Sonhos

nuvem

Quem me conhece sabe que eu gosto de falar e dou muita importância aos sonhos. Isso vêm desde que li O Homem e Seus Símbolos, onde aprendi sobre o processo de individuação. A partir daí sempre leio tudo o que posso a respeito, e tento saber mais. Por isso resolvi criar esse post, onde atualizarei com meus sonhos sempre que puder ou sentir necessidade, mas por questões de espaço (e preguiça) postarei só aqueles que sinto mais importantes. E por razões éticas trocarei os nomes das pessoas envolvidas por letras aleatórias. Mas fiquem a vontade pra comentar.

Por fim, alguns trechos de Jung sobre o tema:

PISCICOLOGIA DO INCONSCIENTE:

Antigamente, (o sonho) era muito valorizado como um pronunciador do destino, admoestando e consolando, como um emissário dos deuses. Hoje, é utilizado como porta-voz do inconsciente, sua função é revelar os segredos que a consciência desconhece, e realmente o faz com incrível perfeição. (p.13)


O HOMEM E SEUS SÍMBOLOS:

A tarefa principal dos sonhos é trazer de volta uma espécie de reminescência da pré-história e do mundo infantil, ao nível de nossos instintos mais primitivos. (…) Reminescências de memórias de infância e reprodução de comportamentos psíquicos, expressos por meio de arquétipos, podem alargar nossos horizontes e aumentar o campo de nossa consciência – sob a condição de que os conceitos readquiridos sejam assimilados e integrados na mente consciente. Como não sao elementos neutros, a sua assimilação vai modificar a personalidade do indivíduo. (p. 99)

Se estudarmos nossos próprios sonhos e sua sequência inteira durante alguns anos verificaremos que certos conteúdos emergem, desaparecem e depois retornam. (…) Um tendência reguladora ou direcional oculta, gerando um processo lento e imperceptível de crescimento psíquico. (p. 160)

Vou colocar aqui um sonho de 2005, quando eu ainda estava mergulhado nas “viagens alucinantes” da psicologia. Esse sonho seria a pedra angular, aquele que me motivou a buscar por todos os demais, pois um grande amigo me ajudaria muito nas interpretações.

09/11/05:

Eu andava por uma estrada de chão, quando cheguei a uma bifurcação. No lado direito, não muito longe, havia uma ambulância parada no acostamento. As portas de trás estavam abertas e no interior e exterior havia mais de meia dúzia de loucos, todos vestidos de branco, com camisas de força.

A estrada que seguia pela esquerda embrenhava-se não muito longe numa densa floresta, que subia por um morro e terminava aos pés de um castelo. Estava escuro, e eu via uma janela acesa, uma luz amarelada que saía dela dando uma idéia de que o lugar era aconchegante.

Onde a estrada se bifurcava havia uma árvore. Grande, seca e quase totalmente azul. Havia um balde aberto de tinta aos seus pés, e antes de fazer minha escolha eu deveria molhar o pincel na tinta azul e pintar a útima parte da árvore que ainda conservava a cor original. Assim fiz, pintando um pequeno pedaço do tronco logo abaixo de onde os galhos se irradiavam. Porém, nao me lembro o caminho que tomei, creio que tenha sido a da ambulância com os loucos.

15/04/09:

Junto com minha família, estava indo pra roça do meu tio, irmão de minha mãe. Porém, o curioso é que estávamos indo caminhando sobre o lombo de elefantes. Eles pararam no meio da estrada, num lugar estreito, e começaram a disputar goiabas caídas no chão com vacas que estavam do outro lado de uma cerca. Por fim, consegui colocar-me à frente da confusão, subindo para um local de pedras chatas, um pouco mais alto. Mas, a elefoa que eu guiava disparou pelo caminho, me deixando amedrontado. Ela virou-se para a esquerda e logo parou, pois percebi que havíamos chegado.

A casa do meu tio, juntamente com um curral, era no formato de um C retangular. Todos descemos e entramos, aparentemente organizados para preparar uma ceia. Dentro da casa, eu estava segurando um recém-nascido. Eu tentava fazê-lo dormir quando sua mãe chegou, irritada com o choro, e deu-lhe um tapa forte na cabeça. Senti uma raiva profunda daquela mulher.

16/04/09:

Curiosamente as goibadas retornaram ao meu sonho. Desta vez eu estava na casa de uma tia-avó, com um outro tio, paterno. Ele me apontou um arbusto em um barranco ao lado de uma escada que leva para o quintal, um lugar que realmente existe. Subi até lá e começamos a apanhar as goiabas.

Depois eu estava na sala de aula onde cursei um período de psicologia. Não havia carteiras, eu acho. Eu estava com um gaoto de uns 8 anos, e colocamos um pequeno aparelho de som no meio da sala pra tocar. Isso deria atrair para a sala uma antiga professora. Porém, ela não poderia nos ver de repente, por isso nos escondemos atrás da lousa, que não estava pregada à parede mas solta no chão.R.C. entrou na sala, eu sai do esconderijo e a abracei com força, percebendo que ela estava emocionada. Lembro que os olhos azuis estavam pálidos.

17/04/09:

Vários sonhos hoje.

Estava assistindo TV numa casa minúscula, com várias outras pessoas. L e F queriam comprar alguma coisa na rua, porém estavam desanimadas por causa de uma chuva forte. Levantei-me do sofá e olhei através da porta. Estávamos numa cidade muito grande, e a casa fazia parte de um conjunto de prédios apinhados. Vi várias pessoas nas calçadas, esperando ônibus. Era noite e chovia forte. Ofereci-me para comprar o que elas queriam. L me deu uma nota de 50,00.

Descia com minha avó de um morro bem alto e íngrime, onde ela havia subido para fazer penitência. Tinha que ajudá-la a descer pois o risco de cair era grande. Lá de cima podia ver a cidade do Rio de Janeiro, sob uma névoa bastante densa. O caminho estava molhado. No rádio alguém alertava para a chuva que estava prevista para a madrugada.

Eu estava numa estrada com outra pessoa, não sei quem. Havia um carro abandonado de qualquer maneira perto do acostamento, e suspeitamos que deveria ter acontecido um acidente. A pessoa que estava comigo discerniu marcas de pneus na lama que emprastava o asfalto e descemos por uma bifurcação, que passava sob um viaduto. O outro carro estava lá, também vazio, e peguei algumas coisas em seu interior. O curioso é que era carros antigos, da década de 50 ou 60, conversíveis. Também parecia ter chovido bastante.

18/04/09:

Tinha voltado à escola onde estudei, na sala onde fiz a sétima série. Estava escuro, e o lugar bastante cheio. Parece que só havia homens. Eu estava sentado na parte esquerda, bem ao fundo. Alguns rapazes estavam de pé, pois não havia lugar. N entrou na sala e se dirigiu diretamente para mim, postando-se à minha esquerda. Então sussurrou em meu ouvido que Brad Pitt (rsrs) estava presente. No sonho, aquilo não era nenhuma novidade. Ela disse que eu deveria fazer algo, tentar puxar papo, afinal, era o Brad Pitt. Mas eu não achava importante. Então, depois que ela se calou, olhei para ele, que se sentava mais a frente, e pensei que estava estudando com uma pessoa que seria mundialmente famosa. Assim, o sonho parece ter se desenrolado numa era passada.

19/04/09:

Estava parado no passeio da casa de minha vó, no exato lugar onde costumo parar para ver o céu. As nuvens estavam revoltosas, densas, escuras. Um objeto luminoso vagava por entre as nuvens, escondendo-se e aparecendo repetidas vezes. Tentei chamar alguém mas parecia hipnotizado. Havia algo de muito grave naquilo, como se fosse o início do fim do mundo.

Como tenho fixação por nuvens e estrelas, sempre paro nesse mesmo lugar e fico olhando para o céu. Aqui, tenho até uma foto tirada do exato lugar.

Como tenho fixação por nuvens e estrelas, sempre paro nesse mesmo lugar e fico olhando para o céu. Aqui, tenho até uma foto tirada do meu "posto de observação".

20/04/09:

Sonho horrível hoje. Eu estava do lado de fora da casa, no portão da rua, quando olhei para o morro à minha frente. Era alto e coberto por uma densa floresta. O céu estava novamente revoltoso e escuro, as nuvens revolvendo-se depressa. Então percebi uma sombra crescente vindo para o lado das árvores, por entre as nuvens e percebi com horror que se tratava de um tornado. Corri para dentro, certo de que não estaria a salvo se não entrasse em algum lugar subterrâneo, quando minha avó me gritou.

Ela vinha de sua casa tentando correr com dificuldades, eu parei para esperá-la, enquanto o tornado se aproximava, cada vez maior. Então me lembrei que mais cedo ela me disse que eu tivesse fé, e fiquei a pensar, confuso, se ela havia tido uma espécie de premonição para aquele momento. Olhei para o cilindro devastador e escuro acima de mim, erguendo-se até o céu, quando então percebi rasgos azuis por entre as nuvens, e logo elas se dissiparam e o céu límpido apareceu.

21/04/09:

Ao que parece, eu estive hoje no Velho Oeste. Ou minha cidade inteira esteve, pelo menos a parte do jardim e da igreja. Não há dúvidas de que estávamos no passado, século XIX, pois nossas roupas indicavam isso com clareza. Havia um almoço ou quemersse no pátio da igreja. Todos estávamos bem quando um bando de índios nos atacou, causando grande confusão. Um homem mais velho me chamou e a outro rapaz para entrarmos na igreja, pois ela havia sido construída pensando-se justamente nesse tipo de ataque, e nela havia passagens secretas e túneis.

Logo que entrei percebi que lá dentro estava bastante escuro, e começamos a subir uma escada em caracol, que, aliás, de fato existe. Apesar do pânico e da gravidade da situção, de modo algum eu estava assustado, pelo contrário, sentia em tudo aquilo uma emoção maravilhosa. Chegamos ao sótão, cheio de imagens de santos e coisas velhas, e começamos a procurar uma passagem. Fui eu quem a encontrou, um piso falso no meio das tábuas carcomidas do chão. Desci e percebi que embaixo era muito mais estreito, só dando para se arrastar. Percebi uma outra janelinha ao fundo, de onde vinha luz, e caminhei até lá.

Num outro sonho, N me esperava no alto de uma colina, debaixo de uma árvore. Tentei subir até lá mas uma cerca me impedia. Havia uma pequena casa próxima, mas como havia gente e pareciam almoçar, resolvi não chamar pra pedir para passar pelo quintal deles. Comecei a contornar quando um monstro me atacou. Parecia-se com o Venom, porém era completamente verde e sem feições. Parecia um boneco de massinha, mas bem agressivo. O pior era que não havia meio de matá-lo, pois as partes se despedaçavam e voltavam a se unir. Atracamo-nos pela estrada de terra, eu pegava pedaços de sua pele e jogava onde achava que estavam os olhos. Pareceu funcionar, e repeti isso alguma vezes. Depois puxei uma parte bem comprida de sua pele e passei ao redor do pescoço, enforcando-o, mas a cabeça se soltou e imediatamente nasceu outra no lugar. O sonho terminou antes do fim da luta.

30/04/09:

Eu estava numa festa, parecia uma quermesse ou algo assim. As barracas e as pessoas se aglomeravam em torno de mim, fazendo com que eu quisesse sair dali o mais rápido possível. Um homem bêbado me abordou, e eu me desvencilhei dele com um solvanco de braço. Ele ficou parado lá, parecendo que ia chorar. Furioso, marchei pra fora daquele lugar, voltei o pescoço e olhei para ele. De longe, fixando o olham em mim, ele ergueu um revolver e deu um tiro na cabeça, caindo morto imediatamente. Tentei me conter mas nao pude, se sentei-me no chão, chorando muito.

07/06/09:

Tive um sonho esquisito hoje, mas sei perfeitamente interpretá-lo, ainda que não vá fazer isso aqui. Basta dizer que o sonho me pareceu como prenunciador de uma superação de trauma.

Eu estava na casa de minha avó paterna. Houve outras coisas antes mas não me lembro. Eu morava lá, mas me sentia mal, tendo calafrios e um sentimento de opressão. Em cada cômodo havia objetos meus, aparentemente representando diversas fases de minha vida. Queria sair dali, mas estava mostrando toda a casa para B, que me acompanhava.

Parei num dos quartos, onde na vida real dormia minha bisavó. B e eu nos deitamos na cama, e senti que ia rolar um sexo. Mas aí percebi que ela havia fechado a porta e me apressei em destrancá-la e deixá-la entreaberta, pois sabia que minha avó nos interromperia caso a visse fechada. E quando a destranquei, de fato, ela já estava lá, e adentrou o quarto dando uma desculpa qualque rpara nos vijiar.

OBS.: Algo parecido já aconteceu de verdade.

11/06/09:

Eu e uma menina de uns doze anos andávamos sobre um lago congelado. As vestimentas eram apropriadas para um frio intenso e a paisagem lembrava qualquer lugar da Antártida. Investigávamos rachaduras no gelo que estavam aparecendo numa cidadezinha próxima.

Logo avistamos duas elevaçõesno solo, que tinha crostas de gelo rachado em muitos pontos. Nos aproximamos da elevação maior, que ficava mais longe, e o que vi me deu medo.

Nas partes que o gelo havia caído, havia uma membrana fina e transparente, e através dela vi um monstro enguiliforme, enrolado, como se estivesse dentro de um ovo. Seus olhos eram pequenos e totalmente pretos, terríveis de se olhar, a pele rósea e lisa, de aspecto frágil, como se o animal tivesse acabado de trocá-la. Ele se moveu girando, incomodado com a nossa presença, e percebi surpreso e com mais medo ainda que a elevação menor continha sua cauda, de tão grande que era.

O gelo se partiu enquanto fugíamos aterrorizados. O sonho pulou e estávamos num pântano, com água pela cintura. O monstro havia se tornado humano, uma espécie de Corcunda de Notre Dame, e vivia no pântano refugiado da humanidade.

A casa de paliçadas mostrava inúmeros artesanatos pendurados nas paredes de palha, e senti pena dele. A menina me mostrou dois tambores que ele tinha começado a pintar de azul, e disse-me que ele pintava como minha mãe. Eu ri da comparação.

SONHOS DE 2010:

22/05/10:

Sonhei que estava em um carro, voltando de Juiz de Fora numa noite muito escura. D. estava comigo e, junto com mais algumas pessoas, formávamos um grupo de pesquisas ufológicas e sobrenaturais. Ao passarmos por Coronel Pacheco, entramos na cidade, até uma pracinha que havia no centro. Uma bela casa rodeada por grama e árvores erguia-se sobre uma colina bem cuidada, mas de aspecto selvagem. Flutuando ali havia dois pontos verdes bem luminosos, um deles parecendo uma água-viva. Aproximamos com o carro mas eles logo desapareceram.

O sonho pulou e eu me vi correndo com mais algumas pessoas por uma estrada de chão com bastante lama, embora estivesse de dia e o sol brilhasse. Corríamos de “homens do governo” pela estrada reta, em direção a uma elevação, onde o mesmo carro nos esperava. O carro era uma saveiro, e quem dirigia era M, que estuda comigo. Subimos todos no carro, D ao meu lado, e preparamos para partir.

Apesar da tensão, não foi um pesadelo.

O outro sonho foi um dos mais carregados que já tive.

Havia uma festa noturna no que aparentemente era uma praia. Muita gente, barracas sustentadas por colunas de madeira, uma casa de fazenda. Parecia uma dessas pequenas cidades litorâneas que ficam lotadas de turistas na alta estação. Vi B lá, saindo de uma das barracas onde estava o namorado e andando na minha direção, embora não me visse. Corri até ela e a abracei com vontade, levantando seus pés do chão. Ela sorriu mas educadamente me repreendeu por aquilo, dizendo que não era apropriado.

O sonho pulou e andávamos por uma estrada de terra no meio da noite, parece que estávamos indo visitar um local de terra vermelha, onde a paisagem era recortada por fissuras no solo, certamente uma influência do livro que li na véspera, Um Estudo Em Vermelho. Porém paramos no caminho para visitar uma lojinha, dessas que vendem artesanato nas cidades turísticas.

Entramos numa casa e eu estava preocupado porque havíamos entrado sem permissão e já era de madrugada, de modo que se a dona de repente nos visse não só chamaria a polícia como provavelmente morreria de um ataque cardíaco de tanto susto. Passei por um corredor muito escuro e estreito, lembro que a casa era toda de madeira vermelha, muito lustrosa. À minha direita havia um pequeno cômodo com um balcão amarela e prateleiras com os mais diversos objetos. Eu sei que, ao acordar de madrugada me lembrava mais, porém agora poucos detalhes permaneceram em minha memória. Me lembro que num primeiro momento vi dois homenzinhos construídos com objetos de metais. Eles tinham uma espécie de coroa na cabeça no formato dos cabelos de Lisa Simpson, e seguravam cajados. Mesmo no sonho fiquei impressionado com a originalidade daqueles objetos. E mais, eles montavam em cavalos, que na verdade eram duas conchas de formas elípticas. O curioso é que, quando olhei pela segunda vez, eles não mais montavam a concha mas estavam um pouco à frente e de lado. Os bivalves haviam ficado com uma marca onde eles estavam fixados. B também andava pelo quarto olhando as coisas.

Então saí dessa sala, atravessei o corredor para o outro lado e acabei dando em uma espécie de closet, onde havia um guarda-roupa embutido de um lado, cabides de outro e um baú em forma de cubo meio escondido, sobre o qual eu me sentei. Estava nesse lugar, meio escondido mas olhando para o corredor, quando a dona da casa finalmente apareceu, e junto com uma outra senhora, mais idosa. Temi pelo pior mas elas nos atenderam muito bem, mostrando as coisas. Voltei para a loja propriamente dita. Creio ter sido nesse hora que percebi que os homenzinhos de lata não mais montavam seus cavalos.

Ah…Depois tive um sonho ainda mais esquisito. Eu não me lembro dele por completo, mas sei que andava por um hospital até as duas últimas salas, bem no fundo. Esse ambiente deve ter sido suscitado porque há algumas semanas fui até o posto de saúde com meu pai, e aí percebi o quanto as últimas salas eram parecidas em conformação com as do antigo hospital de minha cidade, um lugar que sempre me provocou medo enquanto criança e com os quais eu tinha o seguinte pesadelo: Avançava até o fundo, pelo extenso corredor, e via então duas salas. À da minha direita havia uma cadeira de dentista, mas tomada por ervas daninhas e trepadeiras, bem como o chão e as paredes. Uma porta dava para um quintal igualmente abandonado. Isso me provocava um pavor indescritível e esse pesadelo se repetiu algumas vezes.

Muito bem, o sonho que eu tive hoje foi bem diferente. Atravessei o corredor mas o hospital, longe de estar abandonado, parecia muito novo e estava cheio de gente. As duas salas do fundo também haviam se fundido numa só. Dirigi-me à direita e sentei-me numa cadeira. Um homem de aparência selvagem e repugnante me aplicaria uma injeção. Eu não tive medo algum pois fora eu mesmo que o procurara, e sabia que somente ele poderia me administrar aquilo. Creio que ele segurava um rifle. Informou-me que a injeção provocaria efeitos colaterais quase insuportáveis, mas seria passageiro. Minha coxa direita seria o local onde a dor se manifestaria de maneira mais intensa. Eu nem estava preocupado, e consenti. Aí que vem a parte estranha. De repente, ao meu lado, estava uma professora, que chamarei de F. Eu acho que o sonho se repetiu durante a madrugada porque eu olhei pra ela rindo e disse que tinha sonhado que um homem me aplicaria uma injeção e que ela estivera lá comigo. Nesse caso, deve ter havia um primeiro diálogo, do sonho “original”, ou talvez não, mas se houve eu me esqueci totalmente. Um sonho dentro de um sonho, isso é louco.

25/05/10:

Moro numa cidade com pouco mais de cinco mil habitantes, mas nessa noite ela ganhou ares de metrópole. Uma metrópole escura e fumarenta, sem dúvida influenciada por um filme que assisti no domingo, O Justiceiro Mascarado. No local onde é minha casa havia um arranha céu, e em sua lateral, uns cinco andares acima do nível do solo havia um terraço bem espaçoso, com portas que davam para o interior do prédio, onde eu morava. Nesse terraço havia mesas brancas e bastante gente, numa festa noturna no melhor estilo Grande Gatsby. Perto da amurada eu olhava os prédios em volta, quando luzes no céu me chamaram a atenção, e de mais alguém que não me lembro. Então vi um avião desses usados na segunda guerra. Ele apareceu no céu à esquerda e descreveu uma curva elegante, a parte de cima virada pra nós enquanto virava e descia. Deu pra perceber os detalhes da janela, e nós sabíamos que algo não ia bem. A aeronave continuou descendo naquela vurva aberta e explodiu contra um prédio vizinho, no outro lado da rua, lançando fogo e destroços para o ar. Fiquei eufórico e quis imediatamente ir lá ver, mas meu avô materno apareceu e eu sabia que ele seria contra.

04/06/10:

Eu andava por um lugar estranho, com ruínas muito antigas e prédios mal conservados. Pessoas de aparência peculiar reuniam-se em grupos esparsos de dois ou três. Eram homens magros, morenos e que vestiam tangas, verdadeiros hindus. Certamente esse cenário foi influenciado por um documentário que vi dias antes, sobre um ritual indiano onde as pessoas reverenciam as forças elementais masculinas e femininas, no interior de um templo antiquíssimo e caindo aos pedaços e onde existe um enorme falo introduzido em uma vagina, e sobre os quais eles derramam leite em adoração. No sonho, não me lembrava de nada disso. Apenas andava por uma rua imunda com um papel na mão, onde havia informações sobre uma garota a quem eu queria encontrar. Perguntei a um e a outro, mas não encontrei respostas que me ajudassem.

Por fim, passei ao longo de um prédio quadrado, sem janelas, erguido sobre paliçadas. Hesitante, resolvi voltar e entrar. Eu sabia exatamente o que encontraria lá dentro: anciãs que viviam numa espécie de congregação religiosa e que pregavam o silêncio absoluto como forma de penitência. Lembrei-me que, quando criança, tivera medo dessas velhas em alguns encontros que tive com elas em presença de minha mãe. Agora eu sabia que elas eram totalmente inofensivas, mas essas recordações ainda eram responsáveis por minha hesitação diante da perspectiva de entrar lá.

Com o papel na mão, subi a escadinha de três ou quatro degraus de pedra em direção à porta retangular, através da qual reinava a mais espessa escuridão. As paredes do templo eram de barro.

O chão também era de terra batida, como logo vislumbrei através da meia-luz. Logo percebi também o contorno acinzentado das velhas. Estavam sentadas no chão, amontoadas próximo à porta, embora desse pra perceber que o templo se estendia para muito além, já com paredes amorfas como as de uma caverna. Além da escuridão, o silêncio me impressionava porque era muito pesado.

Uma das velhas tomava a frente do grupo e foi dela que me aproximei, mostrando a folha. Diante da reação dela, olhei eu mesmo para o que exibia e me assustei. Primeiro percebi que não era mais apenas uma folha, mas sim um maço delas, grampeadas no canto superior. Também, ao invés de uma foto da garota a quem eu estava procurando, havia na primeira delas desenhos das velhas, principalmente daquela com quem eu falava. Agora, enquanto escrevo, penso que essas velhas tem características muito parecidas com as de minha bisavó materna. De todo modo, a velha se horrorizou ao ver seu desenho. Pensei que elas obviamente não tinham espelhos e, portanto, não sabiam a aparência que haviam adquirido desde que ingressaram na ordem. A velha começou a falar com a outra que tudo havia sido em vão, haviam renunciado demais por nada.

Ainda perplexo, virei a primeira página, encontrando o desenho de um crânio na segunda folha. Era grande e robusto, meio primitivo (isso se deve à monografia que estou preparando). Comecei a ensinar a elas sobre o que ia se apresentando nas folhas, sempre desenhos de estruturas ósseas. A última página mostrava três tipos de membros, creio que um era um braço humano e os outros eram pernas de cavalo e anta. Expliquei a elas os nomes dos ossos e a comparação entre as espécies.

17/06/10:  Antônio Fagundes e o rinoceronte.

Um velho, influente e muito corrupto político acabara de morrer, ainda estando sobre sua cama com os braços cruzados sobre o peito. De minha visão no fundo do quarto, só percebia seus pés. Era um cômodo escuro, de cortinas espessas e parecendo bem antigo. Antônio Fagundes (!) sentava-se numa cadeira aos pés do morto, as maos espraiadas e a cabeça pendida, em muita tristeza. Fora o primeiro a saber da notícia. Tony Ramos (!!) entrou no quarto vestindo um smoking branco, pois estava numa festa quando soubera da notícia e viera correndo. Sentou-se numa cadeira do outro lado da cama (à minha esquerda) e os dois puseram a conversar. Em determinados momentos pareciam mesmo dois atores representando, em outros era como se fosse real. De repente houve um clima ruim, como se Tony tivesse falado mal do morto e Fagundes nçao tivesse gostado, pois era o braço direito do velho político. Tinha até o apelido de “rinoceronte”, uma vez que sua personalidade forte combinava com esse animal. Mas Tony lembrou um episódio em que o velho havia sido mal agradecido para com ele, traíra o rinoceronte, e Fagundes foi obrigado a concordar, parecendo muito triste.

21/06/10: As estátuas vivas e os segredos de minha avó.

Foram dois sonhos.

No primeiro deles, eu estava em casa quando meu pai me chamou pra ver alguns bichos que ele nunca tinha visto. Fui até a casa de minha avó e percebi que os animais haviam sido fritos para se comer, pis estavam amarronzados e secos. Num primeiro momento achei que fossem rainhas e cupis muito grandes, pois o abdômen era característico, mas depois julguem serem uma espécie desconhecida de gafanhotos. Eram muito grandes, com mandíbulas fortes e olhos raiados, difíceis de descrever. Embora meu pai e outras pessoas quisessem comê-los, insisti para que me dessem alguns exemplares para que eu os guardasse comigo. Cinco espécimes, acho que nenhum deles inteiro, foram colocados num grande prato branco, sobre um murinho que existe na cozinha de minha avó.

Na vida real minha avó tem problemas de visão e o mesmo ocorria no sonho. Como ela estava perto, pedi que tomasse cuidado com o prato, para não derrubá-lo. Entretanto, assim que me virei, ela passou um pano sobre o murinho e jogou todos os gafanhotos no chão. Ciente da importância daqueles espécimes, apressei-me em procurá-los, sentindo em meu interior que ela havia feito isso de propósito, porém nada falei. Então, descobri uma tampa de metal igual a essas que fecham os registros antigos de água encravada no piso da cozinha. Logo imaginei que eles poderiam ter caído por entre os buracos do metal e a levantei. Qual não foi minha surpresa ao perceber que aquele buraco estava repleto de objetos de minha infância, todos escondidos por minha avó ao longo dos anos. Sem esquecer os gafanhotos, fui revolvendo aquelas lembranças, vendo brinquedos que realmente existem ou existiram, enfiando quase todo o braço. Fiquei com medo, pois quanto mais fundo maior era a sujeira, as teias de aranha, os papéis velhos, mas estava determinado a encontrar meus bichos. O sonho se desvaneceu durante essa procura.

O segundo sonho foi mais interessante.

Uma moça de vinte e poucos anos corria desesperada por um jardim, sobre a calçada, enquanto era perseguida por um homem que queria matá-la de qualquer modo. Ela se enfiou na frente de um carro, quase morrendo atropelada, até que entrou por um portão de ferro, branco, bem antigo. Do lado de lá havia um jardim muito bonito, mas abandonado, com folhas e ervas daninhas espalhadas pelo chao. Ao fundo, uma casa de arquitetura antiga, do século XIX, tambem decadente. A moça avançou pelo centro do comprido jardim, em direção à casa, quando percebeu que suas dificuldades haviam aumentado. Ladeando esse corredor de grama, dos dois lados, haviam pedestais de pedra com grandes estátuas. No entando, estavam meio vivas. As pernas, assim como o pedestal, continuavam sendo de pedra cinza, mas o tronco já era feito de outro material, parecendo madeira, enquanto os braços e as cabeças era de carne. Agitavam os membros freneticamente, tentando alcançar a moça, enquanto ela corria como desesperada. Um deles tinha galhos irradiando-se dos braços, como se fosse metade homem, metade árvore. O interessante é que esse tipo d epersonagem já me ocorreu duas vezes em sonhos anteriores, cheguei a sonhar com o Barbárvore, da trilogia O Senhor dos Anéis.

Anúncios

2 Comentários

  1. Sonhos interessantes…Agor fiquei com vontade de ler Jung…. Talvez vc esteja se recordando de fatos de sua infancia,ou misturando-os com algo mais recente…

  2. Sonha com famosos asim como eu! Aff. mas eu não poderia fazer essas coisas de escrever meu sonho, sonho demais…Jung me deseja :D.


Comments RSS TrackBack Identifier URI

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s