Meu Reino

Quando fui buscar na internet as teorias sobre o ato de colecionar, pensei logo em Freud, pois isso me faria parecer um cara cult. Mas suspeitei que o pai da psicanálise teria algo de escabroso para revelar, como é próprio de sua mente obsessivamente paternalista. E minhas previsões se confirmaram. O colecionador, assim como o avarento, era vítima de uma retenção escatológica que, ao contrário dele, amante dos tabus, sinto-me pouco propenso a discorrer. Minha única consolação é a de que o próprio Freud sofria desse impulso, já que colecionou ao longo da vida uma quantidade absurda (cerca de 5.000 peças) de itens arqueológicos, que atulhavam seu consultório em Viena.

Sou um colecionador inveterado desde que me entendo por gente, tanto que ainda guardo a maioria dos brinquedos que ganhei desde que vim ao mundo. Para fascínio de alguns e transtorno de outros (incluindo minha namorada), meu quarto parece cada vez mais denso de objetos de todos os tipos, embora eu me considere altamente seletivo. Pedras, livros, filmes e vários tipos de bugigangas disputam espaço na minha mesa, criado e estantes numa profusão capaz de enlouquecer qualquer faxineira. Mas tudo organizado, esteja claro, tenho horror à bagunça tanto quanto aos espaços vazios. São objetos que representam culturas de diversas partes do mundo, materializações de deuses e arquétipos.

Ao pensar em publicar as fotos no blog e redigir uma pequena introdução sobre essa paixão, cunhei até uma palavra para minha relação com as coisas inanimadas que me rodeiam, objetolatria, isto é, adoração aos objetos. Porém, ao escrever a palavra no Google, descobri que ela tem outra conotação, que é a que caracteriza a pessoa que sente atração sexual por objetos, o que sem dúvida não é meu caso. Portanto, a partir de agora “objetolatria” possui dois significados.

Vamos começar no momento em que houve uma reforma no meu quarto, e tive que amontoar tudo no quarto de hóspedes:

As coisas ficaram meio caóticas.

Bem-vindos!

Guerreiros de xian, comprados no mercado livre, ladeando Bastet, uma sobrevivente da minha adolescência.

Agora os guerreiros deram lugar a, da esquerda para direita, Nefertiti e Tuntankamon. De uma coleção em fascículos.

Elefante indiano, uma das minhas peças preferidas. Foi comprado numa lojinha em Cabo Frio, Curare Atelier, perto da igreja nova, em 2011. Minha namorada quase teve um treco ao descobrir que paguei 40,00 nele.

Anfíbio, em Juiz de Fora, por 18,00.

Carro do filme Minority Report, adquirido através de uma promoção de jornal (presente da namorada). Na frente, uma concha comprada em Búzios.

Guerreiros de xian, caixinha com todos.

Rainha egípcia, no site da loja Condonare, creio que do Paraná.

Palhaço, comprado numa lojinha de decoração em Tabuleiro, por 10,00.

Cavaleiro Medieval, em Juiz de Fora, por 25,00, em 2009.

Criado-mudo.

Só os livros merecem uma foto especial. Da esquerda para a direita: Terra dos Homens, Piloto de Guerra, Olhai os Livros do Campo, Gog, Um Pobre Amor em Paris, Melhores Contos Indianos, Contos Brasileiros, Philosophy Iogy (1929). O porta-livros de elefante em comprei numa feirinha em Ouro Preto, em 2002 ou 2003.

Elefante, por 24,00 no natal de 2004, em Juiz de Fora.

Presente de Lucas, um amigo de 7 anos.

Máscara de argila, comprada no Mangal das Garças, em Belém. Presente da minha namorada.

Máscara indonésia, comprada num bazar por 45,00.

Homem-árvore, modelagem em argila feita por mim.

Arlequim. Também fiz essa e depois pintei com corretivo escolar. Infelizmente, numa faxina de domingo, ela se quebrou.

Máquina de escrever. Quarto romance a caminho! (nenhum anterior publicado).

Chocalho indígena.

Um dos objetos preferidos, réplica do crânio de Smilodon fatalis, comprado no site da Bios Réplicas. 280,00, em 2011.

Quadro da Catedral Santa Maria de Fiore, em Florença, cidade dos sonhos.

Parede norte.

Artigo de fé. Detalhe de um quadro que ganhei ao nascer. Menino Jesus de Praga.

Pintei esse quadro de 1,5 por 1m pra ocupar um espaço ocioso na parede.

O quadro alongado foi um presente de um pintor e poeta de Juia de Fora, Nilo César.

Os preferidos...

Os três maiores da esquerda contam a história de Dom Quixote, os outros foram comprados num sebo em Belo Horizonte e narram histórias que tem como pano de fundo a Segunda Guerra.

Outro ângulo, outra configuração.

Meus livros sobre biologia.

A girafa e o barco foram comprados em Juiz de Fora, os peixes são de kinder ovo, resquícios da minha infância.

O pelicano foi de uma feirinha em Cabo Frio.

Ficção-científica.

Misticismo.

Coleção de sermões do Padre Antônio Vieira.

Buda, Anúbis e psicologia junguiana (coleção amor e psiquê).

Urso malabarista, lembrança de São Paulo trazida por minha tia.

O índio norte-americano veio da 25 de março, o apontador veio de uma papelaria em Juiz de Fora e o Buda foi comprado em Aparecida do Norte.

A caixinha do Boticário era da minha bisavó.

cofre em forma de Tatu, guardando A Longa História e uma biografia de Hitler.

Aqui, ao lado de um manequim de madeira.

Inexpressivo, não?

Prateleira das rochas.

A panelinha de pedra ao fundo foi de uma outra bisavó.

Lutador de sumô, na Leitura, por 26,00.

Farol, por 5,00 num mercado em Tabuleiro. Presente da minha mãe.

O duende incenso também foi presente da minha mãe, quando eu ainda era criança.

O relógio de sol veio de Tiradentes, o guerreiro japonês de um kinder-ovo bem antigo.

Mais um Buda.

A esquerda, divindade amazonense pré-histórica, presente da namorada, trazida de Belém. A direita, Menino Jesus de Praga, presente de uma amiga, de Aparecida do Norte.

Segundo minha mãe esse aí sou eu quando ficar velho.

Igrejinha de argila, comprada na Venezuela, herança de uma terceira bisavó.

T Rex, na Ri Happy brinquedos, shopping Independência em JF, por 76,00.

Porco cofre e pirata destemido.

Herói.

Foguete Inca. Ou um homem narigudo, dependendo da perspectiva.

Duende, presente de minha prima Liziane. Acho que foi num aniversário.

]

Fonte.

Marcador de livro em forma de violão (presente da Roberta, de São Luis?) Casa maranhense, pulseira das havaianas, um colar da infância (que vinha com um coruja de durepox) e um anel que minha namorada me deu pra nao me esquecer dela.

CDs, uma lupa, tubos de ensaio, uma pelve de tatu, substância laranja não identificada, coisas típicas para o quarto de um jovem.

A mulher da loja riu quando eu disse que a petisqueira iria guardar pedras.

Isso é nostálgico.

Carranca havaina. Condonare presentes.

Filhote de tricerátops, da época em que O Mundo Perdido de Spielberg foi lançado.

Máscara de argila, produção própria.

Enciclopédias, extintas com a invenção da internet. Meu interesse por fósseis me faz solidário a elas.

Natal de 2003

O cão é mais ou menos da mesma época. O policial é mais antigo e vinha acompanhado de uma moto que se perdeu.

No fim do arco-íris...

Dimetrodon.

Rama, esposo de Sita, casal que reencarnou 7 vezes para viverem seu amor. Feirinha internacional de Juiz de Fora, 70,00 o par.

Eis a Sita.

Faraó e sacerdotisa, lojinha de Búzios, 01/03/12

Xadrez peruano, feirinha de Cabo Frio, 2011

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4 Comentários

  1. Amei o seu quarto completamente! Se parece muitíssimo com o meu – que está tão lotado que praticamente não há espaços na parede!

    Aproveito a brecha para deixar aqui o link de uma postagem que fiz em meu blog, onde falo sobre o Freud colecionador:
    http://paraiso-feerico.blogspot.com.br/2011/10/freud-e-seus-deuses.html

    Bjs!

  2. Amei o seu quarto! Ele se parece muitíssimo com o meu – que está tão lotado que praticamente não há espaços livres nas paredes!

    Aproveito a brecha para deixar aqui o link para um post que fiz em meu blog, onde falo sobre o Freud colecionador:

    http://paraiso-feerico.blogspot.com.br/2011/10/freud-e-seus-deuses.html

    Bjs!

    • Obrigado Ayla, é reconfortante saber que nós, os colecionadores compulsivos, não estamos sozinhos no mundo! bjs

  3. entao que tal passar este seu tatu cofre ,para minha coleção ?

    http://www.facebook.com/gejone


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