O Limite do Eterno

Assisti um pedaço de um grande documentário na TV Escola. Falou sobre a grande extinção do Permiano, período anterior ao Triássico, onde surgem os dinossauros. Percebi que os dinossauros não apenas desapareceram por causa de uma grande extinção, mas também vieram ao mundo por causa de uma. O que não é tão raro na história da Terra. Depois o documentário se rendeu um pouco ao show do momento que coloca o homem como o autor de uma tragédia grega de ordem planetária. Na minha opinião, deveria ter feito o contrário, e desmistificado a extinção. Mas o documentário foi bom sim, principalmente porque enfocou a paleontologia, apesar de não ter sido o tema único.

o mundo no Permiano

o mundo no Permiano

Aliás, extinção é um tema que tem me chamado a atenção. Os cientistas calculam, por exemplo, que toda a biodiversidade hoje represente algo perto de 1% de toda a vida que já passou por aqui, o que é uma coisa fantástica.

Um pouco mais tarde, também na TV Escola, estava passando um episódio da série Cosmos, aquela antiga, de década de 70. Era o chamado “No Limite do Eterno”, certamente um dos mais impressionantes.

Mas o niilismo de Carl Sagan me faz gelar os ossos. Realmente comecei a me sentir mal quando ele começou a falar sobre a morte do universo.

Segundo ele, o universo funciona da seguinte maneira: sua forma é ditada pela quantidade de matéria que existe em seu interior.

As possíveis formas do universo

As possíveis formas do universo

Sabemos que todas as galáxias hoje se afastam, e isso é o maior indicio de que um dia estiveram todas unidas num ponto ínfimo, menor que um átomo, que explodiu, no evento chamado Big Bang. O negócio agora é saber o que acontecerá no futuro.

Os cientistas acham que existem duas possibilidades básicas de morte para o universo. Se houver matéria o bastante no universo a gravidade fará com que ele se dobre sobre si mesmo, como uma esfera, o que refreará uma expanção sem fim. Nesse caso, então é possível que um número infinito de mortes e renascimentos tenha ocorrido. Assim, o universo sempre existiu, ainda que as leis da física possam ter sido diferentes a cada renascimento. Coisas tão comuns para nós quanto gravidade, inércia ou empuxo podem ser apenas três exemplos, perdidos numa gama infinita de leis naturais, embaralhadas ao acaso a cada contração.

vialactea

O perturbador é pensar que nada do que existiu no universo anterior sobreviveu até o nosso e nada do que existe hoje sobreviverá depois da próxima contração. “Nada das galáxias, estrelas, planetas, formas de vida ou civilizações [que] se desenvolveram na encarnação prévia da infusão do universo para o ápice, agitações após o Big Bang, para serem conhecidas em nosso universo atual”(p.259 de Cosmos). A falta de sentido com tudo que pode decorrer disso é não só evidente como previsível, e Sagan tenta nos acalentar dizendo que podemos encontrar consolo nas escalas de tempo envolvidas.

Carl Sagan tenta nos acalmar: "Não se desepere leitor, seu fim virá bem antes."

Carl Sagan tenta nos acalmar: "Não se desepere leitor, seu fim virá bem antes."

De qualquer forma, a outra teoria é ainda pior.

O universo não possuiria matéria suficiente para se dobrar totalmente e continuará se expandindo pelo infinito. Ele teve um início, no Big Bang, mas não terá um fim. Bom pra nós? De modo algum. As galáxias continuarão se afastando umas das outras até sumirem de vista e depois elas próprias vão se desfazer. As estrelas morrerão e a matéria se estragará, diluindo-se num éter finíssimo, em direção a um infinito absolutamente vazio, escuro e frio.

Lendo uma revista Ufo (Ufo Especial, maio de 98) em busca de minha próxima postagem, acabei achando mais um parágrafo que fala sobre isso. “Segundo o princípio da termondinâmica (…) a entropia dentro de qualquer sistema aumenta com o tempo, isto é, o Universo irá se expandir indefinidademente até que fique sem energia (num universo aberto) ou até que a gravidade termine, e a expansão e a recompressão comecem (num universo fechado). (…) Portando, num universo aberto, as ações estariam ainda continuamente limitadas de acordo com o declínio da disponiblidade de energia. Num universo fechado, elas não sobreviveriam ao colapso. Independente de sua crença num Universo abertou ou fechado, o Universo e toda evolução física dentro dele estão caminhando para o seu fim. Embora isso possa acontecer num futuro distante, a questão continua. Nós nascemos da evolução cósmica apenas para morrer no colapso de um universo fechado? Se toda vida perderá eventualmente energia, devemos concluir que ela é efêmera, e sem a eternidade incapaz de controlar seu próprio destino.”

o diretor e phD James Hurtak vai ainda mais longe, sugerindo meios de inteligências avançadas sobreviverem ao colapso final.

o diretor e Ph.D James Hurtak vai ainda mais longe, sugerindo meios de inteligências avançadas sobreviverem ao colapso final.

Nessa matéria excelente, James Hurtak, o autor, continua discursando sobre maneiras hipotéticas de contornar o problema da extinção final. “Portanto, o objetivo lógico das inteligências (…) seria um controle da entropia universal. Isto é possível? Uma inteligencia altamente desenvolvida seria definida como uma inteligência que seja apta a controlar a entropia (…) ou que possa intervir no processo entrópico de modo geral. (…) Se uma espécie, ou grupo de espécies cooperativas descobrisse como operar exteriormente o sistema limitado, deveriam ser capazes de controlar sua viagem para dentro e para fora de qualquer Universo que esteja sujeito ao colapso, a fim de escapar de algum modo à recompressão do Cosmo. Com nossa tecnologia atual, parece impossível organizar tal salto quântico além de nossas limitações de tempo e espaço. E há a possibilidade de que as outras dimensões possam estar sujeitas a esses eventos, se as dimensões estão ligadas e em conjunção umas com as outras. Contudo, o objetivo final de qualquer civilização e o sinal verdadeiro de inteligência avançada seria quando fossem capazes de se transferirem de dentro de um sistema fechado para outra realidade, tal como um universo paralelo (…) visualizando uma metodologia em que as inteligências pudessem sair do paradigma tridimensional antes do colapso final.”

De qualquer forma, fiquei realmente mal de ao ver aquele documentário, apesar de já ter lido o capítulo correspondente no livro que surgiu da série. As duas teorias são terríveis.

Descobri então que nós não apenas desejamos a imortalidade para nós como indivíduos mas, uma vez conformados com o destino certo que nos aguarda, queremos então, pelo menos, a imortalidade para a nossa espécie ou, num nível mais abrangente, para a vida de um modo geral. Queremos que se a Terra esteja condenada pela morte do sol, pelo menos que a humanidade possa resolver isso saindo com arcas de Noé cósmicas pelo universo afora, salvando a vida. Queremos que as estrelas e os planetas continuem existindo para sempre. É triste pensar que tudo vai acabar. Sensação de inutilidade. Pra que existir então?

no fim o Sol tornar-se-a uma gigante vermelha, podendo engolfar a Terra

no fim o Sol tornar-se-a uma gigante vermelha, podendo engolfar a Terra

Numa concepção que pode parecer ate muito forçada, o fim do universo vai até contra a construção desse blog. É claro que eu não penso que ele durará para sempre mas, ao mesmo tempo, faço conscientemente uma tentativa de imortalidade, preservando aquilo que julgo importante para mim quem algo que possa durar pelo menos mais alguns séculos, que sabe alguns milhares de anos…

Há ainda uma teoria dentro da astronomia que talvez nos possa trazer algum tipo de conforto científico, principalmente para aqueles que não aceitam serem confortados pela fé.

Como disse o próprio Carl Sagan, é uma teoria totalmente indemonstrável, talvez nunca possa ser provada. Segundo ela, o nosso universo inteiro, com planetas, galáxias e quasares estariam encerrados dentro de uma unidade básica de um universo imediatamente acima. Por exemplo, um elétron. Todos nós estaríamos então dentro de um elétron de um próximo universo acima de nós, e todos os elétrons de lá possuiriam universos dentro de si. E mesmo esse próximo universo acima estaria encapsulado no elétron de um outro universo, ainda maior, e assim sucessivamente, numa progressão infinita. Naturalmente, o contrário também valeria, ou seja, cada elétron do nosso universo conteria um universo inteiro, com planetas, galáxias, asteróides, e esses universos seriam compostos por unidades básicas repletas de outros universos, numa regressão infinita. Quem sabe os buracos negros não seriam portas entre esses universos?

Não sei se essas grandes questões servem para alguma coisa. O homem ainda está no início da investigação astronômica, resta muito saber. Quem quiser falta de sentido vai encontrá-lo em todo lugar, não precisa de astronomia cética. Me lembrei agora, não sei porque, de um texto de H. G. Wells:

“Dia virá na sucessão sem fim de dias, quando seres agora latentes em nossos pensamentos e escondidos em nossas costas, se levantarão sobre essa Terra como se fica em pé sobre um escabelo, e rirão e tocarão suas mãos no meio das estrelas”

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3 Comentários

  1. Enfim…a natureza não é má é só indiferente, adoro essa frase e não lembro quem disse. E quanto ao Carl Sagan, ele falou uma coisa muito bacana sobre isso, de apesar de todas as teorias falarem sobre o fim inevitável do universo, aí sim é que a gente tem que viver mais intensamente, pq esse é o único mundo que a gente vai conhecer.

    Ah! Sabias que o nome Big Bang, foi na verdade uma chacota a teoria? que em um congresso não sei quem (de novo não lembro o nome) levantou da plátéia no meio da apresentação e disse “Você está querendo dizer que o mundo surgiu com uma grnade explosão? com um simples Big Bang?” kkkkkkkk e ficou 😀

    Outra, extinções fazem parte do processo evolutivo simplesmente pq são fruto da modificação, ou seja, sem elas, sem mudança, sem evolução. Ainda bem que os dinos se foram para que os mamíferos pudessem escrever blogs e falar no msn.

    Beijos

  2. A natureza é amoral, isso mesmo Sue. Vamos desmistificar a extinção, vamos levantar a bandeira e lutar pelo fim do obscurantismo ecológico!!!!

  3. To te esperando cão….kkkkkkkk


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