Desenhos

Atualização (19/10/2014): estou com um blog só para meus desenhos, acessem: http://riccardoilustra.wordpress.com/.

 

Numa quarta-feira, 02 de junho de 2010, às vésperas de terminar o sétimo período, haveria uma pequena palestra na sala de apresentação das monografias. O ilustre palestrante, que tinha vindo de longe, era o ilustrador científico Álvaro Nunes . Oficialmente ele falaria das 20:30h até as 21:00h e como eu não tinha aulas as quartas, pensei seriamente em não ir, já que a faculdade não é apenas longe da minha casa, mas em outra cidade. Depois, pensei que um pequeno sacrifício poderia realmente ser muito importante para minha vida profissional e decidi que iria. Além do mais, ia ficar em casa fazendo o que? Assistindo TV? Decidi também levar alguns desenhos meus (não tenho a pretensão de denominá-los ilustrações) para o caso de surgir a oportunidade de mostrar a ele.

O Dr. Álvaro se mostrou um homem muito tranqüilo, culto e politizado, entrelaçando assuntos muito variados. Ele disse que o meio ambiente ia além do mundo natural, é também o lugar onde vivemos, nossas cidades. Segundo ele, é muito importante que nós, biólogos, compreendêssemos isso. Do mesmo modo, a ilustração científica deveria servir a um propósito maior que seu objetivo imediato. Como qualquer obra produzida por um cientista, deveria ter como função ajudar no desenvolvimento do mundo.

Após essa curta introdução, mostrou algumas de suas ilustrações. Realmente, na grande maioria era difícil acreditar que estávamos diante de algo feito à mão, e não de uma fotografia de alta resolução.

No fim da palestra, preparei-me para ir até lá, temeroso do que ele poderia achar dos meus desenhos. Eu mesmo julgava pouquíssimos desenhos bons, e depois de ver todas aquelas aquarelas impressionantes, achei que havia boas possibilidades de estar prestes a sofrer uma humilhação.

Enquanto ele guardava suas coisas, fui até a mesa e cumprimentei-o, falando do intuito de mostrar minhas próprias ilustrações. Ele ficou feliz com o interesse e pude ver em seus olhos que estava sendo sincero em sua curiosidade para saber o que eu carregava comigo. Fiz muitas ressalvas dizendo que achava a maioria dos desenhos dali uma porcaria, que eu era muito jovem quando os fiz, etc. Curiosamente, quando salientei que nunca tinha feito um curso, ele riu e disse “Que bom! Feliz aqueles que não tiveram mestres e não herdaram seus vícios”.

O grande Álvaro Nunes folheou minha humilde pastinha várias vezes. Desprezou todos os desenhos que não tinham cunho científico (como o Coringa do Batmam e um elfo de flecha e tudo, que eu me recuso a exibir aqui). Nada pude fazer senão concordar que eram um lixo. Na maioria dos outros desenhos ele disse perceber muito de “farra”, como aquele de um Protoceratops atacando um Velociraptor que eu fiz no início da adolescência. Apontou meu desenho do Oviraptor como tendência a algo de qualidade. Também gostou do Dsugrapteus e principalmente do coleóptero (Cerambix cedro).

Enquanto olhava, disse ter visto trabalhos maravilhosos de arte paleontológica no Museu de História Natural de Nova York, inclusive um aluno seu havia acabado de ganhar um prêmio lá.

Dirigindo-se a mim, disse que é preciso focar um tema. Quando perguntei de que modo eu posso começar a trabalhar com isso, ele sintetizou com firmeza: “Apareça! Divulgue seu trabalho.”

Agradeci, apertando sua mão. Saí de lá tão eufórico que me esqueci completamente que tinha que ter me encontrado com meu professor de monografia.

A publicação de desenhos na internet é complicada, por conta da falta de controle que temos sobre nosso trabalho. Além do mais, meus desenhos são inspirados em desenhos de outros. As fontes que eu me lembrar, certamente citarei, mas creio que nos mais antigos isso será impossível. Depois de um tempo, decidi que as vantagens compensam as desvantagens e aqui estou eu, quase dois anos depois do meu encontro com o Dr. Álvaro, seguindo seu conselho, tentando aparecer.

Quem sabe eu não consigo uma proposta de trabalho?

No final de 2011, um amigo me emprestou um livro chamado DINOSSAUROS, de Paul Barrett, com ilustrações impecáveis de Raul Martín (pesquisem no google). Os seguintes desenhos foram feitos olhando os originais, uma pequena amostra das maravilhas artísticas que há no livro.

Lambeosaurus. Não sei o que é mais engraçado, o fato do dinossauro parecer míope ou a foto ter ficado ligeiramente fora de foco.

Pelecanimimus. Simpático não?

Tyranosaurus.

Protoceratops

Coelophysis

Dilophosaurus. É o meu preferido do Jurássico.

Pachycephalosaurus e um crânio fóssil.

Gostei desse.

Um Oviraptor (se bem que, ultimamente, há controvérsias se ele comia mesmo ovos (e principalmente se os roubava)). Gostei do desenho mas a luz na hora de tirar a foto não ajudou.

Aqui, um Alosaurus tirado da internet em 2010 que acabou se transformando num fracasso total.

Após um hiato de alguns anos sem produzir nada que prestasse, fiz esse coleóptero, Cerambyx cerdo, em 2007, um dos desenhos que o Dr. Nunes gostou. Vou tentar me lembrar onde olhei para dar os créditos do modelo original.

Esse desenho ainda me dá orgulho. É um Dsugaripterus. O original, todo colorido, pode ser conferido na saudosa coleção da Globo Dinossauros! Descubra os Gigantes do Mundo Pré-Histórico, mas precisamente na página 342, edição nº15.

Em 2003, fiz esse desenho, que me deu muito orgulho da época. Foi onde o Dr. Nunes identificou muita “farra”. Hoje vejo tantos defeitos que me custou postá-lo aqui. Ele pode ser visto na capa do nº 18 da coleção Dinossauros!…

Aqui, um Diplodocus tenta escapar de um Alosaurus faminto.  É com muita vergonha que eu admito que comecei esse trabalho em 2002 e até hoje não o concluí!

Obviamente o desenho original é muito, mas muito melhor que esse que eu fiz, e pode ser visto, em todo o seu esplendor, ocupando as duas páginas centrais da coleção Dinossauros!, nº12, pag. 274-275.

Fico devendo uma imagem total melhor. Não consegui melhorar a luz, e o reflexo me irritou tanto que eu desisti.

Incompleto. Preguiça.

A pata traseira foi interessante, acho que consegui passar a textura real.

Essa pele deu um trabalho do cão.

Aqui o detalhamento já está bem melhor. Mesmo assim, achei a composição confusa, não soube lidar muito bem com os sombreados.

Um Velociraptor, dinossauro preferido. O original pode ser conferido na mesma coleção já citada que fez sucesso na década de 1990, no nº 03, p. 53.

Os traços ainda eram muito toscos, os contornos estavam fortes demais.

Aqui, um Saurornithoides. O original também pode ser visto na mesma coleção, nº 49, primeira página.

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