01 – O Dragão Engolidor

– O engolimento e a regurgitação rituais

Talvez a função principal do dragão seja o combate que este tem com o herói. Os materiais indicam que o motivo do combate se originou do motivo do engolimento, e se sobrepôs a ele de modo natural. Cabe-nos, portanto, analisar a forma arcaica do dragão, o dragão engolidor.

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Onde encontramos a regurgitação de um indivíduo? Já vimos aqui no blog que no ritual de iniciação o indivíduo era simbolicamente devorado e regurgitado. Ao atravessar a garganta do animal totêmico, ele penetrava do mundo do além e adquiria poderes mágicos.

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-Significado e bases históricas desse rito

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Propp observa que o estudo do rito em si nada ajuda para sua compreensão. “A chave é dada pelos mitos que o acompanham.” Já observamos os motivos desse tipo de ritual, e esses motivos nos trazem também informações sobre a base sócio-econômica das sociedades que o utilizavam.

Tornar-se um bom caçador é importante em uma tribo que ainda não conhece a agricultura. “A base intelectiva é pré-histórica. Funda-se que o alimento proporciona a comunhão em essência com o animal totêmico, para transformar-se nele e assim entrar no clã totêmico, é preciso ser comido por esse animal.”

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O mito e o rito não são perfeitamente complementares. Quando o mito surge, o rito já perdeu pelo menos parte de seu significado. O mito possuiu elementos tardios de incompreensão ou modificação.

A medida em que a sociedade evolui, as dádivas concedidas pelo animal totêmico (o dragão) mudam. Numa sociedade agrária, tornar-se um bom caçador já não é assim tão importante. As dádivas lentamente transferem-se para duas capacidades mágicas muito específicas mas que surgem de maneira insistente em várias culturas: “a faculdade de curar e a de entender a linguagem dos animais.” Similarmente, com a evolução da agricultura, no interior do dragão passam a ser encontrados legumes e cereais importantes na alimentação.

Em alguns casos, o engolimento pelo animal passou a ser substituído pelo engolimento pela água. Porém, indícios de que a passagem para o mundo subterrâneo ainda estava lá revelam-se na presença de vermes e répteis dentro do rio ou lago, seres comumente relacionados ao outro mundo.

Os mitos enfatizam a relação entre herói e dragão criando relações de parentesco entre eles, ou interligando-os num destino fatal. O grande caçador passa a ser descendente de linhagens draconianas, assim como o grande xamã ou feiticeiro.

Percebam que até aqui, o dragão é representado como um ser benfazejo, doador. Na verdade, esse é o primeiro estágio do dragão.

-A linguagem dos pássaros

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Não sabemos exatamente se durante o rito podia-se, ao mesmo tempo em que se era devorado pelo animal totêmico, também comer um pedaço desse animal. Enquanto a sociedade evoluía, esvaí-se o cunho mágico de certas artes, mas permaneciam para aquelas que o homem ainda não tinha domínio. Ele continua a adquirir o poder de entender não apenas os pássaros, que possuem um significado mais sagrado em todas as culturas, mas também a dos peixes, das serpentes, dos lagartos e de praticamente todos os animais da floresta.

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-Os diamantes

É bastante comum o herói encontrar diamantes e pedras preciosas incrustadas na cabeça do dragão ou sob seu poder. Pedras que muitas vezes o monstro dá de presente ao herói.

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O fascínio que as cores vivas ou o formato geométrico dos cristais exercia sobre a mente dos povos primitivos lhes impregnou de um caráter mágico. O dourado do ouro ou o brilho dos diamantes passaram a figurar como lugar comum no mundo do além, na terra do dragão. No meu post aqui no blog chamado Joãozinho, Maria e o Ritual de Iniciação vimos rapidamente que um tesouro é encontrado na casa da bruxa. A sociedade capitalista que viria depois imprimiu a esse acontecimento um caráter mais racional, já que as riquezas ajudaram o pobre camponês a sair da miséria.

O dragão passou a guardar os tesouros incalculáveis que esperavam pelo herói no outro

O dragão passou a guardar os tesouros incalculáveis que esperavam pelo herói no outro mundo.

No rito de iniciação, simulava-se que cristais e diamantes eram introduzidos no corpo do iniciado. Do mesmo modo, Propp coloca em ligação com isso outros fenômenos típicos dos contos de fada: o túmulo de vidro que guarda a Bela Adormecida e outros personagens, a montanha ou o palácio de cristal habitados pelo dragão, etc…

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2 Comentários

  1. muito legal as imagens

  2. achei super interessante e acredito que de uma certa forma tudo isso é real.Sou terapeuta holistica e estou divulgando um curso livre sobre cristais,grata cibele

    • INTRODUÇÃO AOS CRISTAIS
    • O PODER DOS CRISTAIS
    • USO DOS CRISTAIS NO SEU COTIDIANO
    • SIGNIFICADO DOS CRISTAIS
    • OS CRISTAIS E O SEU SIGNO

    Turmas p/ Out.,Nov. e Dez./10

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