Método Científico, Darwin e os Discos Voadores

No começo da semana passada andei olhando umas comunidades sobre Ufos, aliens e tudo isso no orkut. Numa delas, um cara deixou uma lista de links que mostravam vários vídeos, os mais variados. Eu comecei a vê-los mais por distração, mas meu interesse sobre este assunto se reacendeu de uma maneira surpreendente. Acabei construindo uma pasta com vários arquivos.

O problema é que agora eu sou um estudante de biologia, o que me faz, modestamente, um “homem da ciência”, que teoricamente não pode se render as devaneios tolos e inconsistentes. Precisava, portanto, de rever minhas opiniões e chegar a um conclusão definitiva sobre essa minha tendência em mergulhar no obscuro.

Tal tareda não foi difícil, até acredito que minha opinião sobre esse e outros assuntos foi formada a um bom tempo já, e se encontrava em meu espírito em sua forma latente.

Passei a semana pensando nos mitos que a ciência traz e nos problemas que isso pode acarretar não para o cientista, mas para a pessoa que se encontra atrás dele, se é que compreendem essa minha divisão.

Outro dia estava discutindo com alguns amigos como hoje as pessoas estão embotadas pela idéia de que devem saber muito de cada vez menos, até que, como profeciou uma amiga, chegará o dia em que saberão tudo de nada. A especialização dos profissionais está destruindo a capacidade criativa das pessoas, que já não conseguem generalizar. A idéia coletiva que plaina sobre as cabeças é a de que se você é biólogo não deveria se meter com matemática, ou se estuda história deve se abster de dar opiniões no ramo da química, por exemplo.

Daqui para frente será cada vez mais difícil o aparecimento de gênios como o conhecíamos na antiguidade. As grandes descobertas são feitas em conjunto, em equipe de vários cientistas, e anunciadas não por alguém, e sim por um laboratório.

Claro que a humanidade não perde com isso, mas apenas ganha, como mostra nosso gráfico exponencial de aquisição de conhecimento, mas isso tolhiu o ser humano como indivíduo num nível só compreendido na grande falta de sentido que se vê hoje perante a vida. No trabalho sobre suicídio que ajudei a fazer e apresentar no primeiro que se encaixam no perfil de autodestruição do “Selvagem” de Admirável Mundo Novo. As pessoas semestre de 2007 na aula de antropologia discutimos justamente essa questão. A maioria dos suicídios hoje são aqueles acreditam no mundo que absorvem da TV, e crêem que realmente serão felizes se obterem aquilo que os personagens almejam para si.

Mas voltando ao nosso assunto, parece que há hoje tantos dogmas na Ciência quanto na Religião, e isso dá realmente tanta estreiteza mental a alguns cientistas quanto às amarras que a Religião traz sobre o fiel.

Não era verdade que Isaac Newton adorava astrologia? Que Darwin flertou com o Lamarckismo? Que Einstein afirmava que “Deus não joga dados”, dando a entender, sob o meu ponto de vista, que ele acreditava na predestinação do universo, mesmo que do ponto de vista puramente físico? Talvez esteja enganado, e é sempre bom ser precavido nessas interpretações.


Entrei numa comunidade de evolucionismo no orkut mas a atitude de muitas pessoas lá me decepcionou, porque nunca esperei uma atitude tão radical daqueles que se auto-intitulam investigadores da natureza.

Considero as pessoas daquela comunidade privilegiadas, pois galgaram um caminho de descoberta e lucidez que poucos têm a oportunidade de conhecer. Mas ao mesmo tempo, parece que para alguns esse caminho se transformou num corredor infinito e sem janelas, que as deixaram tão cegas quanto os Criacionistas que por vezes vão bater boca lá. Essas pessoas se consideram discípulas de Darwin? Então elas não o conhecem. Darwin não era o cara que gritava o ateísmo radical acima de tudo nas esquinas sujas de Londres, ele era o questionador da natureza que se debatia nas noites insones perguntando-se o que Deus pensava. Porque tinha medo da reação de uma igreja autoritária de sua época, sim, mas também porque tinha plena consciência que as limitações de sua mente não o levariam a conhecer as intenções do Criador dentro do plano biológico que ele soube decifrar. Algumas pessoas se tornaram discípulas daqueles a quem Darwin desprezava profundamente, daqueles a quem ele tinha medo, porque sabia que usariam sua teoria para lançar mão de mais uma “evidência” de que Deus não existe.

Darwin não fez mais que Kepler, ou Aristóteles, ou Galileu. O que dizer então do cético Dr. Freud, colocando a Religião como produto do Irracional e dizendo que não somos donos nem dos próprios pensamentos? Ou mesmo dosBehavioristas, que diziam que a consciência não passa de uma ilusão, e o pensamento é apenas uma fala abaixo do limiar da voz?

Jamais alguém excluirá Deus porque a metafísica de Deus está além do método científico. Eu também já passei por fases de descrença e houve um tempo em que me considerava orgulhosamente ateu. Mas isso durou pouco, até que descobri que os grandes nomes da ciência tinham suas dúvidas. No esforço não de me comparar a eles, mas pela simples idéia de que é uma boa idéia acompanhar os grandes, fui obrigado a admitir minha ignorância perante tais assuntos e me resignar a um estudo cada vez mais aprofundado. Uma ignorância, aliás, que se tornou ainda mais evidente depois que entrei para a faculdade.


ufo0121

O que eu quero dizer é que antes os homens eram livre-pensadores, mas hoje isso se tornou perigoso e impróprio. O que nos traz de volta aos nossos discos voadores.

Toda vez que vejo um livro sobre esse assunto numa livraria ou sebo (onde eles são mais comuns) o pensamento é automático: farsa, charlatanismo, uma ótima maneira de ganhar dinheiro.

Mas aí quando eu penso porque eu penso assim é que vem a verdadeira “eureka!”: esse estereótipo eu adquiri assistindo a dezenas de filmes que mostram esse lado do assunto ou as verdadeiras fraudes que aparecem na TV, o único lado mostrado pelos noticiários. Não porque existam grandes conspirações a esse favor ou estratagemas ocultos, mas talvez simplesmente porque seja assim.

Quanto a este assunto em particular, hoje me sinto ainda pouco a vontade, mas posso afirmar com sinceridade que meu estado suplanta o Acreditar, eu tenho certeza de que existe. Digo que qualquer pessoa, desde que traga a mente um pouco que seja aberta, e que comece a investigar com seriedade, com certeza passa a acreditar. Não por lavagem cerebral, mas simplesmente pela impossibilidade de classificar a quantidade absurda de evidências a qualquer teoria reducionista, como alucinações, fraudes ou ilusões de ótica. Apenas as grandes marcas surgidas em plantações da Europa, os famosos Círculos Ingleses, são para mim a prova cabal de algo estranho está acontecendo e por algum mistério os meios de comunicação que se julgam imparciais não estão divulgando.

Mas o mais importante que essa abertura particular surtiu em mim, foi o nascimento de uma qualidade fundamental daqueles que se dizem adeptos da verdadeira Ciência: humildade.

Se me perguntarem hoje sobre astrologia, duendes, magia negra, tarô ou espíritos penados, ao invés de um sorriso de desprezo tão difundido entre aqueles que se julgam conhecedores da Verdade, me limitarei e responder que não posso emitir qualquer opinião, pois não estudei o assunto por tempo ou profundidade suficientes para isso.

Anúncios

1 Comentário

  1. Parabéns, o que falta a muitos”estudiosos” que sabem tudo do nada é justamente a humildade.


Comments RSS TrackBack Identifier URI

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s