz o seguinte:</p>
<p>“Darwin tem sido o principal guru científico há mais de cem anos e, como as duas visões são genuinamente parte de seu pensamento, sucessivas gerações tem propendido a abraçar o lado que mais se coaduna com as verdades ou reformas que desejam apoiar. Em nossa época, tão próximos do “progresso” de Hiroshima e atormentada pelos perigos da industrialização e do armamentismo, tendemos a encarar como ficção social a nítida adesão de Darwin à idéia de que as modificaões representam ao mesmo tempo progresso e adaptação ao ambiente local. Na geração de Walcott, porém, e em especial para um homem notavelmente bem sucedido e com fortes inclinações tradicionalistas, a adesão de Darwin à noção de que o progresso era uma qualidade inerente ao curso normal da história da vida transformou-se no elemento central de um credo evolucionista. Walcott considerava-se darwinista, expressando através desse posicionamento sua firme convicção de que a seleção natural assegurava a sobrevivência dos organismos e um progressivo aperfeiçoamento das formas de vida, numa possível trajetória rumo ao surgimento da consciência”.</p>
<p>Gostaria que o leitor prestasse bastante atenção à contradição que esse parágrafo encerra: Primeiro, Gould diz que Darwin foi influenciado pelo seu meio social a acreditar que a evolução levava ao progresso.</p>
<p>Mas depois, curiosamente, não responsabilizou essa mesma influência para com Walcott, dizendo que para ele a culpa foi um dilema altamente específico de um grande cientista, já morto e enterrado fazia tempo. Será que Walcott acreditou mesmo na idéia de progresso por ter tomado conhecimento de cartas que Darwin enviou a amigos durante a vida? Ou ele terá sido influenciado por um meio ainda mais agressivo daquele vivido por Darwin?</p>
<p>Porque o cientista inglês viveu na Inglaterra imperialista, sim, mas dizer apenas isso é se contentar com meia verdade. Havia algo de podre no reino de sua majestade, a rainha Vitória, e já cheirava mal há algum tempo. No ano de 1939, o país parecia caminhar em direção a anarquia. Evolucionistas malthusianos que viam a vida caminhando para a melhoria das raças denunciavam a decrepitude mantida por um estado anacrônico: asilo para pobres (que se multiplicavam como ratos, manchando a raça humana), privilégios clericais e exploração dos salariados. O socialismo queria derrubar o casamento, a igreja oficial e o capitalismo. A matéria era tudo o que existia, misticismo e religião deviam ser varridos da mente humana. As classes mais abastadas encolhem-se, temendo a desagregação de todos os privilégios.</p>
<div id="attachment_603" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/londres-seculo-xix.jpg"><img class="size-full wp-image-603" title="londres seculo xix" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/londres-seculo-xix.jpg?w=460&#038;h=337" alt="" width="460" height="337" /></a><p class="wp-caption-text">No século XIX, a inglaterra era percorrida por um frisson de instabilidades.</p></div>
<p>Pelo menos para os mais esclarecidos, esse foi um período turbulento tanto intelectual, como politicamente. A Inglaterra imperialista parecia forte vista de fora, mas quem andava pelas ruas percebia o tremor que lhe percorria as entranhas.</p>
<p>Darwin não queria sua teoria usada para o tipo de propaganda rebelde que os ateus evolucionistas bravejavam nas sarjetas da Europa, mas acabou que aconteceu isso mesmo, ainda que ele tenha esperando 20 anos para ver se o clima amainava um pouco.</p>
<p>Na verdade o burburinho ganhou força até a época de Walcott, culminando no clímax enlouquecer da teoria ariana nazista.</p>
<p>Achei muito estranho Gould não ter falado sobre um dos fenômenos mais importantes para a biologia histórica ocorridos na história moderna: o darwinismo social.</p>
<div id="attachment_604" class="wp-caption aligncenter" style="width: 349px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/hitler_darwin.jpg"><img class="size-full wp-image-604" title="Hitler_darwin" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/hitler_darwin.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Infelizmente, é possível sim relacionar essas duas personalidades.</p></div>
<p>Enquanto Hitler mal havia saído das fraudas, biólogos racistas já perambulavam pelos grandes centros europeus ou viajam longamente até as colônias africanas, percorrendo campos de concentrações que quase ninguém ouviu falar. As atrocidades da Ilha Shark foram esquecidas, mas todos se horrorizam com Auschwitz, sem ao menos suspeitar que as conseqüências nazistas foram preparadas com décadas de antecedência, em que os Estados Unidos da América foram os principais financiadores disso tudo.</p>
<p>Gould prefere salientar o episódio que se contrapunha a isso, e muito superficialmente nos lembra que o conservadorismo e o puritanismo dos norte-americanos criaram uma verdadeira guerra anti-evolução, algo que podemos observar mesmo agora, em tempos recentes.</p>
<p>Continuando, temos uma discretíssima nota de rodapé, na página 354, onde Gould admite algo interessante.</p>
<p>Acredito que ele era um homem não apenas brilhante mas muito honesto, e uma força inconsciente o fazia lembrar o leitor que as suas próprias idéias eram possíveis em um plano teórico. Vejam só:</p>
<p>“Não é possível saber se as formas que fracassaram desapareceram em episódios de extinção em massa ou aos poucos. A primeira situação seria um forte indício em favor da existência de um substancial componente de casualidade da dizimação. Embora não tenhamos a resposta para essa questão, em princípio a solução pode ser obtida.”</p>
<p>Vou repetir: “Embora não tenhamos a resposta para essa questão, em princípio a solução pode ser obtida.” <span style="text-decoration:underline;">“Em princípio.”</span></p>
<p>Achei que ele também não explorou um assunto muito interessante e perfeitamente cabível no assunto do livro, que diz respeito a diversidade de vida na Terra. Apesar de nenhum filo ter se originado desde o Cambriano, é interessante que hoje exista um número muito maior de espécies do que em qualquer outra época, ou seja, levando-se em conta o número de <em>espécies</em>, o cone de diversidade crescente se encaixa perfeitamente bem. Ao que parece Gould se contentou com a explicação de que o registro fóssil é impreciso, apesar de ter alfinetado Darwin e Walcott quando ambos recorreram a esse argumento falho.</p>
<p>Por fim, quase no fim do livro Gould escreve um confuso e estranho parágrafo:</p>
<p>“Eu mesmo não acredito que o verdadeiro acaso predomine nas extinções em massa. (&#8230;) penso que a maioria dos sobreviventes escapa da morte por razões específicas, muitas vezes por um complexo conjunto de causas, mas também desconfio que, na grande maioria dos casos, os traços que aumentam a sobrevivência durante uma extinção o fazem de maneiras que são incidentais e que não guardam qualquer relação com as razões pelas quais ele originalmente evoluíram. (p. 359)”</p>
<p>Com todo o respeito, mas não parece uma atitude de quem quer ficar em cima do muro? Diante desse parágrafo, compreendo porque alguns evolucionistas consideram as idéias de Gould como uma retificação importante, mas versam sobre algo que já era conhecido e defendido como certo pelos cientistas até ao momento.</p>
<p>Além do mais, Gould mesmo afirma que Darwin percebeu o efeito do acaso nos detalhes, enquanto as leis evolutivas só traçariam um plano a nível básico de estruturas. Darwin disse que “os detalhes estão situados na esfera da contingência, a qual não é direcionada pelas leis que estabelecem os canais ao longo dos quais se processa a evolução.”</p>
<p>Resumindo tudo, a evolução linear de Darwin funciona em tempos de calma, como um paciente construtor de castelos de cartas. Porém, inevitavelmente ocorrem fenômenos da natureza imprevisíveis e inescapáveis que jogam tudo abaixo e mudam as regras do jogo momentaneamente.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>2 &#8211; As Razões de Gould e a Natureza da Ciência</strong></p>
<p>O principal impedimento ao avanço da ciência é a influência subjetiva que os estudiosos lhe aplicam.</p>
<p>“Nós temos consciência de que nossas predisposições, valores sociais e atitudes psicologias desempenham importante papel na descoberta. Todavia, não devemos nos deixar levar pelo extremo oposto, representado pelo completo cinismo &#8211; o ponto de vista de que os indícios objetivos não desempenham nenhum papel, de que as percepções da verdade são inteiramente relativas e de que as conclusões científicas são apenas uma outra modalidade de preferência estética. (p. 281)”</p>
<p>Assim nos diz Gould no início do capítulo 4. E concordo com ele em parte. Mas dentro da ciência, arrisco dizer que talvez apenas a matemática possa gozar do privilégio de estar mais próxima da Verdade, enquanto todas as outras áreas são tão subjetivas quanto qualquer tipo de olhar sobre o universo. Para quem concorda comigo temos do nosso lado ninguém menos que Albert Einstein, quando ele nos diz que</p>
<p>“a ciência, considerada como um projeto que se realiza progressivamente, é tão subjetiva e está tão condicionada psicologicamente quanto qualquer outra empresa humana.”</p>
<p>Hoje existe até uma Ciência da Ciência, ou melhor, uma Sociologia da Ciência, que busca exatamente perceber como as flutuações sociais condicionam os caminhos que os estudiosos e especialistas trilham através da história. Temos até várias interpretações interessantes como a de que, por exemplo, para entender a ciência moderna é necessário ver que ela faz parte do capitalismo, e tem por objetivo garantir seu crescimento e sua continuidade.</p>
<p>É uma maneira revolucionária de ver as coisas.</p>
<p>Por exemplo, há quem veja na oposição entre a Igreja Católica e Galileu como uma manifestação do conflito entre o feudalismo medieval e o capitalismo nascente; atribuir ao sistema de Newton a função de justificar a nova ordem burguesa, etc.</p>
<div id="attachment_605" class="wp-caption aligncenter" style="width: 409px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/galileu.jpg"><img class="size-full wp-image-605" title="galileu" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/galileu.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Galileu tenta persuadir um clérico da Igreja: Personificações do embate entre dois mundos.</p></div>
<p>O início do século XX, marcado por escolas teóricas reducionistas como o positivismo, foi também época de revolução desses preceitos. Aliás, podemos dizer que o positivismo foi apenas o fechamento de toda uma cultura centrada no cientificismo do século XIX.</p>
<p>As primeiras décadas do século passado foram, sobretudo, marcadas pelo ferro quente da dúvida existencial. Foi o tempo da relatividade de Einstein, de Heisenberg e suas incertezas, da bomba H.</p>
<div id="attachment_606" class="wp-caption aligncenter" style="width: 441px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/einstein.jpg"><img class="size-full wp-image-606" title="einstein" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/einstein.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Quem tá com Einstein levanta a mão! Apesar da sandalinha...</p></div>
<p>Gould viveu numa época de decantação dessas idéias, e principalmente durante o surgimento de uma teoria que tinha pretensões de explicar todos os fenômenos do universo: o Caos.</p>
<p>Filha da física quântica, ela contrapôs toda a ciência newtoniana e a arredou para um lado, ocupando um lugar que, se tão importante quanto, tinha o privilégio de atrair mais atenção pelo simples fato de ser novidade. E deveríamos acreditar na sociologia da ciência quando ela nos diz que são os fenômenos sociais que criam os cientistas, porque a Teoria do Caos parecia explicar o estranho mundo do século XX de forma muito mais satisfatória.</p>
<div id="attachment_607" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/caos.jpg"><img class="size-full wp-image-607" title="caos" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/caos.jpg?w=460&#038;h=345" alt="" width="460" height="345" /></a><p class="wp-caption-text">Fractais estão sendo usados para explicar a teoria do caos.</p></div>
<p>Podemos enxergar outras formas de ruptura em outros setores sociais? É evidente que sim. Temos nesse mesmo palco a batalha entre Jung e Freud; o socialismo emergente na outra ponta do mundo com a Revolução Russa de 1917; o alastramento tortuoso mas inexorável da democracia na Europa.</p>
<p>Tanta bipolaridade nos deu de brinde duas guerras mundiais e a conseqüente condensação do pensamento de que o mundo não segue nenhum caminho previsível, nenhuma “marcha para o progresso”.</p>
<p>No ramo das ciências biológicas, podemos distinguir o fim da idéia de que a natureza é uma fonte inesgotável de riqueza e energia. Vida Maravilhosa foi escrito logo após o movimento hippie das décadas de 60 e 70, onde as gerações mais jovens olhavam com temor crescente uma natureza que cada vez mais se tornava uma entidade frágil, à beira do “colapso atômico.”</p>
<div id="attachment_608" class="wp-caption aligncenter" style="width: 419px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/hippies.jpg"><img class="size-full wp-image-608" title="hippies" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/hippies.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">O movimento hippie foi o prelúdio leve de uma histeria que tomou conta dos nossos dias.</p></div>
<p>É irresistível extrapolarmos a época de Gould e analisar nossos próprios dias, onde aquela preocupação meio zen proclamada ao som de Beatles foi rapidamente transformada no terror dantesco de uma onda ecológica sem precedentes.</p>
<p>Eu gosto muito de estudar história, principalmente os grandes fenômenos coletivos. Percebo que a nova histeria derramada sobre o ocidente parece-se muito com aquela da caça-as-bruxas, com a diferença de que não temos mais o Diabo como epicentro patológico. Hoje o vilão é hollywoodianamente muito superior, tanto em audiência quanto financeiramente. Para quem não sabe ainda de quem estou falando basta ligar a TV: Lá está ele, o insuperável, o medonho, o impiedoso Aquecimento Global.</p>
<p>Olhando assim, poderíamos quase dizer que era previsível.</p>
<p>Num mundo onde torres desabam, metrôs explodem e nem nosso xodó ocidental, o neoliberalismo, consegue escapar aos caos reinante, não poderíamos esperar algo menos portentoso. Se John Lennon e Carl Marx previam o fim do modo burguês ocidental, nós, cidadãos do século XXI, não mais nos conformamos com tal mesquinhez. Hoje é preciso que cada espécie da Terra, desde o menor micróbio até a mais pesada baleia azul esteja não só potencialmente ameaçados, mas irreversivelmente ligados a um destino apocalíptico.</p>
<p>Nesse ponto meu texto deve estar parecendo confuso e fora de rumo. Falar de ciência já é difícil e prepotente de minha parte, falar da sociologia da ciência e querer um texto cristalino pode ser um desejo risível.</p>
<p>Mas depois de tudo isso, é possível acreditar numa ciência mais verdadeira, que esteja satisfatoriamente independente dessas forças sociais? Não seria ela apenas mais uma forma de “preferência estética”?</p>
<p><strong>3 &#8211; Sobre o Acaso: Implicações Existenciais e Especulações Teórico-Científicas.</strong></p>
<p>Interessante que o tema mais central do livro foi também o menos discutido de todos, certamente porque Vida Maravilhosa tem um enfoque biológico, e não filosófico. Mesmo assim Stephen Gould, como bom escritor que é, provoca no leitor todas as questões existenciais advindas com a idéia de que nossas vidas se devam a uma seqüência quase infinita de pequenos acasos ocorrida em bilhões de anos de evolução sobre este planeta. É a metáfora incansavelmente repetida do <em>replay:</em> Mude alguma coisa aparentemente insignificante num momento passado e você terá uma história da vida na Terra totalmente diferente, talvez quem sabe com seres de aparência reptiliana usando cartolas e indo ao teatro.</p>
<p>Para nos cativar, Gould utiliza recursos altamente simpáticos como, por exemplo, o filme <em>De Volta Para o Futuro</em>, assistido por quem foi jovem nos anos oitenta ou, como eu, cresceu com os olhos vidrados em <em>Sessão da Tarde</em> enquanto se empanturrava com tigeladas de<em> Sucrilhos Kelloggs.</em></p>
<div id="attachment_609" class="wp-caption aligncenter" style="width: 435px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/de-volta-para-o-futuro.jpg"><img class="size-full wp-image-609" title="de volta para o futuro" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/de-volta-para-o-futuro.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Filmes bacanas para convencer o leitor. </p></div>
<p>Se <em>Vida Maravilhosa</em> tivesse sido escrito mais recentemente, talvez ele tivesse citado o moderninho <em>Efeito Borboleta</em> ou, quem sabe, <em>Alta Frequência</em>, o qual assisto agora enquanto trabalho nesse texto. Em um sentido um pouco mais estrito temos o onírico <em>Vanilla Sky</em> ou mesmo <em>Mach Point</em>, onde pequenos detalhes mudam drasticamente o destino de seus personagens.</p>
<p>Só achei que, se em vários parágrafos Gould quis despertar em nós questões metafísicas a respeito de nossa existência nesse planeta não apenas como espécie, mas como indivíduos, tal discussão poderia ter tomado um caminho mais largo, apontando diversas possibilidades filosóficas. Mas entendo que tal abertura iria desviar o caminho de um livro que toma um assunto por si extenso, além de poder incutir no leitor idéias que o deixariam reticente por todas as outras centenas de páginas onde Gould expões suas idéias. Querem ver?</p>
<p>À maneira de Gould, poderia citar também alguns filmes, ainda que no final queira chegar à conclusão contrária.  <em>Linha do Tempo</em> retrata a força do destino quando um grupo de arqueólogos volta à Idade Média e, em sua inocência, teme causar reviravoltas na história da humanidade, sem saberem que tal coisa é impossível. Para a criançada, adolescentes e simpatizantes temos <em>Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban</em>, onde todas as conseqüências de uma viagem ao passado já estavam presentes antes mesmo do primeiro <em>replay</em>.</p>
<p>Mas o meu preferido mesmo é <em>A Máquina do Tempo</em>, que apesar de anos-luz em qualidade do livro homônimo, escrito pelo mestre da ficção-científica H. G. Wells, traz algum divertimento e serve muito bem para ilustrar o ponto de vista inverso (além de decorar uma parede do meu quarto com um pôster amarronzado estilo século XIX).</p>
<div id="attachment_610" class="wp-caption aligncenter" style="width: 340px"><a href="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/a-maquina-do-tempo.jpg"><img class="size-full wp-image-610" title="a maquina do tempo" src="http://floreslivroselua.files.wordpress.com/2009/12/a-maquina-do-tempo.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">O filme é interessante, vale a pena.</p></div>
<p>Gould usou alguns filmes mais ou menos conhecidos para ilustrar uma opinião que não parece sofrer qualquer tipo de dúvida: o caráter altamente importante do Acaso na vida de todos nós. Felizmente pudemos ver quais os motivos do próprio Gould em abraçar esse elemento tão especulativo de maneira tão tranqüila.</p>
<p>Como Gould, também partilho da percepção de que os cientistas das ciências exatas gozam de um status mais elevado no meio acadêmico, enquanto os estudiosos das ciências biológicas e, mais especificamente, os paleontólogos cheguem a ser comparados a meros “colecionadores de selos.”</p>
<p>Entretanto, por ironia, devo recorrer aos físicos agora.</p>
<p>Começo dizendo que viagens no tempo são possíveis, Einstein descobriu isso há quase um século quando escreveu sobre o que seria conhecido mais tarde como o “paradoxo dos gêmeos”.</p>
<p>O tempo passa diferente dependendo da velocidade do sujeito experimental. Coloque alguém dentro de um foguete, faça esse foguete disparar a uma velocidade altíssima, de preferência próxima a da luz, e quando a pessoa retornar para a Terra observa-se o estranho fato: Enquanto para o viajante do foguete passaram-se poucas horas aqui na Terra passaram-se anos e décadas, e isso qualquer reprise de <em>Planeta dos Macacos</em> ensina.</p>
<p>Os físicos de hoje calculam que 24 horas dentro de um foguete viajando a 99% da velocidade da luz equivalem a 1000 anos terrestres. Obviamente, a descoberta de Einstein foi uma revolução. A física quântica relegou o tempo newtoniano a uma mera característica variável; no estranho universo recém-descoberto tudo acontece ao mesmo tempo.</p>
<p>Tomemos na imaginação que um desses foguetes exista hoje, e que nosso Viajante do Tempo faça um <em>tour</em> pelo universo até que aqui, na tranqüila Terra, tenha se passado 1000 anos. (A despeito do que alguns ambientalistas do Greenpeace possam dizer, tenho certeza de que ainda estaremos aqui como espécie, e não vai ser nenhum aquecimentozinho global prepotente que vai nos refrear, mas isso também é outra história.) O importante é que quando se passarem 24 horas no relógio do viajante, ele poderá descer e encontrar a Terra lá pelo ano 3000.</p>
<p>Observação importante: A teoria de Einstein foi recentemente provada usando-se cronômetros de altíssima precisão e aviões supersônicos. Fácil perceber que o futuro existe, só não temos como chegar lá ainda.</p>
<p>Aí vem a pergunta que não quer calar: Será que o nosso viajante conseguiria voltar no tempo e mudar alguma coisa hoje para que uma desgraça futura não aconteça como em <em>De Volta Para o Futuro</em>? Ou ele pode lutar o quanto quiser para mudar a história que não fará nada além de trocar pequenos detalhes que no fim darão o mesmo resultado à maneira de A <em>Máquina do Tempo</em>? Nossa própria idéia de tempo linear fica abalada com essas novas teorias quânticas.</p>
<p>Nesse último filme, nosso professor viaja para muito longe no futuro, em busca de uma resposta, e a encontra proferida pelos lábios pálidos do Morlok-mor: “Você só inventou a máquina do tempo porque perdeu sua noiva. Se ela não tivesse morrido sua máquina nunca existiria. Então como poderia voltar no passado para salvá-la?”</p>
<p>Do mesmo modo, os físicos argumentam que eu não poderia voltar ao passado e impedir que meus pais se encontrassem porque desse modo eu não nasceria e, naturalmente, não poderia voltar no tempo para influenciar nada.</p>
<p>Num universo imutável, onde tudo segue uma regra preestabelecida, esbarramos, claro, na idéia de um “fazedor de regras”, alguma entidade que tenha organizado o universo de acordo com seus preceitos. Deus.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>4 &#8211; A Teoria do Caos e o Desespero Niilista: Porque Deus Não Está Morto.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Sei o quanto é impróprio citar Deus num ensaio científico, ainda que esse comentário seja mesmo altamente pessoal. Queria apenas mostrar o quanto é precário apoiar-se numa idéia altamente filosófica quanto o Acaso para discorrer sobre um assunto científico. Percebem o que acabei de fazer nessas poucas linhas? Usando alguns filmes e duas teorias científicas criei embasamento para uma ideologia criacionista. O leitor mais atento poderia redargüir com razão que falei sobre leis físicas, enquanto Gould discorreu sobre leis biológicas, mas no fundo isso não faz diferença. Os céticos usarão as leis biológicas como evidência para a inexistência de Deus, os crentes encontram na física quântica exatamente o argumento contrário.</p>
<p>Como já falei aqui, quando eu estava no início da adolescência e comecei a estudar evolução, tive pensamentos perturbadores e fiquei um tempo sem acreditar em Deus. Depois, tentei seguir o conselho de Pauster, que dizia que ao “abrir a porta do oratório fechava a do laboratório, e vice-versa.” Porém essa filosofia nunca me causou muito conforto.</p>
<p>Bem, hoje eu não sou criacionista no sentido fanático do termo, mas tenho sim minhas crenças de que a humanidade e todos os seus indivíduos estão aqui por algum motivo. Também não sou kardecista, mas não acredito nesse Acaso total que Gould tenta me convencer. Pra ser sincero acho até meio divertido, lembrou-me o cínico e carismático matemático de Jurassic Park, Ian Malcon: “Uma borboleta bate as asas em Pequim e no Central Park chove ao invés de fazer sol”.</p>
<p>Creio que o caos sempre é aplicado como causa de algum fenômeno quando a mente humana não está apta a enxergar qualquer tipo de harmonia.</p>
<p>Algumas pessoas renegam a idéia de Deus depois de observar as sequências geológicas, os grandes hecatombes planetários e extinções de genealogias inteiras. Ainda que Gould não expresse o niilismo prepotente de Richard Dawkins, percebo que ele tenta o tempo todo nos persuadir de que não houve qualquer tipo de plano na evolução, e de que a humanidade é um mero produto de um número quase infinito de pequenos acasos.</p>
<p>Muitas pessoas, inclusive os puritanos fanáticos citados por Gould não conseguem encontrar um meio termo que os faça ficarem confortáveis com suas crenças e por isso preferem não acreditar na evolução. Travam verdadeiras batalhas e não conseguem ouvir os argumentos dos cientistas, talvez por medo de perderem sua fé.</p>
<p>Sinceramente, não vejo motivo para tal pânico. Poderia trazer para cá a opinião de uma personagem criada por Frank Schätzing no excelente romance de ficção científica <em>O Cardume. </em>Ali temos uma astrônoma em busca de vida extraterrestre chamada Samantha Crowe. Segundo ela</p>
<p>“a partir de um certo subnível ou metanível, o ser humano não é mais capaz de reconhecer inteligência como tal. Apenas compreende como inteligência o que estiver no âmbito de suas próprias atitudes. Alem desses limites, como no microcosmo, por exemplo, simplesmente não a perceberia. Da mesma forma, numa inteligência mais desenvolvida, numa mente muito superior, apenas veria o caos, porque não conseguiria acompanhar seu raciocínio complexo. Decisões tomadas por uma tal inteligência  permaneceriam incompreensíveis para ele, uma vez que seus parâmetros vão alem da sua capacidade de assimilação intelectual. Um cachorro também vê no homem apenas o poder ao qual ele se subordina, não a mente. O comportamento humano parece-lhe não ter sentido, porque as nossas atitudes baseiam-se em pensamentos que exigem demais de sua percepção. Por outro lado, nós não conseguiríamos perceber Deus, caso ele exista, como inteligência, porque seu pensamento provavelmente se basearia numa totalidade de idéias cuja complexidade vai muito alem de nossa capacidade. Consequentemente, Deus é caótico para nós e, portanto, dificilmente faria nosso time de futebol ganhar ou impedir guerras. Um ser desses estaria além do último limite da capacidade humana de compreender.(&#8230;). ( p. 819.)”</p>
<p>Desse modo, até o criacionista mais <em>light</em> poderia encostar a cabeça no travesseiro e dormir tranqüilo, mesmo após 380 páginas de cientificismo cético.</p>
<p>Talvez eu seja criticado no futuro por colegas de profissão, mas vejo certa beleza poética nessa vontade incontrolável que o homem tem de se sentir o produto final da evolução. Depois de tudo o que falei sobre as teorias racistas, sei perfeitamente o quanto dizer isso pode ser arriscado, mas estou convicto de que todos os holocaustos biológicos foram erros de uma espécie ainda em sua adolescência evolutiva. Porque, afinal, essa sensação de desamparo não foi provocada por nenhuma religião instituída ou governo totalitário, ela provém do profundo sentimento de solidão que o homem sente no cosmos. Os instintos e nosso corpo animal ainda nos ligam ao mundo natural de forma muito forte, mas essa mesma natureza nos afastou quando trabalhou em nós a coisa mais sofisticada do universo conhecido: a Consciência.</p>
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<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:normal;"><span style="font-size:12pt;font-family:&amp;">dono de uma carapaça bivalve cobria não apenas a cabeça desse animal mas dois terços do corpo. Este apresenta 46 segmentos, afinalando na parte posterior e terminando num telso bifurcado.</span></p>
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<br />Publicado em Biologia  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/floreslivroselua.wordpress.com/575/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/floreslivroselua.wordpress.com/575/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/floreslivroselua.wordpress.com/575/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/floreslivroselua.wordpress.com/575/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/floreslivroselua.wordpress.com/575/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/floreslivroselua.wordpress.com/575/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/floreslivroselua.wordpress.com/575/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/floreslivroselua.wordpress.com/575/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/floreslivroselua.wordpress.com/575/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/floreslivroselua.wordpress.com/575/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/floreslivroselua.wordpress.com/575/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/floreslivroselua.wordpress.com/575/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/floreslivroselua.wordpress.com/575/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/floreslivroselua.wordpress.com/575/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=floreslivroselua.wordpress.com&amp;blog=7302497&amp;post=575&amp;subd=floreslivroselua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Sidneyia</media:title>
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			<media:title type="html">Digitalizar0062</media:title>
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