Abdução por Extraterrestres – Uma Análise Geral

“Sonhos realistas de ter sido levado para uma sala estranha ou estar enclausurado em locais onde foram realizados procedimentos intrusivos; lapsos de memória de uma hora ou mais são indicadores comuns tanto em crianças quanto em adultos”. Assim começa John Mack em UFO 56, de janeiro de1998, numa das mais completas e brilhantes matérias da revista sobre o tema. Psiquiatra, à época professor na universidade de Harvard e especialista em abdução, ele continua dizendo que a vítima pode, nos dias subseqüentes, ser importunada por sonhos vívidos onde uma ou mais presenças se insinuam no quarto ou corredor, não raro acompanhados por um estranho zumbido, sensação de sonolência ou de estar paralisado.

Apesar de terem relatos de contatos que duram toda a vida, estendendo-se às vezes por até três gerações, é na adolescência que eles se tornam mais “sérios e perturbadores”. Mesmo que não se lembrem de suas experiências, os contatados passam a apresentar sintomas depressivos e de ansiedade podendo resvalar, em casos extremos, em mudança de personalidade. A relação humano/alienígena varia muito nos que guardam a lembrança da experiência, onde os ETs podem aparecer tanto como curandeiros quanto como anjos ou até mesmo demônios.

As percepções da experiência variam de acordo com a época, sociedade ou crenças pessoais da vítima.

Costumeiramente desenvolve-se no abduzido medo de hospitais ou qualquer aparelho cirúrgico, fobia de escuro, de ficar sozinho, de aeronaves e animais, especialmente répteis ou insetos.

Sons, odores ou imagens podem provocar mal-estar sem motivo aparente, além de sonhos estranhos e pesadelos que se repetem sempre com o mesmo tema.

Marcas estranhas no corpo podem surgir da noite para o dia. Cicatrizes, cauterizações, arranhões ou cortes, ou mesmo sangramentos inexplicáveis por orifícios do corpo.

DO FILME:

Ano passado estava eu no cinema em Juiz de Fora quando vi o cartaz de Contatos de Quarto Grau. Só por ele dava para perceber que os alienígenas não seriam tratados com o mesmo romantismo idealizado por Spielberg em Contatos Imediatos de Terceiro Grau.

Contatos de Quarto Grau: estilo realista e modo de divulgação deixam o espectador na dúvida.

No início de 2010, eu tinha combinado de ir com dois amigos assistir Sherlock Holmes (eu pela segunda vez), mas quando cheguei finalmente no guichê depois de uma longa fila os ingressos haviam se esgotado. Para não perder a viagem, acabei comprando uma entrada para Contatos, que havia estreado na sexta. Eu estava ansioso para ver o filme mas tinha planos de esperar algumas semanas, já que detesto sala de cinema lotada. Assistindo naquela segunda, porém, fiquei livre de um grande arrependimento já que, por um fator que ignoro, o filme ficou apenas uma semana em exibição.

Mesmo assim saí do cinema com raiva, porque a sala estava realmente muito cheia e atrás de mim sentou-se um idiota que ficava fazendo comentários condizentes ao seu tipo psicológico o tempo todo, aff… Portanto, assisti ao filme sem conseguir mergulhar no clima da história, que achei fantástica. Eu já havia começado a estudar sobre o tema para postar aqui no blog desde o ano passado, e confesso que em minhas leituras nunca percebi o fenômeno com tal grau de horror, só não sei dizer se o filme exagerou ou se ler uma matéria de revista no conforto do lar não permite uma percepção tão íntima da experiência quanto imagens e sons digitais.

A história do filme é verdadeira? Sinceramente não sei, e não consegui achar nenhum site que apresentasse informações confiáveis sobre isso, a internet ficou povoada com comentários e opiniões discordantes sobre o filme, de modo que é difícil pra mim chegar a alguma conclusão sobre isso. Vale à pena assisti-lo? Com certeza, eu estou esperando sair em DVD pra rever com mais calma, capturando os detalhes. Convenhamos que valeria a pena mesmo que fosse só pra ver os olhos azuis de Milla Jovovich…

Milla Jovovich, sou fã dessa mulher desde sua atuação em  O Quinto Elemento.

O tema, entretanto, é interessantíssimo, e aqui reuni o que tinha extraído de algumas revistas Ufo e um livro: Identidades Alienígenas. Todos os créditos estão explícitos e espero que minha edição tenha ficado coerente e, principalmente, interessante. O site oficial da revista pode ser conferido aqui. Não estou fazendo propaganda gratuita, a revista é exemplo de seriedade no estudo dos extraterrestres, e merece todo o meu respeito.

Revista Ufo, exemplo de seriedade no estudo dos extraterrestres.

Enquanto lia e escrevia essa postagem, não podia deixar de pensar em dois amigos os quais admiro muito mas que posicionam-se de maneiras discordantes quanto assunto: Matheus  Matos, um verdadeiro irmão a quem conheço desde pelo menos os oito anos de idade e a quem poderíamos denominar genericamente de cético (embora na vida real as pessoas não se encaixem tão perfeitamente nesses padrões reducionistas) e o grande Bruno Moraes, um cara extraordinário que conheci nas malhas da internet graças a Charles Darwin e que, como eu, é um entusiasta apaixonado dos extraterrestres, embora possua conhecimentos muito mais avançados que este pobre autor. Pensei muito nos dois enquanto escrevia, principalmente porque ambos se mostraram (ingenuamente?) ansiosos por minhas palavras nessa postagem em especial. Esse post é dedicado a vocês.

Aos demais, boa leitura.

COMO SE PROCESSA A ABDUÇÃO:

Em geral os indivíduos narram um estado de paralisia, juntamente com a visão de uma luz azulada que penetra no quarto e a audição de um zumbido. São então levados flutuando de suas casas (atravessando objetos sólidos) até uma nave luminosa que os espera do lado de fora, onde ingressam através um portal intensamente iluminado.

Em memórias conscientes, lembranças da nave podem ocorrer ou não.

Lá dentro podem ser deixados sozinhos por um longo tempo numa sala pequena, de paredes curvas e luz indireta (o teto costuma ser claro e o chão escuro). Geralmente estão deitados sobre uma mesa fria, às vezes há menção de um corredor. Um detalhe recorrente é sobre as portas, que ao se fecharem, “somem” na parede. Computadores, telas e aparelhos cirúrgicos são observados sobre balcões e nichos.

TIPOLOGIA DOS SEQUESTRADORES:

Os seres descritos são de vários tipos: De entidades luminosas não-corpóreas de diferentes tamanhos até criaturas reptilianas ou com aparência de insetos.

Aqui devo fazer um adendo e expor minhas próprias opiniões, longe de terem caráter profissional. Creio que os relatos envolvendo criaturas humanóides com aparência de animais comumente causadores de asco possa ser um mecanismo da mente de esconder o real aspecto dos seres, demasiado impactante para o consciente. Isso até é mostrado no filme, onde uma coruja serve de “símbolo” consciente, já que guarda semelhanças com os alienígenas pela pele alva e olhos imensos.

A consciência pode utilizar imagens cotidianas como máscaras para o insuportavel….

Penso que na maioria dos casos o inconsciente tenderia a guardar tudo, mas a experiência vivida é de tal forma impactante que extravasa de alguma forma, conectando os algozes do evento traumático com criaturas difamadas no imaginário popular. Essa é uma opinião minha e que não goza de lá muita base acadêmica.

Seres altos, de aparência nórdica são comuns em experiências com mensagens espirituais; em casos mais raros essas entidades trabalham lado a lado com humanos, ou mesmo robôs.

De longe, porém, as criaturas mais relatadas são humanóides pequenos e cinzas, os grays. Eles executam várias tarefas tanto dentro quanto fora da nave, impassíveis.  Abduzidos de diferentes partes do mundo relataram que seu modo de caminhar é bastante incomum, já que eles parecem deslizar. Esses seres são liderados por uma entidade maior, o “doutor”, como as vítimas costumam denominá-lo.

Extraterrestres do tipo gray demonstram “pouca ou nenhuma compaixão com seres humanos”.

Segundo Mack, “os grays registrados tem cabeça grande, em forma de pêra, com uma protuberância na parte de trás, braços compridos com três ou quatro longos dedos, tronco fino e pernas espichadas. Os seres não tem pelos nem orelhas, possuem narinas rudimentares e um fino traço como boca, que raramente se abre ou expressão emoção. Não foram vistas genitálias externas, em raras exceções. De longe, a característica que mais se destaca são os enormes olhos negros que se curvam para cima. Não parecem ter pupilas, apesar de, ocasionalmente, serem comparados a uma espécie de olhos dentro do olho, como se a parte preta externa fosse uma espécie de óculos. Os olhos tem um poder dominador, e os abduzidos em geral sentem medo de fixar o olhar neles”.

O líder apresenta os mesmos traços, diferenciando-se por ser mais alto e aparentar mais idade. Muitas vítimas denominam essa entidade de “doutor” e vêem nele uma espécie de ser espiritual com quem conseguem se comunicar e compartilhar  emoçoes complexas, como amor.  Em casos de experiências desse tipo, a ansiedade e o pânico da vítima são amenizados por controle mental ou aplicação de anestesia. Mas nem sempre é assim, principalmente em relatos onde descrevem-se os alienígenas do tipo gray. Eles demonstram frieza e até crueldade diante do abduzido, e o que se sente é um terror tão profundo quanto o exibido em Contatos de Quarto Grau.


A visão divinizada dos alienígenas é tão comum que têm criado seitas pelo mundo afora, onde comumente os integrantes sofrem lavagem cerebral por pessoas pouco honestas. É a perigosa Ufolatria.

SOBRE OS PROCEDIMENTOS:

Geralmente o abduzido é despido e amarrado sobre uma mesa de metal com encaixe para o corpo, onde então é submetido a uma série de experiências biológicas. São estudados com intensidade e muito interesse, com os olhos imensos dos sequestradores muito próximos à cabeça da vítima, o que pode acarretar na sensação de que suas memórias estão sendo reviradas ou absorvidas.

Pele, unha, cabelo e outras amostras são extraídas por uma série de aparelhos cirúrgicos, detalhadamente descritos. Às vezes ocorrem complexas cirurgias no crânio, onde muitos abduzidos acreditam terem sido implantados um chip que permite monitorá-los ou aos seus pensamentos.

Porém os procedimentos mais importantes parecem se concentrar no sistema reprodutor. Instrumentos são inseridos no abdômen ou órgãos genitais para a extração de células germinativas ou mesmo fetos.

Liliana e Eduardo Grosso, em matéria à Ufo 64, de maio de 1999, revelam características genéticas nas vítimas que supostamente são de interesse dos abdutores. Ufólogos profissionais, dedicaram a vida ao estudo dos extraterrestres. Eles descobriram similaridades no tipo de genética entre os abduzidos. Mais surpreendente, perceberam que os filhos e filhas dos seqüestrados “nem sempre tinham o mesmo tipo sanguíneo e fator RH de seus progenitores – o que é imensamente incomum.”

Outra coisa observada foram os locais escolhidos para os procedimentos que deixam marcas na pele, sempre sobre ossos mais evidentes como clavícula, costelas, no quadril sobre o osso ilíaco e sobre a tíbia da perna esquerda. Também observaram numero significativo de sangramentos pelo nariz, vagina e reto. Já “os cortes com aparência de cicatrizes aparecem em geral por trás da orelha direita e nas costas, o que nos faz supor que sejam resultados de processos da extração de algo, enquanto as regiões com sangramentos indicam ferimentos para a introdução de objetos.”

A maioria dos abduzidos, também, parece possuir sangue com fator RH positivo.

Alterações fisiológicas também são perceptíveis, como a audição de ruídos muitas vezes ensurdecedores após esse tipo de experiência, ou a produção de grande quantidade de urina. Isso pode estar relacionado a procedimentos realizados em regiões cerebrais responsáveis por essas áreas do funcionamento do corpo. Houve constatação também de um leve aumento dos glóbulos brancos, o que pode ser uma reação natural de defesa contra infecções provocada pela introdução de objetos estranhos.

Mais de uma vítima relatou a presença de uma “bolinha” que se dilata e contrai na zona faringiana, causando dor.

Importante salientar que na grande maioria das vezes as abduções ocorrem com mulheres, justamente no período de amadurecimento dos órgãos sexuais o que, aliás, pode ser adiantado por procedimentos realizados durante a infância. Existem casos documentados de meninas com sangramento aos sete ou oito anos de idade.

Quanto ao aspecto psicológico, Liliana e Eduardo garantem que todos os integrantes de seu extenso universo amostral gozam de perfeita saúde mental, sendo pessoas honestas que não buscavam qualquer tipo de publicidade.

Abduzidos também permanecem algum tempo com a capacidade de causar danos a equipamentos elétricos e eletrônicos apenas de passar perto, ou tocar.

Como pesquisadores profissionais, os autores acreditam que os alienígenas estejam interessados em nossa constituição genética, não só da nossa isoladamente, mas talvez com o propósito de criar seres híbridos, já que existe uma explícita insistência desse tipo de experiência nos relatos. Há casos de mulheres grávidas após esses encontros, o que dura geralmente três meses até a interrupção da gravidez. Ainda que muitos defendam a hipótese de aborto espontâneo, é curioso que não tenha havido grandes perdas de sangue ou visualização dos fetos.

Dentro dos interesses, talvez esteja também algum ligado à nossas emoções que, segundo os relatos, eles parecem não possuir ou entender, e pelas quais se sentem imensa atração.

SEQUELAS:

Além dos traumas produzidos pela série torturante de experiências, algumas altamente intrusivas, existe ainda a sensação de isolamento que o abduzido sente com relação às outras pessoas, ou mesmo com a realidade. As vítimas, como todos nós, foram criadas com a idéia de que estamos sozinhos na Terra e, caso um contato com seres de outro mundo ocorresse, teríamos contato também com uma tecnologia muito mais avançada, porém semelhante à nossa. Quando sentem que estão em contato com uma realidade diferente da vivida em nosso universo físico, muitos tendem a negar a experiência, preferindo a esperança (ou o temor) de haver uma explicação psicológica ou mesmo psiquiátrica para explicar aquilo. Seja qual for à reação, é certo que a maioria prefere silenciar sobre suas experiências.

Mack aponta uma tendência dos estudiosos em aceitar relatos que mais se encaixem na nossa percepção de realidade e rejeitar outros que possam não ter coerência com nossa percepção de espaço/tempo ou qualquer outro aspecto do ponto de vista físico. Porém, ele argumenta que o fenômeno em si é tão bizarro que rejeitar algumas experiências em favor de outras parece ilógico.

Pensando nisso, ele distingue três tipos ou níveis do fenômeno:

1º  –  Os relatos se encaixam bem dentro das leis que regem nosso universo físico conhecido: contato visual ou por radar, implantes ou marcas deixadas nos corpos das vítimas, solo chamuscado onde se relata ter havido um pouso, etc.

2º – Fenômenos concebíveis em teoria, mas que utilizam meios tecnológicos milhares de anos à nossa frente: o modo de locomoção das naves, o desligamento da memória, o modo pelo qual fazem o abduzido flutua para fora de casa ou atravessa objetos sólidos, criação de fetos híbridos, controle da mente, etc.

3º – Fenômenos totalmente inexplicáveis pela nossa ciência: “(…) o aparente domínio de viagens mentais realizadas pelos ETs e às vezes pelas próprias vítimas, a sensação de que os acontecimentos não se deram em nosso universo espaço-temporal, a percepção de outras vastas realidades, a profunda sensação de retornar à fonte do ser e da criação ou da consciência cósmica, a experiência de uma dupla identidade humano/alienígena (…) e o convincente reviver de vidas passadas.”

Projeções da consciência, viagens a outros universos ou dimensões podem provocar no abduzido uma mudança radical em sua personalidade.

É interessante relembrar que nem todas as pessoas abduzidas sofrem experiências traumáticas. Algumas revelam “curas milagrosas” que vão desde a cicatrização de um pequeno machucado até doenças graves, como leucemia infantil. Outros parecem ser selecionados para receber instrução ou vivências espirituais por seres luminosos.

Contatos com entidades de luz estão geralmente relacionados com mensagens sobre o futuro da Terra.

Geralmente esse tipo de contato é possível após uma mudança no modo de relacionamento entre a vítima e os abdutores. Isso á raro mesmo porque, apesar de lúdicos na infância, na maioria das vezes as experiências tendam a se tornar mais perturbadoras durante a puberdade, quando se iniciam os projetos reprodutivos. Mas com a repetição dos seqüestros, e à medida que o abduzido se rende à sua condição de impotência, parece haver uma relação mais recíproca, até mesmo de amor. Existem, é claro, aqueles que acreditam que esse tipo de mudança é na verdade um mecanismo inconsciente que visa mascarar o pânico e a dor. Segundo Mack, porém, é difícil na área da transformação espiritual separar causa de efeito. De qualquer modo a morte real ou disfarçada do ego tende a elevar o fenômeno da abdução para outro nível, onde há contato direto com a transcendência, uma vivência muitas vezes impossível de ser relata por palavras.

Sentimentos indescritíveis de comunhão com o cosmos podem ser experimentados.

“Quando isso ocorre durante uma sessão de hipnose – escreve Mack – surge uma forte e indescritível sensação de alegria”.

Nesses casos, a consciência é experimentada como algo independente do corpo, tornando possível outros tipos de experiências transpessoais.

“Ocorre identificação da consciência com tipos praticamente intermináveis de seres e entidades através do espaço-tempo. Por exemplo, um abduzido brasileiro, que descobriu que os seus contatos com os alienígenas o deixaram aberto à identificação com mitos e entidades espirituais de sua cultura folclórica, da qual havia sido desligado pelo seu treinamento científico e intelectual ocidental (…). Emoções como estupefação, respeito pela natureza e um elevado sentido do que é sagrado no mundo natural são experimentados.”

Agora, enquanto reviso esse texto, não posso deixar de me lembrar de um livro que li ano passado, Solidão, onde o autor discorre largamente sobre o que Freud denominava “regressão”. Segundo ele, toda vez que vivenciamos uma experiência de plenitude, de comunhão com o universo, seja quando estamos apaixonados ou quando somos tomados de uma súbita emoção ou inspiração, o que ocorre na verdade é uma regressão a um estágio mental de quando não tínhamos noção de unidade. Isso pode ser relacionado às experiências ditas espirituais vividas por determinadas vítimas, numa visão cética, obviamente.

Um aspecto importante da abdução são as informações muitas vezes passadas pelos alienígenas, o que pode mudar a vida do abduzido para sempre. Eles descrevem receber um profundo sentimento de união com o universo e uma preocupação com o destino da Terra, de longe o tema mais popular das mensagens. Imagens de terremotos, holocaustos, guerras nucleares ou outras tragédias podem ser vistas pelo abduzido em telas semelhantes a TVs ou transmitidas por processo telepático.

Existem teorias divergentes dentro da ufologia quanto a esse tema recorrente no fenômeno da abdução.

Alguns pesquisadores acreditam que as mensagens visam alterar positivamente o nosso futuro através da conscientização do que poderá acontecer. Outros sustentam o contrário, afirmando que os aliens tomariam atitudes mais consistentes se estivessem preocupados com o nosso bem estar. Na verdade, sustentam eles, os alienígenas querem nos fazer acreditar que estão preocupados com o destino do nosso planeta porque planejam invadir a Terra, talvez sob o pretexto de salvá-la de nós ao estilo do que ocorre no filme O Dia em Que a Terra Parou.

HIPNOSE – PRÓS E CONTRAS:

Já no século XIX Charcot conduzia seus estudos com a hipnose na França, de onde Freud absorveu seus conhecimentos iniciais sobre o tema.

A maior parte das vítimas relata suas experiências através de hipnose. A maioria dos psicólogos, porém, não dá crédito aos relatos obtidos por esse meio, uma vez que ele apresenta um tendência à fantasia. É por esse motivo que os testemunhos obtidos com hipnose não são aceitos nos tribunais. Mesmo Freud ou Jung a abandonaram após perceber que os relatos proferidos pelo paciente em estado hipnótico estavam recheados por elementos do inconsciente que não condiziam com a verdade histórica, mas sim com uma verdade pessoal, fenômeno conhecido como “confabulação”. Isso tem se tornado o principal argumento dos que defendem uma teoria psicológica para o fenômeno da abdução por alienígenas, senão para toda a casuística Ufo.

No livro Identidades Alienígenas, o autor Richard L. Thompson, vai além da polêmica quanto à sugestibilidade inerente ao processo, afirmando que é possível ainda que os hipnotizadores estimulem a fantasias com perguntas capciosas.

Ele admite que, mesmo feita por especialistas respeitados, os pacientes em hipnose recebem um fluxo intenso de elementos do inconsciente que podem se misturar às lembranças reais e distorcer o que realmente aconteceu.

O autor ilustra esse lado controverso do tema com o caso de um jovem fã de ficção-científica, em especial da série Jornada nas Estrelas. Sob hipnose, ele alegava ter tido uma vida anterior não-humana, onde era um importante general incumbido de conquistar novos planetas e estender o domínio de sua raça. Obviamente tal história foi construída de maneira inconsciente por uma personalidade propensa à fantasia e ao escapismo.

Traumas e desejos podem se misturar às lembranças reais e emergir durante a hipnose. É a confabulação.

Alvin Lawson, um professor norte-americano de fato conseguiu produzir histórias de raptos por extraterrestres influenciando os pacientes voluntários com esse método de influência. Ele publicou uma teoria muito interessante onde defende que as cenas de rapto envolvendo seres com cabeças grandes e corpos esguios se baseiam em memórias do trauma do nascimento e de nossa morfologia corpórea enquanto fetos.

Entretanto seu trabalho foi invalidado pouco tempo depois por vários estudiosos da área. Por exemplo, nas histórias produzidas por suas oito cobaias, surgiram seis tipos de entidades, sendo que quatro nunca apareceram na literatura ufológica. Além disso, seu espaço amostral foi pequeno demais e a teoria da memória fetal é infundada pois as pessoas não vêem a si próprias nem às outras durante o nascimento.

O inconsciente coletivo, a histeria de massas e outras teorias semelhantes são muitas vezes usadas para explicar o fenômeno ufo de maneira racional. Em minha opinião, a psicologização é um modo confortável e respeitoso que muitos interessados utilizam para estudar os discos voadores e seus tripulantes, afirmando que são os novos deuses criados pela mentalidade de uma sociedade que matou todos os seus. Muitos ainda, mesmo que creiam na realidade do fenômeno, utilizam esse manto de intelectualidade por temerem cair no ridículo.

A psicologização é um manto confortável que (para algumas pessoas) serve para encobrir um interesse tido como duvidoso.

Por outro lado, os defensores da velha técnica lembram que nem todos os pacientes em estado hipnótico interrogados por ufólogos relatam experiências com alienígenas. Paralelamente, é comum em pacientes que trazem memória consciente do que viveram relatarem as mesmas coisas quando estão hipnotizadas.

O Dr. Thomas Bullard, PhD pela Universidade de Indiana e especialista em abduções, estudando mais de duzentos casos, percebeu que a diferença mais notável entre os dois tipos de relatos era de que os exames médicos foram mencionados com duas vezes mais freqüência com a hipnose do que com a lembrança consciente. Certamente isso se deve à natureza traumatizante dos procedimentos cirúrgicos, tornando-os mais passíveis de bloqueio.

O aspecto dos seres e os procedimentos realizados criam camadas sucessivas de bloqueio, que podem ser suavizadas ou totalmente neutralizadas via hipnose.

Pode ocorrer também de informações obtidas sob hipnose serem confirmadas de modo independente. Por exemplo, um cirurgião chamado Paul Cooper ficou impressionado com a descrição de um exame feito em um rapaz simples, sem estudos, chamado Michael Bershad. O médico escreveu: “Tudo o que me contou sobre o que fizeram com ele e como seu corpo reagiu correspondia exatamente ao que deveria ter acontecido se estimulassem os diferentes nervos que, segundo ele, foram tocados pelos seres. Eu até tentei desorientá-lo (…). É um rapaz decente que me impressionou de fato.”

Felizmente para os que acreditam na realidade do evento existem mais argumentos consistentes que apoiam as bases frágeis da hipnose.

Um deles é o relato independente, isto é, alguém de fora que observou um disco voador nas imediações onde ocorreu um rapto, ou mesmo além. Por exemplo o professor Budd Hopkins documentou um caso no qual viu uma paciente sua, Linda Cortille, ser transportada do 12º andar de seu prédio para o interior de uma nave que posteriormente mergulhou em um rio.

Geralmente as abduções começam na infância, e existem relatos na literatura ufológica de crianças com menos de quatro anos.

Mais comumente nota-se o sumiço de um membro familiar durante uma hora ou mais, e mesmo que seja raro algumas pessoas podem reaparecer num local totalmente diferente com sintomas de desorientação. Ainda assim a maioria é devolvida no exato lugar onde foram retiradas, às vezes com pequenos “enganos”, como deitarem a vítima no lado contrário da cama ou com o pijama do avesso.

Uma jovem paciente do Dr. Mack relatou a abdução de uma colega de quarto. Ela viu quando a amiga voltou atravessando a porta e foi depositada na cama com a cabeça pendida, os cabelos escondendo o rosto, o que a fez acreditar que estivesse morta. Mais tarde ela própria teve suas experiências com aliens.

UNIVERSO PSICOLÓGICO DO ABDUZIDO:

Robert Banchs escreveu o melhor artigo que já li em Ufo (Ufo Especial 23, abril de 1998, p. 6). Doutor em psicologia, defende um “posicionamento de ceticismo reflexivo” quanto à maioria dos fenômenos ufológicos relatados. Longe de desdenhar, propõe “uma visão extra do fenômeno, uma oportunidade excepcional para compreender a vasta realidade humana.”

Segundo ele, muitos relatos de abdução são na verdade meios que o inconsciente tem de resolver um trauma, o que confere ao tema uma complexidade muito maior, tirando as esperanças daqueles que, no início da casuística, acreditaram estar diante da prova final quanto à interferência extraterrestre em nosso mundo.

Basicamente, vimos que os alienígenas aparecem no papel de algozes, sequestrando a vítima, levando-a a um local desconhecido e realizando uma série de procedimentos experimentais de natureza traumática, ao fim das quais o abduzido é trazido de volta, muitas vezes com sequelas físicas e psicológicas.

Ora, não somos ingênuos e percebemos claramente a semelhança desse padrão básico com os ritos de iniciação que ocorrem em diferentes culturas espalhadas pelo mundo, o que leva alguns estudiosos a creditarem o fenômeno a uma “fantasia de natureza inconsciente de um acontecimento anterior que desencadeia os relatos de abdução (…), sendo o relato do abduzido um intento de simbolizar uma via que encontra o inconsciente para a representação e resolução do trauma”, palavras de Banchs.

Não raro ocorre emersão de conteúdo simbólico em alta relação à vivência do paciente, em especial seus traumas e desejos.

A muito comum sensação que o abduzido tem de que não mais é o mesmo por conta de alguma transformação espiritual coincide perfeitamente com a fase mitológica do herói onde ocorre morte e revivescimento, ou mesmo com a regressão freudiana.

Joseph Campbell já sugeria o esquema básico dessa jornada: separação, cruzamento do umbral, iniciação e retorno.

Ah… O périplo do herói…Meu amigo Matheus vai adorar essa.

“O périplo mítico tende à restauração de uma ordem, é circular, volta ao começo. Mas é uma volta que se enriqueceu com o mal, com o inferno e o perigo. O herói muda de estado, o qual se transmuta com a aquisição de um novo nome ou uma nova categoria.”

À frente dessas questões eu abro um parênteses e pergunto: Não seria possível que a experiência real desencadeasse o arquétipo?

O lugar da iniciação é um mundo maravilhoso, inacessível à outras pessoas, o Reino Dourado, a morada dos mortos da qual já falamos em nossa história do dragão. A linguagem ufológica, impregnada com menções à naves ou vôos, pode ser comparada a linguagem xamânica.

O soturno barqueiro Caronte é o responsável pela travessia do herói no panteão grego. Como nos mitos, encontramos nas histórias de abdução forte carga arquetípica.

Por outro lado, estudos parecem indicar uma regressão aos cenários perinatais, isto é, antes do nascimento. “Isso ocorre toda vez que uma intensa situação de perseguição força o eu ao abandono da relação com a exterioridade e o impulsiona ao refúgio inicial da vida intra-uterina”. Ou seja, quanto maior o bloqueio com o mundo exterior causado pela situação traumática, maior a fantasia.

Segundo Banchs, “em suas narrações encontramos elementos que correspondem à representação do útero materno, onde se aloja o novo ser que está para nascer, inferindo em que se trata de um modo de dar cena à angústia que emerge naqueles testemunhos – eixo central desses relatos.”

O nascimento constitui o primeiro trauma, e será utilizado como modelo para toda a angústia posterior do indivíduo. Por exemplo, as alterações fisiológicas que nos atingem quando vivenciamos situações de ansiedade são as mesmas que ocorrem à criança ao nascer: asfixia transitória, taquicardia, sensação de opressão, etc. Do mesmo modo, existe até quem considere o túnel de luz narrado por tantas pessoas que experimentaram experiências de quase  morte como uma consequência do que o cérebro faz para dar sentido ao que está acontecendo, buscando em sua matriz um momento de semelhança quanto à estranheza da experiência.

Obviamente Freud não chegou a estudar os casos de abdução, mas suas teorias são utilizadas nessa área por seus seguidores. As correlações são interessantes, embora muito reducionistas.

A abdução se vincula, portanto, não apenas às experiências vividas individualmente, mas também as protofantasias, ou seja, elementos do inconsciente coletivo numa linguagem junguiana, e que Freud chamou de “cenas”.

Antes do trauma provocado pelo parto, existe o paraíso da vida intra-uterina, também conhecida pelo belo nome de “experiência oceânica”. Lugar de gozo e contemplação no corpo materno.

Segundo a psicanálise, a experiencia oceânica do útero materno serve como base para nossa futura noção de bem estar, assim como o trauma do parto para a de desconforto. Céu e Inferno.

Em seguida vem o trauma no nascimento, que se relaciona com a idéia freudiana de castração. “Para o pensamento mítico, antropológico – continua Banchs – essa castração ou separação corresponde à passagem de um estado para outro e adora as formas de uma transfiguração (…). Tais fantasias originárias são estruturas universais que a psicanálise reconhece como organizadoras do psiquismo, que possuem caráter comum: todas elas se referem às origens e tem uma importante relação com a vida sexual e com os sintomas reveladores de processos de fundo.”

E continua:

“Não há dúvidas de que o relato de uma abdução revela uma experiência traumática. Mas como toda recordação, o trauma é sempre uma recordação encobridora.”

Seguindo essa linha de pensamento, seria de se admitir, até mesmo, que o quarto representa o lugar ideal para se produzir a experiência. Ali se dorme, ali se sonha, se tem o contato com o inconsciente.

O fenômeno da abdução como retorno a uma estrutura mítica comum. “Plenitude, vazio, o nada. Angústia e gozo. Êxtase místico, consciência cósmica ou transcendental, estado alterado da consciência. Experiência oceânica. Ante-sala, ventre materno, rito de iniciação, de passagem, que deixará sua marca.”

A essa altura da narrativa posso até ver meu amigo Matheus sorrindo de alegria e deleite, porém devo contrabalancear as teorias e agradar também ao Bruno, que certamente espera uma conclusão menos abstrata.

Richard Thompson, depois de discorrer largamente sobre os prós e contra da hipnose e o mito do herói que comumente parece fluir dela, discorre sobre um detalhe que julgo extremamente importante, que nada mais é que isso: Ele acha difícil que o inconsciente utilize formas tão específicas e principalmente muito recentes (ou inexistentes) na história humana quanto computadores de última geração, mesas com apenas um suporte, poltronas que se adéquam à forma do corpo ou portas que desaparecem na parede após serem fechadas, objetos tão repetidamente relatados por quem sofre esse tipo de experiência. Embora existam elementos inegavelmente arquetípicos nas narrativas, esses fatores discordantes apontariam sua realidade física, e posso dizer que estou de acordo com isso.

Infelizmente as evidências físicas de uma abdução são em geral tão sutis que não podem ser consideradas determinantes como prova, mas Mack aponta cinco dimensões básicas para qualquer estudioso (principalmente os mais céticos) tentarem entender o fenômeno. Peço ao leitor que preste atenção a esses cinco tópicos, porque são realmente importantes:

1º – A altíssima consistência e grau de detalhamento dos relatos de abdução, narradas com emoção apropriada.

2º – A ausência de doença psíquica ou qualquer outro distúrbio psicológico o emocional das vítimas.

3º- As transformações físicas que afetam os corpos dos seqüestrados, sem qualquer padrão psicodinâmico conhecido.

4º – O avistamento de UFOs por outras pessoas independentes em locais e momentos onde ocorreram uma abdução.

5º – Relatos feitos por crianças com dois ou três anos de idade.

A interpretação fica a cargo de cada um, não foi minha intenção mudar a cabeça de ninguém, apenas fornecer material aos que interessam.

Para terminar, deixo-vos um depoimento do grande Carl Gustav Jung, falando a respeito do que pensava dos OVNIs:

“Tanto quanto sei, é um fato confirmado, apoiado por inúmeras observações, que os óvnis tem sido não apenas vistos a olho nu como também detectados nas telas de radar, além de terem deixado vestígios na chapa fotográfica (…). em resumo, nada mais é do que isto: ou as projeções psíquicas desenvolvem um eco de radar ou, então, o aparecimento de objetos reais nos propicia a oportunidade de experimentar projeções psíquicas.”